quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O TURCO, O JUDEU E O AFRICANO:


Um turco tinha uma dívida para com o Judeu (em dinheiro) e disse-lhe que nunca lhe pagaria um cêntimo sequer. Deixaram de se ver durante algum tempo.
Um dia encontram-se frente a frente num Restaurante, propriedade de um Africano.
O Judeu de imediato pediu ao Turco que lhe pagasse o dinheiro em dívida. O Turco ficou muito irritado porque não era seu hábito pagar dividas fosse a quem fosse. E logo de imediato pegou na sua arma e deu um tiro na sua própria cabeça, suicidando-se ali mesmo.
O Judeu espantado e muito irritado disse: Hás pagar-me nem que seja no Inferno, dando logo de seguida um tiro na sua própria cabeça.
O Africano ainda muito espantado e pensativo, disse: Ué! Também vou, sempre quero ver como é que esta merda acaba. Pum! E deu um tiro na sua própria cabeça.

COM PAPAS E BOLOS SE ENGANAM OS TOLOS

Artigo de ANA PORFÍRIO, inserto no Jornal do Barreiro, de 27.01.2012

“Esta crónica custou-me um bocadinho a sair, não por falta de assunto mas por excesso. De facto, nos últimos dias os combustíveis aumentaram várias vezes, rebocando meia dúzia de aumentos consigo, tornando ainda mais difícil o dia a dia. Foram ainda empossados em cargos de Administração com salários milionários uma mão cheia de pessoas que passaram já por outros empregos assim, por cargos governamentais que nos trouxeram a este estado, numa triste paródia aos portugueses que não recebem salário ou a quem o salário não chega e que ouve, repetidamente, que tem de ser assim.
Foi por estes dias assinado um acordo por uma Central Sindical que tem por fim a defesa dos direitos dos trabalhadores, acordo esse, onde, na realidade, se retiram muitos direitos em nome de uma produtividade e competitividade, que eu sinceramente acho que não vai melhorar muito o estado das coisas, por isso nem a Central defendeu os direitos de quem representa, antes pelo contrário, nem me parece que isto vá beneficiar a economia nacional, excepto na hipótese da exploração que é feita em grandes grupos económicos.
Trabalhar mais horas na Pastelaria perto da minha casa não vai garantir que se vendam mais bolos, até porque daqui a pouco ninguém tem emprego, nem salário e, como tal, não os compram.
Falando em bolos, um ministro apontou como hipótese de salvação económica a exportação de Pastéis de Nata, é claro que aqui no Barreiro temos as bolas cde manteiga e, visto por esse prisma, podemos intoxicar o resto do mundo com pastelaria diversa, pastéis de nata feitos com leite holandês e manteiga francesa, claro está, ingredientes provavelmente vendidos numa cadeia de supermercados, dirigida por patriotas, que com este acordo podem despedir uns quantos trabalhadores, obrigando os que lá estão a trabalhar mais horas pelo mesmo dinheiro.
Os ingredientes vão ter mesmo de vir de fora, porque com estas medidas todas fabulosas, cada vez se produzem menos por cá.
Com um bocadinho de sorte, o dono patriótico dessa cadeia de supermercados é membro de uma organização mais ou menos secreta, dada a partilhar segredos e influências entre os membros, onde, de avental vestido e cumprimento secreto, cozinham meia dúzia de medidas sem a doçura dos pastéis de nata, mas sim com um amargo de boca para a maioria dos portugueses.
Já diz o ditado popular que “com papas e bolos se enganam os tolos”, mas eu não estou muito disposta a engolir histórias da carochinha.”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

MATRIX

PROJECTO DE UMA ESTRANHA FORMA DE VIDA

É absurdo que todos pensemos que não se pode mudar este sistema. Na história da humanidade, todos os sistemas deram lugar a outros. Somos nós que mantemos este sistema, cumprindo um contrato sem nunca termos parado para pensar.
Em grandes linhas, este é o seu conteúdo:
Cláusula 1.ª - Eu aceito a busco do conforto como o fim supremo da humanidade, e a acumulação de riquezas como o maior objectivo da nossa vida. Quanto mais infeliz for, mais consumirei, e assim contribuirei para o bom funcionamento do sistema;
Cláusula 2ª. - Eu aceito que a investigação relacionada com a minha saúde esteja nas mãos de empresas cuja única motivação é gerar lucros. Não me preocupa que as farmacêuticas financiem os congressos de medicina e que controlem assim a informação que chega aos meus médicos. Confio na indústria farmacêutica, e na gente como Donald Rumsfeld, accionista e ex-presidente da farmacêutica que desenvolveu o Tamiflú. Não creio que sejam capazes de criar vírus como o da gripe A para enriquecer;
Cláusula 3ª. - Eu aceito deixar o meu salário nos bancos para eles o invistam naquelas actividades que mais dinheiro geram, independentemente da sua moralidade ou do seu impacto ambiental. Assumo que os investimentos mais lucrativos são os que exploram os cidadãos dos países em desenvolvimento e apoio por completo estas actuações;
Cláusula 4ª. - Eu aceito que as autoridades guardem todos os dados sobre mim, que possuam. Confio neles e não me importa transportar microchip, nem dar a minha identificação ocular ao entrar noutro país, nem ter que mostrar o conteúdo do meu computador nos aeroportos;
Cláusula 5ª. - Eu aceito os paraísos fiscais para que ricos e delinquentes não paguem os impostos que eu pago;
Cláusula 6ª. - Eu aceito que os bancos internacionais emprestem o meu dinheiro a países que querem armar-se para a guerra, e que possam escolher onde irão ter lugar as guerras. Sou consciente de que o melhor é financiar ambos os lados para que o conflito dure o maior tempo possível, não só para ganhar mais dinheiro, mas para que eles depois paguem com os seus recursos quando não puderem devolver os empréstimos;
Cláusula 7ª - Eu aceito que a publicidade me conte mentiras e que me faça desejar coisas e produtos…;
Cláusula 8ª. - Eu aceito que se guardem todos os meus e-mails durante 5 anos ainda que eu os apague. E que empresas como Yahoo dêem acesso às contas às autoridades chinesas, permitindo assim deter dissidentes. Eu aceito a tecnologia que os telemóveis possam retransmitir o que ouvem mesmo quando o seu proprietário o tenha apagado. (Para evitá-lo, retire a bateria);
Cláusula 9ª - Eu aceito que o poder esteja nas mãos das pessoas mais ambiciosas e com menos escrúpulos;
Cláusula 10ª. - Eu aceito que os partidos políticos aglutinem o pior do país e, que a cada 4 anos me contem o que sabem que quero ouvir, para chegarem ao poder;
Cláusula 11ª. - Eu aceito que os meios de comunicação estejam concentrados nas mãos de grandes poderes económicos, porque sei que farão um bom uso deles. Aceito acreditar só no que os meios de comunicação dizem e pensar que o que se diz fora deles são boatos para gente inculta e crédula. Eu aceito esta «MATRIX» na qual me colocaram para que não posse ver a realidade das coisas. Sei que o fazem para o meu bem…;
Cláusula 12ª. - Eu aceito que as notícias compilem o que de pior se passou no planeta nesse dia, para que me sinta impotente e pense que não há nada que se possa fazer. Sei que, alimentar o medo, a raiva e o desespero é o melhor que podem fazer por nós, porque crer que se pode mudar algo é perigoso;
Cláusula 13ª. - Eu aceito as «versões» dos acontecimentos dadas pelos «media» e apoio todas as divisões entre seres humanos de acordo com as versões dos governos. Desta forma poderei focalizar a minha cólera para os inimigos desenhados por eles, e não me oporei a acções bélicas que respondem a interesses político-económicos;
Cláusula 14ª. Eu aceito que se condene à morte o próximo, e nos convençam a acabar com ele sempre que o seu governo tenha sido declarado pelo nosso, como seu inimigo;
Cláusula 15ª. - Eu aceito que se destruam toneladas de comida para que não baixem os preços internacionais. Parece-me melhor que oferecê-las às centenas de milhares de pessoas que morrem à fome todos os anos;
Cláusula 16ª. - Parece-me bem que haja países como o Haiti, onde à falta de outra coisa, comem bolos feitos com terra. Como todos somos egoístas, estou convencido de que, no fundo, todos estamos de acordo com esta situação;
Cláusula 17ª. - Eu aceito que… a felicidade é conforto; o amor é sexo e a liberdade é ter dinheiro para poder satisfazer todos os meus desejos;
Cláusula 18ª. - Eu aceito que se façam guerras por motivações económicas como o petróleo, reactivar a economia ou dar saída aos stocks de armas obsoletas. Há que fazer seja o que for para manter o sistema em marcha, porque é sem dúvida o melhor possível;
Cláusula 19ª. - Eu aceito comer carne bovina tratada com hormonas, sem que exista obrigação legal de indicá-lo em nenhuma etiqueta. Eu aceito servir de cobaia e comer carne de animais criados com alimentos transgénicos, para comprovar se aparece alguma anomalia na nossa espécie a longo prazo;
Cláusula 20ª. - Eu aceito que os vegetais que ingiro tenham pesticidas e herbicidas tóxicos para a minha saúde, sempre que não usem demasiado… Eu aceito que se utilizem todo o tipo de aditivos químicos na minha alimentação, porque estou convencido de que se os utilizam, é porque sabem que não há nenhuma consequência a longo prazo;
Cláusula 21ª. - Eu aceito que todos os transgénicos se expandam por todo o planeta e que as multinacionais agro-alimentares que alimentam os seres vivos, acumulem enormes dividendos por eles e controlem a agricultura mundial. Estou convencido de que, é moral especular com o preço dos alimentos, para que o sistema de mercado garanta que os recursos sejam distribuídos de forma eficiente;
Cláusula 22ª. - Eu aceito pagar o preço mais baixo possível pela carne dos animais que compro, pelo que me parece bem que os tratem mal, para baixar o preço da sua carne. Ao fim e ao cabo somos uma espécie superior. Em consequência, se viesse outra espécie superior de outro planeta, parecia-me lógico que fizessem o mesmo connosco;
Cláusula 23ª. - Eu aceito a politica de «revolting doors» (portas giratórias). Sei que os directores de organismos internacionais como a OMS, a OIT, o FMI e o Banco Mundial são ex-empregados de grandes corporações, que sabem que «portando-se bem», voltarão a essas corporações ganhando quantidades astronómicas;
Cláusula 24ª. - Eu aceito a hegemonia do petróleo na economia, apesar de ser uma energia cara e poluente, e estou de acordo em impedir qualquer tentativa de substituição, porque a implantação dos métodos de energia livre “já descobertos e silenciados” seriam uma catástrofe para o sistema;
Cláusula 25ª. - Eu aceito que o valor de uma pessoa dependa da sua capacidade para gerar dinheiro e de aparecer ou não na televisão. Tomarei como minhas referências pessoais as pessoas que aparecem na televisão, e procurarei ser como eles!;
Cláusula 26ª. - Eu aceito que se paguem fortunas a jogadores de futebol e a actores, para convertê-los nos nossos modelos a imitar. Parece-me totalmente lógico que se pague muito pouco aos professores que se encarregam de forma as gerações futuras;
Cláusula 27ª. - Eu aceito que as multinacionais não apliquem as conquistas sociais do ocidente nos países desfavorecidos. Apoio que haja crianças trabalhando, para que os produtos que compro tenham o preço mais baixo possível;
Cláusula 28ª. - Eu aceito que os mais velhos sejam considerados um estorvo e não sejam nunca o nosso modelo, porque como civilização mais avançada do planeta ( e do universo, já que é impossível que existam mais) sabemos que a experiência não tem nenhum valor;
Cláusula 29ª. - Eu aceito a concorrência como base do nosso sistema, mesmo quando estou ciente de que este funcionamento engendra frustração e cólera para a maioria. Substituir a concorrência pela colaboração seria um erro;
Cláusula 30ª. - Eu aceito usar o que tenho de mais valioso, o meu tempo, para trabalhar e, poder comprar muitas coisas e preencher esta vida tão vazia!;
Cláusula 31ª. - Eu aceito a destruição dos bosques e o desaparecimento de espécies naturais. Parece-me lógico contaminar e dispersar pelo ar venenos químicos, assim como enterrar resíduos radioactivos que não estariam a salvo de um grande terramoto;
Cláusula 32ª. - Embora a nossa história esteja cheia de conspirações políticas e políticos ambiciosos, eu aceito que agora tudo mudou e que os nossos dirigentes só buscam o nosso bem. As organizações secretas de políticos e grandes magnatas como o Club Bilderberg, a Trilateral ou o Comité dos 300 não existem e ninguém está tentando estabelecer um governo mundial através dos organismos internacionais;
Cláusula 33ª. - Eu aceito que o sistema actual é o melhor possível. Já passou a época dos grandes ideais. No mundo devem mandar as pessoas sensatas e realistas que procuram manter o sistema. Tenho medo de que as coisas mudem porque os sonhadores só trazem problemas e instabilidade;
Cláusula 34ª. - Eu aceito esta situação e aceito que nem nada nem ninguém pode fazer nada para muda-la;
Cláusula 35ª. - Eu aceito não fazer perguntas, fechar os olhos a isto e não me opor a nada, porque estou suficientemente ocupado com os meus próprios problemas. Eu aceito também defender este contrato com a minha vida, porque tenho medo da mudança;
Cláusula 36ª. - Eu aceito ser uma peça de um sistema, adaptar-me a ele e ensinar os meus filhos a adaptarem-se também a ele. A minha prioridade é manter-me no sistema e nunca questionarei se me permite ou não ser feliz;
Estarás a pensar que são temas demasiado grandes e que não poder fazer nada…;
Porém realmente temos todo o poder porque somos nós que estamos mantendo este sistema;
Neste mundo movido pelo dinheiro, cada gasto que fazes é um voto para manter o sistema ou mudá-lo;
Para cada um dos problemas expostos há iniciativas em curso. Sem ter que mudar de vida, podemos reorientar os nossos gastos para as iniciativas que corrigem estes problemas;
ANTES OU DEPOIS A MUDANÇA É INEVITÁVEL!
SÓ PODEMOS ESCOLHER ENTRE FAZÊ-LO JÁ E NÃO SOFRER OU FAZÊ-LO MAIS TARDE SOFRENDO.
PENSA EM TUDO O QUE LESTE, PUXA PELA TUA MASSA CINZENTA, ANALISA AS SAÍDAS E COM ALGUMA CORAGEM ADMITE QUE TENS VIVIDO NA IGNORÂNCIA, SUBJUGADO PELAS FORÇAS EXTERNAS DO GRANDE CAPITAL ANARQUICO!

sábado, 14 de janeiro de 2012

SALVEM OS PASTEIS DE NATA E DE BACALHAU

(As reformas já eram, os impostos vão aumentar. Acabou mais uma grande ilusão)

---“ O filme está aí, é de má qualidade e já não provoca grandes excitações. As tais grandes reformas estruturais, que muitos consideram urgentes e absolutamente necessárias para o País ter uma economia saudável, que crie riqueza e postos de trabalho, estão a caminho do enorme caixote do lixo das boas intenções dos políticos, patrões e sindicatos.
O Estado este e vai continuar na mesma, com mais ou menos reformados e mais ou menos cargos dirigentes; na Justiça ninguém se atreve a mexer a sério; o arrendamento é já um fracsso anunciado, com os despejos enterrados nas secretarias dos tribunais; as leis do trabalho são um jogo demasiado pornográfico em que os actores principais fazem cenas obscenas, indignas de serem vistas por crianças e adultos.
É por essas e por outras que já ninguém abre a boca de espanto quando o ministro das Finanças organiza uma mega conferência sobre as grandes reformas estruturais.
Deve ser bonito ver os mesmos que nunca quiseram reformar alguma coisa, juntarem-se todos num enorme acontecimento, com uma espectacular cobertura mediática e directos para todos os gostos e inteligências.
Deve ser muito bonito ouvir intervenções espantosas dos Maios crânios da Pátria sobre as tais reformas estruturais, as grandes, as decisivas, as fundamentais, as sete maravilhas que irão transformar Portugal num país moderno, racional, amigo dos negócios, da iniciativa privada, do mercado, da concorrência e de tudo o que é preciuso para a economia ser uma realidade positiva e não um pesadelo, e o trabalho ser isso mesmo, trabalho, e não uma via sacra para quem pretende criar empregos.
Essa grande conferência sobre as grandes reformas estruturais é, em si mesma, o sinal do mais do que óbvio de que o governo já desistiu de mexer no enorme caldeirão de interesses instalados há muitos anos na sociedade portuguesa. Criar um grupo de trabalho, uma unidade de missão, uma comissão ou algo do género revela sempre uma enorme incapacidade para alterar seja o que for.
Organizar uma enorme conferência sobre as reformas estruturais é o mesmo que marcar uma missa solene em que estão presentes os cadáveres de todas as intenções, programas e mesmo propostas bem-intencionadas sobre os grandes «nós górdios» deste País que, mais cedo do que tarde, se arrisca a ir na enxurrada da crise europeia para destino incerto e pobreza absoluta garantida.
Acabada a ilusão reformista, mais uma que nos embalou durante alguns meses, resta tentar cumprir as metas do défice à conta de mais austeridade para as pessoas e empresas, isto é, à custa da subida dos impostos.
As trapalhadas com o Orçamento do Estado, para este ano e, a imensa confusão lançada com a transferência dos fundos de pensões dos bancos para a Segurança Social, mostram que nem já Vitor Gaspar é o homem certo para pôr o Estado e as Finanças Públicas na ordem.
No meio desta desgraçada e vil pobreza, já nem o óbvio é levado a sério.
Podem zombar do Ministro da Economia, mas os Pastéis de Nata e de Bacalhau são duas pérolas nesta imensa lixeira lusitana a céu aberto. ---“

Artigo publicado no Editorial do Jornal “I”, em 14-01-2012, por ANTÓNIO FERREIRA RIBEIRO