sábado, 25 de fevereiro de 2012

CARTA ABERTA AO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA

2012/02/01

Exmo Senhor Presidente da República

Lisboa

Vou usar um meio hoje praticamente em desuso mas que, quanto a mim, é a forma mais correcta de o questionar, porque a avaliar pelas conversas que vou ouvindo por aqui e por ali, muitos portugueses gos-tariam de ver esclarecidas as dúvidas que vou colocar a V/Exa e é por tal razão que uso a forma “carta aberta”, carta que espero algum dos jornais a que a vou enviar com pedido de publicação dê à estampa, desejando que a resposta de V/Exa fosse também pública.
Tenho 74 nos, sou reformado, daqueles que descontou durante 41 anos, embora tenha trabalhado durante 48, para poder ter uma reforma e que, porque as pernas já me não permitem longas caminhadas e o dinheiro para os transportes e os espectáculos a que gostaria de assis-tir não abunda, passo uma parte do meu dia a ler, sei quantos cantos há nos Lusíadas, conheço Camilo, Eça, Ferreira de Castro, Aquilino, Flor-bela, Natália, Sofia e mais uns quantos de que penso V/Exa já terá ouvi-do falar e a “navegar na net”.
São precisamente as “modernices” com que tenho bastante dificuldade em lidar que motivam esta minha tomada de posição porquanto é aí que circulam a respeito de V/Exa afirmações que desprestigiam a figura máxima do País Portugal, que, em minha opinião, não pode estar sujeita a tais insinuações que espero V/Exa desminta categoricamente.
Passemos à frente das insinuações de que V/Exa foi 1º Ministro de Por-tugal durante mais de dez anos, época em que V/Exa vendeu as nossa pescas, a nossa agricultura, a nossa indústria a troco dos milhões da CEE, milhões que, ao contrário do que seria desejável, não serviram para qualquer modernização ou reforma do nosso País mas sim para encher os bolsos de alguns, curiosamente seus correligionários senão mesmos seus amigos. Acredito que esse tempo que vivemos sob o comando de V/Exa e que tanto mal nos fez foi apenas fruto de incompe-tência o que, sendo lamentável, não é crime, os crimes foram praticados por aqueles que se encheram à custa do regabofe, perdoe-me o popularismo, que se viveu nessa época e que, curiosamente, ou talvez não, continuam sem prestar contas à justiça.
Entremos então no que mais me choca, porque nesses outros comentá-rios,
a maioria dos quais anónimos mas alguns assinados, é a honestidade de V/Exa que é posta em causa e eu não quero que o Presidente da República do meu país seja o indivíduo que alguns propalam pois que entendo que o cargo só pode ser ocupado por alguém em quem os por-tugueses se revejam como símbolo de coerência e honestidade, é assim que penso que nesta carta presto um favor a V/Exa, pois que respondendo às questões que vou colocar, findarão de vez as maledi-cências que, quero acreditar, são os escritos que por aí circulam.


1ª Questão:
Circula por aí um “escrito” que afirma que V/Exa, professor da Univer-sidade Nova de Lisboa, após ser ministro das finanças, foi convidado para professor da Universidade Católica, cargo que aceitou sem se ter desvinculado da Nova o que motivou que lhe fosse movido um processo disciplinar por faltar injustificadamente às aulas da Nova, processo esse conducente ao despedimento com justa causa, que se teria perdi-do no gabinete do então ministro da educação, a quem competiria o despacho final, João de Deus Pinheiro, seu amigo e beneficiado depois de V/Exa ascender a 1º Ministro com o lugar de comissário europeu, lugar que desempenhou tão eficazmente que o levou a ficar conhecido como “comissário do golfe”.
Pergunta directa:
Foi ou não movido a V/Exa um processo disciplinar enquanto professor da Universidade Nova de Lisboa?
Se a resposta for afirmativa, qual o resultado desse processo?
Se a resposta for negativa é evidente que todas as informações que andam por aí a circular carecem de fundamento.

2ª Questão:
Circulam por aí vários escritos sobre a regularidade da transacção de acções do BPN que V/Exa adquiriu.
Sendo certo que as referidas acções não estavam cotadas em bolsa e portanto só poderiam ser transaccionadas por contactos directos, vulgo boca a boca, faço sobre a matéria várias perguntas:
1ª - Quem aconselhou a V/Exa tal investimento?
2 ª- A quem adquiriu V/Exa as referidas acções?
3ª- Em que data, de que forma e a quem vendeu V/Exa as acções?
4ª- Sendo V/Exa um renomado economista não estranhou um lucro de 140% numa aplicação de tão curto prazo?

3ª Questão
Tendo em atenção o que por aí circula sobre a Casa da Coelha, limito-me a fazer perguntas:
1ª- É ou não verdade que o negócio entre a casa de Albufeira e a casa da Coelha foi feito como permuta de imóveis do mesmo valor para evitar pagamento de impostos?
2ª- Se já foi saldada ao estado a diferença de impostos com que atraso em relação à escritura se processou a referida regularização?
3ª- É ou não verdade que as alterações nas obras feitas na casa da Coe-lha, nomeadamente a alteração das áreas de construção foram feitas sem conhecimento da autarquia?
4ª- A ser positiva a resposta à pergunta anterior se já foi sanado o pro-blema resultante de obras feitas à revelia da autarquia, em que data foi feita tal regularização e se foi feita antes ou depois das obras estarem concluídas?
5ª- Última pergunta, esta de mera curiosidade, será que V/Exa já se lembra do cartório em que foi feita a escritura?

4ª- Questão
Esta não circula na Net, é uma questão que eu próprio lhe coloco:
Ouvi V/Exa na TV dizer que tinha uma reforma de 1300 €, que quase lhe não chegava para as despesas, passando fugazmente pela reforma do Banco de Portugal. Assim pergunto:
1ª- Quantas reformas tem V/Exa?
2ª- De que entidades e a que anos de serviços são devidas essas reformas?
3ª- Em quantas não recebe 13º e 14º mês?
4ª- Abdicou V/Exa do ordenado de PR por iniciativa própria ou por imposição legal?
5ª Recebe ou não V/Exa alguns milhares de euros como “despesas de representação”?

Fico a aguardar a resposta de V/Exa com o desejo de que a mesma seja de tal forma conclusiva e que, se V/Exa o achar conveniente, venha acompanhada de cópias de documentos, que provem a todos os portu-gueses que o que por aí circula na Net, não passam de calúnias e intri-gas movidas contra a impoluta figura de Sua Exa o Senhor Presidente da República de Portugal.

A terminar e depois de recordar mais uma das suas afirmações na TV, lembro uma frase do meu avô, há muito falecido, alentejano, analfabeto e vertical: “ NÃO HÁ HOMENS MUITO OU POUCO SÉRIOS, HÁ HOMENS SÉRIOS E OUTRAS COISAS QUE PARECEM HOMENS”. Por mim, com a idade que tenho já não preciso, nem quero nascer outra vez, basta-me morrer como tenho vivido, sério.

Com os meus melhores cumprimentos.

José Nogueira Pardal

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

PORQUE EM PORTUGAL O «J» É A PRIMEIRA LETRA DO ALFABETO...

Artigo de RUI CRUZ no Jornal “I”

“Acabei de saber que a JSD (Juventude Social-Democrata) vai apresentar 35 medidas contra o desemprego na juventude. Finalmente uma boa notícia para todo o País.
Assim vale a pena ler jornais. É que uma pessoa também se farta de estar sempre a levar com desgraças, como as notícias sobre os conflitos na Grécia, a fome em África ou a Nereida Gallardo estar a pensar tirar os implantes. Felizmente ainda há quem nos dê alegrias.
É que com a JSD a tratar do assunto é limpinho: acabou-se o desemprego. Eles nisso são craques. Pelo menos eu nunca vi ninguém da JSD desempregado.
Eu sei que a esta hora ainda há gente desconfiada e que só vai descansar quando souber mesmo quais são as medidas que a JSD vai apresentar.
A estas pessoas só tenho a dizer duas coisas: a melhor maneira de tirar marcas de batom de uma camisa é aplicando vaselina sobre a nódoa, lavando em seguida com água e sabão; agora calminha, que eu tenho uma surpresa para vocês.
Pois é, caros amigos, após um esforço, que a minha sobejamente conhecida modéstia não permite apelidar de grandioso, consegui ter acesso ao documento com as medidas que a JSD vai apresentar e, acreditem em mim, o projecto está destinado ao sucesso.
Quando as primeiras medidas são do calibre de:
1. Pertencer à JSD;
2. Ter um irmão na JSD;
3. Ter um primo na JSD;
4. Ter um cunhado na JSD;
5. Ter um amigo na JSD;
6. Ter um amigo que é amigo de alguém na JSD;
7. Ter um primo que é cunhado de um amigo do irmão de um militante da JSD;
8. Ter os nomes de família separados por “e” ou “de”;
9. Ter um amigo da JP;
10. Publicar na Facebook, pelo menos uma vez por semana, fotos de fetos e frases anti-aborto – qualquer pessoa percebe que é desta que a coisa vai.
Por isso é que estou tão confiante! Aliás, eu se estivesse no vosso lugar até começava era a meter os papéis no registo civil para tratar já da mudança de nome para Sotto de Mello e Brito ou Mascarenhas de Penha-Pereira, que depois quando isto for oficial aquilo vai estar à pinha.
E agora vamos lá, pessoal, isto é bola para a frente e aguardar o futuro com um sorriso nos lábios, até porque uma coisa é certa: a última pessoa que contou com apoio total da JSD, não só nunca teve de passar um dia no Centro de Emprego, como hoje tem um trabalhinho de luxo… apesar de continuar a viver em Massamá. “>

OS REMEDIADOS

Artigo publicado por ANA PROFÍRIO no Jornal do Barreiro:

Noutros tempos, as crianças aprendiam a dizer na escola que não eram ricos nem pobres, eram remediados! É claro que os remediados, por vezes, usavam sandálias com peúgas em Novembro ou sapatos maiores que os seus pés, herdados dos irmãos mais velhos, com pedaços de cartão ou jornal por dentro, mão só para encher os sapatos, como para calafetar qualquer buraco na sola.
As peúgas eram remendadas até pouco restar da peúga original, tal como a roupa de uma maneira geral. Os remediados ficavam à frente nas fotos da escola, porque os pobres ficavam atrás, de forma a que não fossem fotografados os pés descalços.
Nas escolas havia respeito, crucifixos nas paredes, raparigas separadas de rapazes, palmatórias e ponteiros como método educativo, coadjuvado com as linhas férreas do ramal da Beira Baixa, os Reis de Portugal com os seus nomes e cognomes e a ideia de um Portugal enorme do Minho a Timor. Os remediados comiam sopa de hortaliça com um bocadinho de chouriço e toucinho cozidos dentro da sopa, isto nos dias bons.
Os remediados iam à mercearia comprar “quartas” de açúcar, arroz, marmelada, quartos de litro de azeite, tudo fiado assente num rol, que ia sendo pago em parte, semanalmente. As casas não tinham frigorifico, nem dispensa, não por nenhuma moda arquitectónica, mas porque era inútil ter locais para guardar o inexistente.
Os remediados assim que acabavam a escolaridade, a quarta classe, sabendo a tabuada, os reis e os principais afluentes dos rios, começavam a trabalhar, numa oficina, num alfaiate, a troco de tostões para abater no rol.
Qualquer conversa era cautelosa, porque não se sabia quem a poderia escutar. Sobrava a prática desportiva, muitas vezes improvisada, meia dúzia de divertimentos controlados e as colectividades onde se aprendiam outras coisas.
Por muita nostalgia que se tenha pelas mercearias antigas e por outras coisas não eram, de facto, bons tempos.
Os filhos e netos dos remediados começaram a viver, a ter direito a sonhar, a um futuro que fosse esta roda perpétua de canseiras e insuficiências.
Agora dizem-nos que temos de voltar a ser remediados, mas parece-me que existe outro remédio diferente que não implique voltar atrás.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

NO FIO DA NAVALHA

No Fio da Navalha
“Caro senhor primeiro-ministro
É preciso reduzir depressa a despesa pública, para pôr fim à política de austeridade.
Quando venceu as eleições, em Junho passado, as expectativas não eram muito altas, tão grandes eram os desafios. Independentemente disso, acreditei e votei em si. Depois de tanta mentira rebuscada, estava disposto a acreditar em alguém que não escondesse a verdade. E a verdade é dura, como o senhor primeiro-ministro já deve ter percebido. Não me arrependi. E é precisamente por não me ter arrependido que lhe dirijo esta crónica.
Quero recordar-lhe os perigos que corremos caso o seu governo falhe. O desastre que será não reduzirmos a despesa do Estado e regressarmos às políticas que nos trouxeram até aqui. As políticas que implicam cobrar impostos altos à população com vista a satisfazer os interesses privados de alguns. De poderosos com fácil acesso ao poder que nos querem convencer serem no nosso proveito os seus projectos privados. Passarem por público um interesse que
mais não é que corporativo. Se estes são os riscos do seu falhanço, o que podemos conseguir com o seu sucesso?
Antes de mais nada, um país de cidadãos livres. Onde a liberdade não se reduza a votar, mas se estenda à vida do dia--a-dia. Livres de darem o destino que queiram ao dinheiro que ganham com o seu trabalho. De investir, poupar, gastar, comprar e vender, sem que isso implique um motivo para terceiros, através do poder estatal, se imiscuírem. Um Estado livre das chantagens corporativas. Um país livre do estrangulamento legal que essas chantagens implicam. Um Estado presente em nome de todos e não de alguns. Um país onde as pessoas percam o vício de esperar do Estado aquilo que apenas podem conseguir por elas próprias. Onde a educação seja um direito, mas acima de tudo um dever. Um dever que cada cidadão tem de seguir e assumir. Essa é a única forma de os jovens não serem encaminhados para cursos que tanto jeito dão aos que conseguiram a licença para os ministrar. Um país onde haja menos empresas públicas e menos empresas a viver com o beneplácito do Estado. Empresas que, desvirtuando as regras dos mercados, que são as do cidadão comum, impedem que os produtos se vendam a preços mais baixos e competitivos. Um país onde o sucesso já não seja conseguir um emprego para a vida, mas ter um trabalho que seja uma mais--valia para os outros. Precisamos que o Estado gaste menos e isso implica uma forte redução da sua actividade. Só isso permite que a despesa pública baixe para níveis que possibilitem descer os impostos. Porque apenas a redução dos impostos fará a economia voltar a crescer. Criarmos mais postos de trabalho. Vivermos melhor e não ter de haver tantos a ir embora.
Se não conseguir esta mudança, o senhor falhou. E o senhor não pode falhar, porque, se isso acontecer, a alternativa da oposição é mais despesa pública e mais impostos. Mais pobreza. Porque não pode falhar, o senhor não pode perder mais tempo. Tem de cortar seriamente na despesa do Estado. Tem de fechar departamentos, direcções-gerais e regionais, gabinetes, comissões de estudo e de análise. Tem de pôr um ponto final em muitas das funções do
Estado. Vai ter de despedir funcionários públicos, porque em 2013 já não lhes poderá dizer que não paga os subsídios de férias e de Natal. Fazê-lo não seria justo para os muitos que trabalham no sector público e que são precisos. Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior. São medidas duras e o senhor terá de ser duro. Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro. Foi o senhor que quis este trabalho. É o senhor que terá de o levar a cabo. Vai ter de tomar estas medidas, pois, caso contrário, os sacrifícios que os portugueses estão a fazer serão inúteis. Uma mera perda de tempo. E, senhor primeiro-ministro, nós estamos fartos de perder o tempo das nossas vidas à volta desta história da dívida pública.”
Publicado por André Abrantes Amaral, no Jornal “I”

sábado, 11 de fevereiro de 2012

SABEIS QUEM FOI IRENA SENDLER?

Irena Sendler morreu...sabes quem era?

Nem sempre o prémio é atribuído a quem mais o merece...
Uma senhora de 98 anos chamada Irena faleceu há pouco tempo. Durante a 2ª Guerra Mundial, Irena conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista de canalizações. Mas os seus planos iam mais além... Sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus (sendo alemã)! Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e
levava um saco de sarapilheira na parte de trás da sua camioneta (para crianças de maior tamanho). Também levava na parte de trás da camioneta um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis quando entrava e saia do
Gueto.
Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer. Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. Por fim os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas, braços e prenderam-na brutalmente. Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a família. A maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos.
No ano passado foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz... mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore por uns dispositivos sobre o Aquecimento Global. Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!! Estou transportando o meu grão de areia, publicando esta mensagem. Espero que faças o mesmo. Passaram já mais de 60 anos, desde que terminou a 2ª Guerra Mundial na Europa. Este texto está a ser reenviado também via e-mail como uma cadeia comemorativa, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos e 1.900 sacerdotes católicos que foram assassinados, massacrados, violados, mortos à fome e humilhados com os povos da Alemanha e Rússia olhando para o outro lado. Agora, mais do que nunca, com o Iraque, Irão e outros proclamando que O Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o Mundo nunca esqueça.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A CULPA SERÁ DE ANGOLA?


Crónica de Nuno Ramos de Almeida, inserta no Jornal "I":
"Desde que a Grécia está a ser ajudada pela Troika tem mais desemprego, menos produção e deve mais dinheiro que antes de lhe emprestarem. Agora vai receber um novo empréstimo para poder pagar o anterior. O preço inicial é despedir 150.000 funcionários públicos (Lá estão eles a culparem o funcionalismo público de todas as misérias que aconteceram nesta pobre Europa).
Quando estiver a discuti o terceiro empréstimo para poder pagar aos agiotas do segundo, terá mais desemprego, menos produção e deverá ainda mais dinheiro. Os optimistas garantem que a Grécia conseguirá regressar ao mercado de financiamento antes de 2020, numa altura em que deverá mais de 150% do que produz por ano.
Os realistas, olhando para todas as previsões da Troika que falharam, calculam que no lugar de Atenas haverá um buraco. Com os problemas gregos podemos nós bem, dirá um Gaspar qualquer ao nosso lado. Mas a verdade é que uns meses depois de a Troika nos ter salvo já temos mais desemprego, menos produção e devemos mais.
O que nos emprestam serve cada vez mais para pagar os juros daquilo que nos emprestaram antes. No meio deste cenário animador, em que pagamos mais de 5% de juros ao ano e o produto nacional bruto de Portugal vai descer cerca de 5% em 2012, o Presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martins Schulz, criticou o facto de Portugal estar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”.
Sim, sim, parece que a culpa de tudo é dos investimentos angolanos; os europeus, a Troika, os alemães e os governos do bloco central não têm nenhuma responsabilidade."

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM HOMEM INVULGARMENTE OCO

Crónica de Ricardo Alves, na coluna “Submarino ao fundo” do Jornal “I”
“ Passos Coelho chegou ao Governo graças à intervenção da Santíssima Troika. Terá, como qualquer adulto, ideias próprias. Mas jura-nos que a sua única política é a da Troika, da “austeridade” e do “empobrecimento”, “custe o que custar”, porque é “inevitável”, e quem protestar é “piegas”.
Não sabemos, porque nunca se dignou explicar-nos, se noutras condições teria outra política OU SE FARÁ ALGO DIFERENTE QUANDO TERMINAR A “EMERGÊNCIA”.
Quando se procura alguma racionalidade nos seus discursos, encontra-se a vaga ideia de que das cinzas da destruição do Estado Social nascerá um Estado novo, magro e “honrado”, que voará pelos ares de nada dever aos credores e (suspeito que o mais importante), com a segurança de ter muito menos obrigações sociais perante os cidadãos.
Ele quer convencer-nos que esse Estado “mínimo” (mas com os monopólios naturais e os bancos vendidos a ditaduras estrangeiras) libertaria subitamente uma legião de empreendedores “desencostados” do Estado e prontos a criar emprego e riqueza.
Infelizmente, Passos Coelho é dos piores personagens que se poderia escolher para protagonista dessa epopeia da “exigência” e da “autonomia da sociedade civil”, contra a “preguiça” e a “complacência”.
Não tem “credibilidade”. Pela simples razão de que o seu percurso pessoal é o de alguém que sempre viveu encostado ao Partido e com os olhos no Estado. “

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SEM PÃO NEM CIRCO

Artigo de Luis Menezes Leitão, inserido no “Exame Prévio” do Jornal I, de 07.02.2012

“ Em 1993, o Governo de Cavaco Silva legislou para colar os feriados ao fim de semana. Mário Soares vetou esse diploma e Cavaco Silva reagiu acabando com a tolerância de ponto do Carnaval. Esse gesto causou tamanha indignação que custou ao PSD sete anos na oposição.
O facto de Passos Coelho, na sua sanha contra os feriados, não ter resistido a repetir o desastrado gesto de Cavaco Silva, demonstra a irracionalidade da sua política. Esta consiste em decretar os maiores disparates imagináveis «custe o que custar» às pessoas. Mas o que custa hoje brutalmente às pessoas vai ser pago no futuro com juros pelo PSD, que corre o risco de ficar décadas arredado do poder quando terminar o Seguro de vida que o PS lhe forneceu.
Os imperadores romanos sabiam que havia duas coisas que nunca poderiam faltar ao seu povo: pão e circo (panem et circenses). Em relação aos funcionários públicos, o Governo já lhes tirou o pão quando o seu salário foi reduzido 25%. Agora vai tirar-lhes o circo, impedindo-os de festejar o Carnaval que todos os outros trabalhadores comemorarão.
Trata-se de mais um ataque aos funcionários públicos, que o Governo transformou em seus inimigos principais sem qualquer justificação.
Ao PSD de hoje pode aplicar-se o comentário de Talleyrand em relação aos Bourbon:
« Não aprenderam nada nem esqueceram nada »
Repetir o erro de 1993 não lembrava a ninguém. “

Afinal há ou não há censura in Portugal?

Com data de 6 de Fevereiro deste ano de 2012 inscrevi no Facebook do Senhor Primeiro Ministrio Pedro Passos Coelho (Político), a seguinte dúvida, que passo a transcrever:
---"Quando todos estivermos de rastos, será que V.Exa ainda terá voz activa para continuar a dirigir-se aos portugueses, pedindo mais austeridade? Para quando o fim desta crise que não foi causada pelo povo, que V.Exa diz tanto amar. Será virtude sua ou defeito de qualquer liberalização política em vias de extinção?---"
Hoje, dia 7 de Fevereiro de 2012 a tal inscrição já lá não mora. Será que com os meus 70 anos de idade, já estou a falhar na minha memória visual? Senhor Primeiro Ministro é a segunda vez que me acontece algo semelhante, só que desta feita eu fiz impressão da página. Claro que não estou à espera de resposta sua, pois pelos vistos as perguntas nem sequer precisam de respostas.