terça-feira, 29 de maio de 2012
HÁBITOS DE POUPANÇA NA HOLANDA
Hábitos de poupança na Holanda
Enviado por Helena Rico, 42 anos, Groningen, Holanda .Publicado no "PÚBLICO" - 30-09-2011
“ A propósito do desafio sobre os novos hábitos de poupança na abertura do ano lectivo, resolvi partilhar a minha experiência uma vez que vivo no norte da Holanda, onde tudo se passa de modo completamente diferente.
Em primeiro lugar, os livros são gratuitos. São entregues a cada aluno no início do ano lectivo, com um autocolante que atesta o estado do livro. Pode ser novo ou já ter sido anteriormente usado por outros alunos. No final do ano, os livros são devolvidos à escola e novamente avaliados quanto ao seu estado. Se por qualquer razão foram entregues em bom estado e devolvidos já muito mal tratados, o aluno poderá ter de pagá-los, no todo ou em parte.
Todos os anos, os cadernos que não foram terminados voltam a ser usados até ao fim. O contrário é, inclusivamente, muito mal visto. Os alunos são estimulados a reutilizar os materiais. Nas disciplinas tecnológicas e de artes, são fornecidos livros para desenho, de capa dura, que deverão ser usados ao longo de todo o ciclo (cinco anos).
Obviamente que as lojas estão, a partir de Julho/Agosto, inundadas de artigos apelativos mas nas escolas a política é a de poupar e aproveitar ao máximo. Se por qualquer razão é necessário algum material mais caro (calculadora, compasso, por exemplo), há um sistema (dinamizado por pais e professores, ou alunos mais velhos) que permite o empréstimo ou a doação, consoante a natureza do produto.
Ao longo do ano, os alunos têm de ler obrigatoriamente vários livros. Nenhum é comprado porque a escola empresta ou simplesmente são requisitados numa das bibliotecas da cidade, todas ligadas em rede para facilitar as devoluções, por exemplo. Aliás, todas as crianças vão à biblioteca, é um hábito muito valorizado.
A minha filha mais nova começou as suas aulas de ballet. Não nos pediram nada, nenhum fato nem sapatos especiais. Mas como é universalmente sabido, as meninas gostam do ballet porque é cor-de-rosa e porque as roupas também contam. Então, as mães vão passando os fatos e a minha filha recebeu hoje, naturalmente, o seu maillot cor-de-rosa com tutu, e uns sapatinhos, tudo já usado. Quando já não servir, é devolvido. E não estamos a falar de famílias carenciadas, pelo contrário. É assim há muito tempo.
O meu filho mais velho começará a ter, na próxima semana, aulas de guitarra. Se a coisa for levada mesmo a sério, poderemos alugar uma guitarra ou facilmente comprar uma em segunda mão.
Este sistema faz toda a diferença porque, desde que vivo na Holanda, terminou o pesadelo do início do ano. Tudo se passa com maior tranquilidade, não há a febre do "regresso às aulas do Continente" e os miúdos e os pais são muito menos pressionados. De facto, noto que há uma grande diferença se compararmos o nosso país e a Holanda (ou com outros países do Norte da Europa, onde tudo funciona de forma idêntica). Usar ou comprar o que quer que seja em segunda mão é uma atitude socialmente louvável, pelo que existe mil e umas opções. Não só se aprende desde cedo a poupar e a reutilizar, como a focar as atenções, sobretudo as dos mais pequenos, nas coisas realmente importantes.
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Portugal não é um país Rico! É sim um País subdesenvolvido. Nos países subdesenvolvidos, cada um quer ser melhor que o outro. É assim que o consumismo dispara de modo absolutamente estúpido.Em Portugal ir para a escola com um livro usado! Nem pensar. O meu menino não é nenhum "pelintra"!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O CASO ISALTINO E A JUSTIÇA QUE TEMOS
Editorial de LUÍS ROSA, no Jornal “I”, de 18.Maio.2012
“ É só mais um exemplo de como basta ter poder financeiro para escapar à prisão. Mas o processo que envolve Isaltino fez mais pela descrebilização dos tribunais que os casos “Felgueiras”, “Valentim” ou até mesmo o “Processo Face Oculta”.
O caso Isaltino não tem nada a ver com fugas à justiça, provas materiais anuladas por questões processuais ou com interpretações dúbias do sentido da lei. Tem só a ver com uma questão simples: A justiça não consegue executar uma sentença condenatória de dois anos de prisão ditada pela Relação de Lisboa em Julho de 2010, por pura incompetência e por tudo permitir a um réu com uma equipa de advogados de excelência.
Num tempo de austeridade em que o Estado asfixia as empresas e as pessoas com uma carga fiscal nunca vista, a Justiça não devia permitir que um réu condenado por fraude fiscal qualificada e por branqueamento de capitais conseguisse impedir a acção do sistema.
Os tribunais são um elo muito importante de uma comunidade justa e honesta, pois ajudam a fortalecer a moral pública em que está claro que quem prevarica é castigado. Se alguém prevarica e não é castigado, não há comunidade que resista.
Isaltino Morais faz o que o deixam fazer – está no seu direito. A nossa lei permite quase tudo: de simples recursos a nulidades de decisões judiciais, passando por aclarações de despachos (por alegadamente não se perceber o que o juiz escreveu), pedidos de correcção de acórdãos, simples requerimentos com dezenas ou centenas de páginas e acabando em incidentes de recusa de Juiz (Isaltino já vai em dois).
Desde que foi condenado em Agosto de 2009 pelo Tribunal de Sintra (1) a sete anos de cadeia (sentença rectificada pela Relação) Isaltino já apresentou mais de 30 recursos e incidentes processuais dessa natureza que têm protelado a execução da sentença. Se é verdade que as diversas instâncias judiciais têm sido lentas (a acusação data de Janeiro de 2006…), não é menos verdade que o Estado de direito também passa por impedir abusos na utilização de expedientes processuais – objectivo que a reforma penal da Ministra Paula Teixeira Cruz visa impedir.
Outra questão é a financeira. Para apresentar tais incidentes processuais, Isaltino Morais teve de pagar 62.781,00 Euros em impostos, um mínimo de 20.000 Euros em pareceres e mais de 8.000 Euros em taxas de justiça. Quantos portugueses poderiam gastar 90.000 Euros em quase três anos?
A mensagem dos tribunais é devastadora para a credibilidade do Estado: vale a pena não declarar os rendimentos ao fisco e depositá-los na Suiça em nome de sobrinhos. “
1).- Isaltino Morais depositou na Suíça, em nome de um sobrinho, cerca de 1,3 milhões de euros não declarados ao fisco e que foram arrecadados pela utilização indevida de cargos políticos que exerceu entre 1990 e 2003
NOTA DE ALERTA:
Um Estado de Direito pode permitir estes abusos? Será que pertencemos a um país de políticos corruptos, contra quem nada é possível fazer? Afinal que Justiça é esta que temos implantada no nosso País?.
Afinal somos um País ou um canto à beira-mar plantado donde emana um cheiro nauseabundo a podridão e ainda por cima frequentado por gente corrupta, vigarista,etc…
“ É só mais um exemplo de como basta ter poder financeiro para escapar à prisão. Mas o processo que envolve Isaltino fez mais pela descrebilização dos tribunais que os casos “Felgueiras”, “Valentim” ou até mesmo o “Processo Face Oculta”.
O caso Isaltino não tem nada a ver com fugas à justiça, provas materiais anuladas por questões processuais ou com interpretações dúbias do sentido da lei. Tem só a ver com uma questão simples: A justiça não consegue executar uma sentença condenatória de dois anos de prisão ditada pela Relação de Lisboa em Julho de 2010, por pura incompetência e por tudo permitir a um réu com uma equipa de advogados de excelência.
Num tempo de austeridade em que o Estado asfixia as empresas e as pessoas com uma carga fiscal nunca vista, a Justiça não devia permitir que um réu condenado por fraude fiscal qualificada e por branqueamento de capitais conseguisse impedir a acção do sistema.
Os tribunais são um elo muito importante de uma comunidade justa e honesta, pois ajudam a fortalecer a moral pública em que está claro que quem prevarica é castigado. Se alguém prevarica e não é castigado, não há comunidade que resista.
Isaltino Morais faz o que o deixam fazer – está no seu direito. A nossa lei permite quase tudo: de simples recursos a nulidades de decisões judiciais, passando por aclarações de despachos (por alegadamente não se perceber o que o juiz escreveu), pedidos de correcção de acórdãos, simples requerimentos com dezenas ou centenas de páginas e acabando em incidentes de recusa de Juiz (Isaltino já vai em dois).
Desde que foi condenado em Agosto de 2009 pelo Tribunal de Sintra (1) a sete anos de cadeia (sentença rectificada pela Relação) Isaltino já apresentou mais de 30 recursos e incidentes processuais dessa natureza que têm protelado a execução da sentença. Se é verdade que as diversas instâncias judiciais têm sido lentas (a acusação data de Janeiro de 2006…), não é menos verdade que o Estado de direito também passa por impedir abusos na utilização de expedientes processuais – objectivo que a reforma penal da Ministra Paula Teixeira Cruz visa impedir.
Outra questão é a financeira. Para apresentar tais incidentes processuais, Isaltino Morais teve de pagar 62.781,00 Euros em impostos, um mínimo de 20.000 Euros em pareceres e mais de 8.000 Euros em taxas de justiça. Quantos portugueses poderiam gastar 90.000 Euros em quase três anos?
A mensagem dos tribunais é devastadora para a credibilidade do Estado: vale a pena não declarar os rendimentos ao fisco e depositá-los na Suiça em nome de sobrinhos. “
1).- Isaltino Morais depositou na Suíça, em nome de um sobrinho, cerca de 1,3 milhões de euros não declarados ao fisco e que foram arrecadados pela utilização indevida de cargos políticos que exerceu entre 1990 e 2003
NOTA DE ALERTA:
Um Estado de Direito pode permitir estes abusos? Será que pertencemos a um país de políticos corruptos, contra quem nada é possível fazer? Afinal que Justiça é esta que temos implantada no nosso País?.
Afinal somos um País ou um canto à beira-mar plantado donde emana um cheiro nauseabundo a podridão e ainda por cima frequentado por gente corrupta, vigarista,etc…
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Santa inocência, ingenuidade ou criatividade?
São avisos fixados na porta da Igreja Paroquial de Belmonte, todos eles reais, escritos com muito boa vontade e muito má redacção…
• Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na Paróquia uma área especial para crianças;
• Quinta-feira que vem às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco;
• As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são nas sextas-feiras às oito da noite. Por favor entrem pela porta traseira;
• Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra “Hamlet” de Shakespeare no Salão da Igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia;
• Presadas senhoras não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrarem das coisas inúteis que há nas suas casas. Tragam os vossos maridos!;
• Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas…”. Assunto da catequese de amanhã: “ Em busca de Jesus”;
• O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o Verão, com o agradecimento de toda a Paróquia;
• Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa Paróquia…;
• O mês de Novembro finalizará com uma Missa cantada por todos os defuntos da Paróquia;
• O torneio de Basquet de todas as Paróquias, vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham aplaudir, vamos derrotar o Cristo-Rei!;
• O preço do Curso “Oração e Jejum” inclui as comidas;
• Por favor coloquem as vossas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados;
• Na próxima terça-feira à noite haverá uma feijoada no Salão Paroquial. A seguir, terá lugar um concerto;
• Lembrem-se que quinta-feira começará a Catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.
• Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na Paróquia uma área especial para crianças;
• Quinta-feira que vem às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco;
• As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são nas sextas-feiras às oito da noite. Por favor entrem pela porta traseira;
• Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra “Hamlet” de Shakespeare no Salão da Igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia;
• Presadas senhoras não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrarem das coisas inúteis que há nas suas casas. Tragam os vossos maridos!;
• Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas…”. Assunto da catequese de amanhã: “ Em busca de Jesus”;
• O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o Verão, com o agradecimento de toda a Paróquia;
• Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa Paróquia…;
• O mês de Novembro finalizará com uma Missa cantada por todos os defuntos da Paróquia;
• O torneio de Basquet de todas as Paróquias, vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham aplaudir, vamos derrotar o Cristo-Rei!;
• O preço do Curso “Oração e Jejum” inclui as comidas;
• Por favor coloquem as vossas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados;
• Na próxima terça-feira à noite haverá uma feijoada no Salão Paroquial. A seguir, terá lugar um concerto;
• Lembrem-se que quinta-feira começará a Catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O POÇO VASCO DA GAMA
Artigo de Paulo Morais, Professor Universitário
“ A construção da Ponte Vasco da Gama, a primeira Parceria Público-Privada foi um negócio ruinoso para o Estado Português. A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o Estado não teria dinheiro para construir a infraestrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo Estado Português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%).
O verdadeiro investidor foi o Estado Português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo dos anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo, sem lhes pagar o respectivo dízimo.
Para piorar a situação, o estado negociou, ao longo dos anos, sucessivos acordos para a reposição de reequilíbrio financeiro, através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento das taxas de juros. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o Estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.
Aquí chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativando as receitas da Ponte 25 de Abril e que sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.”
“ A construção da Ponte Vasco da Gama, a primeira Parceria Público-Privada foi um negócio ruinoso para o Estado Português. A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o Estado não teria dinheiro para construir a infraestrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo Estado Português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%).
O verdadeiro investidor foi o Estado Português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo dos anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo, sem lhes pagar o respectivo dízimo.
Para piorar a situação, o estado negociou, ao longo dos anos, sucessivos acordos para a reposição de reequilíbrio financeiro, através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento das taxas de juros. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o Estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.
Aquí chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativando as receitas da Ponte 25 de Abril e que sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.”
sábado, 5 de maio de 2012
CRISE. SERÁ POR DINHEIRO????
Cálculo preciso. Impressionante resultado
Reflexão e cálculos precisos, enviados por um telespectador à CNN:
O plano de resgate dos Bancos com dinheiros dos contribuintes, que ainda se discute no Congresso dos EUA, custará a desmedida cifra de:
• 700 biliões de dólares, mais os 500 biliões que já foram entregues aos Bancos, mais os biliões que os Governos da Europa entregarão aos Bancos em crise neste Continente.
Porém, para tratar de dimensionar, só em parte, as cifras envolvidas, o telespectador fez o seguinte cálculo:
• O Planeta tem 6,7 biliões e habitantes. Se dividissem apenas os 700 biliões de dólares entre os 6,7 biliões de habitantes, equivaleria a entregar 104 milhões de dólares a cada um.
Com isso, não só se erradica de imediato toda a pobreza do mundo, como,
automáticamente, se transformavam em MILIONÁRIOS, TODOS OS HABITANTES DA TERRA!. Ele conclui dizendo: Parece que realmente há um pequeno problema na distribuição da riqueza!
Fazendo um pequeno cálculo, vamos examinar de perto, e mais exactamente,
o caso dos espanhóis:
ISTO É: O Estado comprará 30 bilhões de euros de dívidas aos bancos para evitar o colapso financeiro. Ora neste momento a população em Espanha é de 46.063.511 de habitantes, segundo dados oficiais de 2008.
FAÇAMOS ENTÃO O CÁLCULO:
• 30 bilhões de euros divididos por 46.063.511 de habitantes daria: 652,18 milhões de euros PARA CADA ESPANHOL!
• TENDO UMA MÉDIA DE 4 PESSOAS EM CADA FAMÍLIA ESPANHOLA, CORRESPONDERIAM 2,6 MIL MILHÕES DE EUROS POR FAMÍLIA !!!
PORQUE QUE NÃO DAR, DIRECTAMENTE, O DINHEIRO ÀS FAMÍLIAS SEM PASSAR PELOS BANCOS? COM ISSO, ELES PODERÍAM PAGAR TODAS AS HIPOTECAS E AINDA SOBRAVA MUITO DINHEIRO! DA OUTRA MANEIRA, OS BANCOS FICAM O DINHEIRO, E OS ESPANHÓIS CONTINUAM COM AS DÍVIDAS
ÉSTA, É A CRISE! ASSIM VÃO-NOS ESFOLAR, DEIXAR-NOS DE CEROULAS! TANTO O GOVERNO COMO A OPOSIÇÃO ESTÃO RINDO DE NÓS !
E NÓS... NÃO FAZEMOS NADA?
PASSE ESTES CÁLCULOS A TODOS OS QUE CONHEÇA. PELO MENOS QUE NOS DEIXEM AS CEROULAS.
SERÁ POR DINHEIRO?
Reflexão e cálculos precisos, enviados por um telespectador à CNN:
O plano de resgate dos Bancos com dinheiros dos contribuintes, que ainda se discute no Congresso dos EUA, custará a desmedida cifra de:
• 700 biliões de dólares, mais os 500 biliões que já foram entregues aos Bancos, mais os biliões que os Governos da Europa entregarão aos Bancos em crise neste Continente.
Porém, para tratar de dimensionar, só em parte, as cifras envolvidas, o telespectador fez o seguinte cálculo:
• O Planeta tem 6,7 biliões e habitantes. Se dividissem apenas os 700 biliões de dólares entre os 6,7 biliões de habitantes, equivaleria a entregar 104 milhões de dólares a cada um.
Com isso, não só se erradica de imediato toda a pobreza do mundo, como,
automáticamente, se transformavam em MILIONÁRIOS, TODOS OS HABITANTES DA TERRA!. Ele conclui dizendo: Parece que realmente há um pequeno problema na distribuição da riqueza!
Fazendo um pequeno cálculo, vamos examinar de perto, e mais exactamente,
o caso dos espanhóis:
ISTO É: O Estado comprará 30 bilhões de euros de dívidas aos bancos para evitar o colapso financeiro. Ora neste momento a população em Espanha é de 46.063.511 de habitantes, segundo dados oficiais de 2008.
FAÇAMOS ENTÃO O CÁLCULO:
• 30 bilhões de euros divididos por 46.063.511 de habitantes daria: 652,18 milhões de euros PARA CADA ESPANHOL!
• TENDO UMA MÉDIA DE 4 PESSOAS EM CADA FAMÍLIA ESPANHOLA, CORRESPONDERIAM 2,6 MIL MILHÕES DE EUROS POR FAMÍLIA !!!
PORQUE QUE NÃO DAR, DIRECTAMENTE, O DINHEIRO ÀS FAMÍLIAS SEM PASSAR PELOS BANCOS? COM ISSO, ELES PODERÍAM PAGAR TODAS AS HIPOTECAS E AINDA SOBRAVA MUITO DINHEIRO! DA OUTRA MANEIRA, OS BANCOS FICAM O DINHEIRO, E OS ESPANHÓIS CONTINUAM COM AS DÍVIDAS
ÉSTA, É A CRISE! ASSIM VÃO-NOS ESFOLAR, DEIXAR-NOS DE CEROULAS! TANTO O GOVERNO COMO A OPOSIÇÃO ESTÃO RINDO DE NÓS !
E NÓS... NÃO FAZEMOS NADA?
PASSE ESTES CÁLCULOS A TODOS OS QUE CONHEÇA. PELO MENOS QUE NOS DEIXEM AS CEROULAS.
SERÁ POR DINHEIRO?
quarta-feira, 2 de maio de 2012
D. MANUEL MARTINS, O BISPO VERMELHO
D.MANUEL MARTINS, O eterno Bispo Vermelho continua sem papas na língua. No Dia do Trabalhador, em entrevista ao Jornal “I”, acusa o governo de falta de pedagogia
Chegou a Setúbal no Verão quente. Mais de 80% da população que encontrou era operária, além de comunista e avessa à Igreja. Chegaram a organizar-lhe uma manifestação à porta da catedral no momento em que era ordenado. Um bispo, ainda por cima, vindo do Norte e certamente reacionário, não era bem-vindo. Pouco tempo depois, D. Manuel Martins torna-se a voz dos operários e dava o famoso «grito» de alerta para a fome em Setúbal. Chamaram-lhe o «Bispo Vermelho». Agora, aos 85 anos, diz que não sabe como teve coragem para dizer e fazer certas coisas – por exemplo, ter defendido que polícias e juízes pudessem ter direito a ser objectores de consciência quanto a ordenar o despejo de uma família. Apesar da pobreza que encontrou em Setúbal, D. Manuel Martins, acredita que a crise de hoje é pior, porque está em todo o país.
O Bispo Emérito de Setúbal, admite que a fome está de regresso, defende que a Igreja deve ter uma palavra a dizer na política, considera que o governo não tem sido bom pedagogo e que todos os partidos se deveriam unir num «pacto de regime».
Há três décadas deu o grito de alerta para a fome que havia em Setúbal. É chegada a altura de um novo grito?
Penso que a situação que estamos a viver agora é mais grave que aquela que se viveu na década de 1980 em Setúbal. Por uma razão: agora diz respeito a todo o país. Naquela altura a fome era um fenómeno mais localizado. E Setúbal era uma cidade operária, que se via confrontada com uma enorme taxa de desemprego, com o encerramento de fábricas, empresas…
Tudo isso criou uma situação verdadeiramente irrespirável, de muita miséria e de alguns suicídios até. E eu, enquanto Bispo, não podia deixar de comungar com a situação daquela gente, convencido de que, em harmonia com a doutrina da Igreja, o meu lugar de Bispo era importante. Devia sofrer com aquela gente e chamar a atenção dos responsáveis para o drama daquelas pessoas.
A Igreja deve ter esse papel?
Claro que sim. João Paulo II disse-nos isso. E todo o Evangelho vai nessa linha. Repare que Jesus morreu por causa disso: por chamar a atenção para a dignidade do povo sofredor e oprimido pelos poderosos e políticos do seu tempo. Foi por isso que foi morto. A Igreja não pode esquecer-se disso e João Paulo II escreveu uma carta belíssima em que recorda que a Igreja tem de proclamar em toda a parte a dignidade do homem. O homem tem de ser o centro de tudo o que se faz. Especialmente ao nível do poder.
E o poder tem tido em conta a dignidade do homem?
Infelizmente, o que nós vemos – e não é só em Portugal – é que o poder exercido pelas pessoas que estão ao serviço dos partidos normalmente é exercido em função dos resultados dos partidos e não em função das pessoas. Até me arrepio às vezes quando vejo os nossos líderes partidários, dentro e fora do Parlamento, preocupados apenas com a vitória do partido. E quando têm sucesso numa posição, a primeira coisa que dizem é que foi bom para o partido. Só no fim, às vezes em rodapé, é que vem a sorte do povo. Tenho muita pena que os nossos partidos tenham como filosofia uma mística de clube, mais que uma mística de povo e de bem comum. Quando o povo deve ser a base, o critério e o centro das preocupações. Quem sobe ao poder não pode esquecer-se que subir a um cargo público é, no fundo, descer à base de tudo.
Em que medida?
Nós pensamos que as pessoas que sobem ao poder passam a ser pessoas de importância, mas elas desceram para ficar abaixo de nós e para nos ajudar a crescer. E o que João Paulo II veio recordar é que a posição da Igreja deve ser ajudar as pessoas a descobrirem a sua dignidade e a sua cidadania, para que nunca se deixem manipular e para que protestem. E sabemos muito bem que a nossa gente se deixa manipular facilmente pelas vozes mais aliciantes e habilidosas. O anterior Papa recordou-nos que à Igreja compete também denunciar as injustiças que se cometem contra a dignidade e os direitos da pessoa humana, que estão consagrados na nossa Constituição. O trabalho, a saúde, a igualdade. A Igreja tem de estar muito atenta a estas situações e tem de chamar a atenção de quem manda, recordando-lhes que mandar é servir.
A hierarquia da Igreja tem estado demasiado silenciosa face à situação social que o país atravessa?
Sim. Temos chamado mais a atenção para a solidariedade e para a caridade dos cristãos que propriamente para a explicação dos modos e das causas daquilo que está a acontecer: um empobrecimento cada vez maior e desgraçado da nossa gente. É muito bonito e importante que existam instituições da Igreja que alimentam esta e aquela família. Isso está dentro da missão da Igreja, claro. Mas os princípios anunciados por João Paulo II vão mais longe: à Igreja também compete descer ao terreno, denunciar e chamar a atenção para aquilo que julga não estar bem. E se calhar muitas coisas não estão bem, por exemplo na maneira como se tem exercido o poder. É verdade que estamos numa situação desgraçada, toda a gente sabe, e se calhar ainda vamos estar pior. Puseram-nos numa situação desgraçada. E é verdade que qualquer governo teria de recorrer a meios muito dolorosos para resolver estes problemas. Mas também é verdade que o modo como isso se tem feito não é o mais correcto.
A Igreja tem receio de ser confundida com a política?
Não sei. Às vezes temos essa sensação… Acusam-nos, quando chamamos a atenção, de estarmos a fazer política. Mas repare que nós temos de fazer política! Quando defendemos a dignidade e os direitos do homem e os direitos e os conteúdos da democracia estamos a fazer política. Não há nada que não seja política. Não há nada que não seja político quando o homem está em causa.
Dizia há pouco que a maneira como o governo está a resolver os problemas do país não é a mais correcta. Porquê?
Porque nunca nos dizem quando é que isto acaba! Pelo contrário: dizem-nos sempre que já acabou e todos os dias há uma nova notícia gravosa. Nunca sabemos como vamos acordar. Todos os dias há coisas novas. Não quero negar ou discutir a boa vontade das pessoas que ocupam o poder, mas uma coisa é certa: faltam-lhes os princípios mais elementares da pedagogia. Podiam explicar-nos «nós estamos assim, precisamos de fazer isto, precisamos de fazer aquilo». Não é só anunciar mais medidas de austeridade, é preciso explica-las e tratam-nos como meninos de escola. Aliás, nem com meninos de escola se faz isto. A pedagogia é um recurso que não tem sido usado, não sei se por inexperiência. Imagino que o governo tenha boa vontade, mas não tem sido pedagogo e o poder tem de ter pedagogia, senão provoca reacção e resistência. Sabemos que metade dos portugueses anda descontente com os modos, já nem digo com os assuntos ou com as medidas. Mas com o modo como isso tem sido feito. E mesmo aqueles que concordam com as medidas, muitos deles, estão descontentes com os modos.
Há falta de pedagogia nas diferenças, nas contradições, nas promessas que amanhã podem ser contrariadas. E isto não só não nos ajuda nada a nós, portugueses, como não ajuda o próprio governo. E também me parece que, numa situação como esta, o parlamento e os partidos deveriam viver numa filosofia de pacto de regime. Na solução dos grandes problemas deveriam estar de acordo, porque o que interessa é o bem do povo, é servir o povo, é acudir ao povo. Não é defender o seu clube, não é ganhar o campeonato. Aquilo a que nós assistimos é a um jogo de clubes e deveria existir um pacto naquilo que é sério, naquilo que é importante, no que é necessário. É preciso que todos os partidos concordem nessas matérias, nem que lhes custe, nem que percam votos. Aceito e entendo que qualquer governo tem de recorrer a medidas muito duras, mas que as faça com equidade e com pedagogia.
Em Outubro do ano passado, numa entrevista, disse que as medidas de austeridade ainda haveriam de fazer correr muito sangue e que isto acabaria por rebentar. Continua a pensar assim?
São os meus entusiasmos. E obviamente que disse isso em sentido figurado. O sangue de que falava é de dor e sofrimento.
Mas teme que se possa gerar um descontentamento grande na sociedade?
Descontentamento já há, manifestações já há e sensibiliza-me ver determinadas situações. A nossa pobre gente… sem trabalho. Arrepio-me, dói-me imenso quando penso na hipótese de um casal em que os dois perdem o trabalho. É que é preciso metermo-nos na pele dessa gente, sabe? E vemos os homens do poder a falar disto como uma coisa normal, como uma mera questão de números e não como uma questão de fundo. Há dramas enormes a acontecer por todo o país. Gente que não têm o que comer, que não pode pagar uma casa. Isto está a acontecer com as casas é verdadeiramente dramático. E porque é que isto acontece? Por causa da falta de trabalho. Há políticas que possam resolver, embora no mínimo, estas situações de desemprego? É uma obrigação de todos pensar nisto. Mas claro que depois há sempre discordâncias. Porque, se calhar e infelizmente, o poder político nunca foi livre.
Quem é que o condiciona?
O poder político está sempre dependente do poder económico. Nós sabemos que os grandes é que dominam a Terra e é mais que certo que esta crise é fruto desse capitalismo selvagem. Está a organizar-se a sociedade como uma pirâmide em que a base é povo e no vértice estão meia dúzia de magnatas.
Há fome outra vez em Portugal?
Então não há? Todos os dias temos essa percepção: fábricas e empresas que fecham, o número de desempregados a aumentar. As contas são de arrepiar. Estamos numa situação muito má.
Tendo-se batido tantos anos no sector social… A realidade de hoje fá-lo sentir-se derrotado?
Derrotado não. Mas olho para tudo isto com pena. Mesmo assim, temos de cantar a esperança. Porque isto há-de melhorar. Estou convencido que os políticos e o governo hão-de acabar por descobrir que é ao povo que devem servir e que é por ele que se devem sacrificar. E que percebam que devem deixar a política clubista que têm seguido em detrimento do bem comum.
Hoje é 1 de Maio. Entende que os trabalhadores devem ir para a rua?
Que se manifestem, é um direito. E há situações em que devem mesmo manifestar-se, de acordo com a sua consciência de cidadania e até mesmo de acordo com a sua consciência cristã – porque a consciência cristã pode ser uma mais-valia para levar as pessoas a manifestarem-se e exigir. Mas gostaria que as manifestações de hoje fossem como o 1º. De Maio logo a seguir à Revolução de Abril: uma manifestação em que os partidos, sobretudo os da esquerda, não aproveitassem para indispor as pessoas. Que seja uma manifestação de dentro, igual, sem bandeiras partidárias. Uma manifestação de cidadania e não uma demonstração de força deste ou daquele sindicato, deste ou daquele partido.”
Chegou a Setúbal no Verão quente. Mais de 80% da população que encontrou era operária, além de comunista e avessa à Igreja. Chegaram a organizar-lhe uma manifestação à porta da catedral no momento em que era ordenado. Um bispo, ainda por cima, vindo do Norte e certamente reacionário, não era bem-vindo. Pouco tempo depois, D. Manuel Martins torna-se a voz dos operários e dava o famoso «grito» de alerta para a fome em Setúbal. Chamaram-lhe o «Bispo Vermelho». Agora, aos 85 anos, diz que não sabe como teve coragem para dizer e fazer certas coisas – por exemplo, ter defendido que polícias e juízes pudessem ter direito a ser objectores de consciência quanto a ordenar o despejo de uma família. Apesar da pobreza que encontrou em Setúbal, D. Manuel Martins, acredita que a crise de hoje é pior, porque está em todo o país.
O Bispo Emérito de Setúbal, admite que a fome está de regresso, defende que a Igreja deve ter uma palavra a dizer na política, considera que o governo não tem sido bom pedagogo e que todos os partidos se deveriam unir num «pacto de regime».
Há três décadas deu o grito de alerta para a fome que havia em Setúbal. É chegada a altura de um novo grito?
Penso que a situação que estamos a viver agora é mais grave que aquela que se viveu na década de 1980 em Setúbal. Por uma razão: agora diz respeito a todo o país. Naquela altura a fome era um fenómeno mais localizado. E Setúbal era uma cidade operária, que se via confrontada com uma enorme taxa de desemprego, com o encerramento de fábricas, empresas…
Tudo isso criou uma situação verdadeiramente irrespirável, de muita miséria e de alguns suicídios até. E eu, enquanto Bispo, não podia deixar de comungar com a situação daquela gente, convencido de que, em harmonia com a doutrina da Igreja, o meu lugar de Bispo era importante. Devia sofrer com aquela gente e chamar a atenção dos responsáveis para o drama daquelas pessoas.
A Igreja deve ter esse papel?
Claro que sim. João Paulo II disse-nos isso. E todo o Evangelho vai nessa linha. Repare que Jesus morreu por causa disso: por chamar a atenção para a dignidade do povo sofredor e oprimido pelos poderosos e políticos do seu tempo. Foi por isso que foi morto. A Igreja não pode esquecer-se disso e João Paulo II escreveu uma carta belíssima em que recorda que a Igreja tem de proclamar em toda a parte a dignidade do homem. O homem tem de ser o centro de tudo o que se faz. Especialmente ao nível do poder.
E o poder tem tido em conta a dignidade do homem?
Infelizmente, o que nós vemos – e não é só em Portugal – é que o poder exercido pelas pessoas que estão ao serviço dos partidos normalmente é exercido em função dos resultados dos partidos e não em função das pessoas. Até me arrepio às vezes quando vejo os nossos líderes partidários, dentro e fora do Parlamento, preocupados apenas com a vitória do partido. E quando têm sucesso numa posição, a primeira coisa que dizem é que foi bom para o partido. Só no fim, às vezes em rodapé, é que vem a sorte do povo. Tenho muita pena que os nossos partidos tenham como filosofia uma mística de clube, mais que uma mística de povo e de bem comum. Quando o povo deve ser a base, o critério e o centro das preocupações. Quem sobe ao poder não pode esquecer-se que subir a um cargo público é, no fundo, descer à base de tudo.
Em que medida?
Nós pensamos que as pessoas que sobem ao poder passam a ser pessoas de importância, mas elas desceram para ficar abaixo de nós e para nos ajudar a crescer. E o que João Paulo II veio recordar é que a posição da Igreja deve ser ajudar as pessoas a descobrirem a sua dignidade e a sua cidadania, para que nunca se deixem manipular e para que protestem. E sabemos muito bem que a nossa gente se deixa manipular facilmente pelas vozes mais aliciantes e habilidosas. O anterior Papa recordou-nos que à Igreja compete também denunciar as injustiças que se cometem contra a dignidade e os direitos da pessoa humana, que estão consagrados na nossa Constituição. O trabalho, a saúde, a igualdade. A Igreja tem de estar muito atenta a estas situações e tem de chamar a atenção de quem manda, recordando-lhes que mandar é servir.
A hierarquia da Igreja tem estado demasiado silenciosa face à situação social que o país atravessa?
Sim. Temos chamado mais a atenção para a solidariedade e para a caridade dos cristãos que propriamente para a explicação dos modos e das causas daquilo que está a acontecer: um empobrecimento cada vez maior e desgraçado da nossa gente. É muito bonito e importante que existam instituições da Igreja que alimentam esta e aquela família. Isso está dentro da missão da Igreja, claro. Mas os princípios anunciados por João Paulo II vão mais longe: à Igreja também compete descer ao terreno, denunciar e chamar a atenção para aquilo que julga não estar bem. E se calhar muitas coisas não estão bem, por exemplo na maneira como se tem exercido o poder. É verdade que estamos numa situação desgraçada, toda a gente sabe, e se calhar ainda vamos estar pior. Puseram-nos numa situação desgraçada. E é verdade que qualquer governo teria de recorrer a meios muito dolorosos para resolver estes problemas. Mas também é verdade que o modo como isso se tem feito não é o mais correcto.
A Igreja tem receio de ser confundida com a política?
Não sei. Às vezes temos essa sensação… Acusam-nos, quando chamamos a atenção, de estarmos a fazer política. Mas repare que nós temos de fazer política! Quando defendemos a dignidade e os direitos do homem e os direitos e os conteúdos da democracia estamos a fazer política. Não há nada que não seja política. Não há nada que não seja político quando o homem está em causa.
Dizia há pouco que a maneira como o governo está a resolver os problemas do país não é a mais correcta. Porquê?
Porque nunca nos dizem quando é que isto acaba! Pelo contrário: dizem-nos sempre que já acabou e todos os dias há uma nova notícia gravosa. Nunca sabemos como vamos acordar. Todos os dias há coisas novas. Não quero negar ou discutir a boa vontade das pessoas que ocupam o poder, mas uma coisa é certa: faltam-lhes os princípios mais elementares da pedagogia. Podiam explicar-nos «nós estamos assim, precisamos de fazer isto, precisamos de fazer aquilo». Não é só anunciar mais medidas de austeridade, é preciso explica-las e tratam-nos como meninos de escola. Aliás, nem com meninos de escola se faz isto. A pedagogia é um recurso que não tem sido usado, não sei se por inexperiência. Imagino que o governo tenha boa vontade, mas não tem sido pedagogo e o poder tem de ter pedagogia, senão provoca reacção e resistência. Sabemos que metade dos portugueses anda descontente com os modos, já nem digo com os assuntos ou com as medidas. Mas com o modo como isso tem sido feito. E mesmo aqueles que concordam com as medidas, muitos deles, estão descontentes com os modos.
Há falta de pedagogia nas diferenças, nas contradições, nas promessas que amanhã podem ser contrariadas. E isto não só não nos ajuda nada a nós, portugueses, como não ajuda o próprio governo. E também me parece que, numa situação como esta, o parlamento e os partidos deveriam viver numa filosofia de pacto de regime. Na solução dos grandes problemas deveriam estar de acordo, porque o que interessa é o bem do povo, é servir o povo, é acudir ao povo. Não é defender o seu clube, não é ganhar o campeonato. Aquilo a que nós assistimos é a um jogo de clubes e deveria existir um pacto naquilo que é sério, naquilo que é importante, no que é necessário. É preciso que todos os partidos concordem nessas matérias, nem que lhes custe, nem que percam votos. Aceito e entendo que qualquer governo tem de recorrer a medidas muito duras, mas que as faça com equidade e com pedagogia.
Em Outubro do ano passado, numa entrevista, disse que as medidas de austeridade ainda haveriam de fazer correr muito sangue e que isto acabaria por rebentar. Continua a pensar assim?
São os meus entusiasmos. E obviamente que disse isso em sentido figurado. O sangue de que falava é de dor e sofrimento.
Mas teme que se possa gerar um descontentamento grande na sociedade?
Descontentamento já há, manifestações já há e sensibiliza-me ver determinadas situações. A nossa pobre gente… sem trabalho. Arrepio-me, dói-me imenso quando penso na hipótese de um casal em que os dois perdem o trabalho. É que é preciso metermo-nos na pele dessa gente, sabe? E vemos os homens do poder a falar disto como uma coisa normal, como uma mera questão de números e não como uma questão de fundo. Há dramas enormes a acontecer por todo o país. Gente que não têm o que comer, que não pode pagar uma casa. Isto está a acontecer com as casas é verdadeiramente dramático. E porque é que isto acontece? Por causa da falta de trabalho. Há políticas que possam resolver, embora no mínimo, estas situações de desemprego? É uma obrigação de todos pensar nisto. Mas claro que depois há sempre discordâncias. Porque, se calhar e infelizmente, o poder político nunca foi livre.
Quem é que o condiciona?
O poder político está sempre dependente do poder económico. Nós sabemos que os grandes é que dominam a Terra e é mais que certo que esta crise é fruto desse capitalismo selvagem. Está a organizar-se a sociedade como uma pirâmide em que a base é povo e no vértice estão meia dúzia de magnatas.
Há fome outra vez em Portugal?
Então não há? Todos os dias temos essa percepção: fábricas e empresas que fecham, o número de desempregados a aumentar. As contas são de arrepiar. Estamos numa situação muito má.
Tendo-se batido tantos anos no sector social… A realidade de hoje fá-lo sentir-se derrotado?
Derrotado não. Mas olho para tudo isto com pena. Mesmo assim, temos de cantar a esperança. Porque isto há-de melhorar. Estou convencido que os políticos e o governo hão-de acabar por descobrir que é ao povo que devem servir e que é por ele que se devem sacrificar. E que percebam que devem deixar a política clubista que têm seguido em detrimento do bem comum.
Hoje é 1 de Maio. Entende que os trabalhadores devem ir para a rua?
Que se manifestem, é um direito. E há situações em que devem mesmo manifestar-se, de acordo com a sua consciência de cidadania e até mesmo de acordo com a sua consciência cristã – porque a consciência cristã pode ser uma mais-valia para levar as pessoas a manifestarem-se e exigir. Mas gostaria que as manifestações de hoje fossem como o 1º. De Maio logo a seguir à Revolução de Abril: uma manifestação em que os partidos, sobretudo os da esquerda, não aproveitassem para indispor as pessoas. Que seja uma manifestação de dentro, igual, sem bandeiras partidárias. Uma manifestação de cidadania e não uma demonstração de força deste ou daquele sindicato, deste ou daquele partido.”
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