quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

COM PAPAS E BOLOS SE ENGANAM OS TOLOS

Artigo de ANA PORFÍRIO, inserto no Jornal do Barreiro, de 27.01.2012

“Esta crónica custou-me um bocadinho a sair, não por falta de assunto mas por excesso. De facto, nos últimos dias os combustíveis aumentaram várias vezes, rebocando meia dúzia de aumentos consigo, tornando ainda mais difícil o dia a dia. Foram ainda empossados em cargos de Administração com salários milionários uma mão cheia de pessoas que passaram já por outros empregos assim, por cargos governamentais que nos trouxeram a este estado, numa triste paródia aos portugueses que não recebem salário ou a quem o salário não chega e que ouve, repetidamente, que tem de ser assim.
Foi por estes dias assinado um acordo por uma Central Sindical que tem por fim a defesa dos direitos dos trabalhadores, acordo esse, onde, na realidade, se retiram muitos direitos em nome de uma produtividade e competitividade, que eu sinceramente acho que não vai melhorar muito o estado das coisas, por isso nem a Central defendeu os direitos de quem representa, antes pelo contrário, nem me parece que isto vá beneficiar a economia nacional, excepto na hipótese da exploração que é feita em grandes grupos económicos.
Trabalhar mais horas na Pastelaria perto da minha casa não vai garantir que se vendam mais bolos, até porque daqui a pouco ninguém tem emprego, nem salário e, como tal, não os compram.
Falando em bolos, um ministro apontou como hipótese de salvação económica a exportação de Pastéis de Nata, é claro que aqui no Barreiro temos as bolas cde manteiga e, visto por esse prisma, podemos intoxicar o resto do mundo com pastelaria diversa, pastéis de nata feitos com leite holandês e manteiga francesa, claro está, ingredientes provavelmente vendidos numa cadeia de supermercados, dirigida por patriotas, que com este acordo podem despedir uns quantos trabalhadores, obrigando os que lá estão a trabalhar mais horas pelo mesmo dinheiro.
Os ingredientes vão ter mesmo de vir de fora, porque com estas medidas todas fabulosas, cada vez se produzem menos por cá.
Com um bocadinho de sorte, o dono patriótico dessa cadeia de supermercados é membro de uma organização mais ou menos secreta, dada a partilhar segredos e influências entre os membros, onde, de avental vestido e cumprimento secreto, cozinham meia dúzia de medidas sem a doçura dos pastéis de nata, mas sim com um amargo de boca para a maioria dos portugueses.
Já diz o ditado popular que “com papas e bolos se enganam os tolos”, mas eu não estou muito disposta a engolir histórias da carochinha.”

Sem comentários:

Enviar um comentário