quarta-feira, 29 de agosto de 2012
A troika, o PS e a RTP
MEDIDAS ADICIONAIS
domingo, 17 de junho de 2012
DISCURSO NO DIA 10.06.2012
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PROMETO QUE NÃO SE VÃO FARTAR!
PORTUGAL, SEMPRE NA MESMA
MAIS UMA VERGONHA NACIONAL
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sábado, 16 de junho de 2012
QUE DEUS NOS ACUDA, SE PUDER!
terça-feira, 12 de junho de 2012
PACIÊNCIA DE ..... DOS PORTUGUESES!
sábado, 2 de junho de 2012
VINGANÇA versus justiça
NÃO QUERO VINGANÇA, QUE JUSTIÇA!
Artigo de Tiago Mota Saraiva, no Jornal “I”, de 02.06.2012
“ 28.Maio.2012 – Era 01,00 h da manhã. Tony esperava que a sua companheira terminasse a limpeza do café onde trabalha. A polícia chegou. Passados poucos minutos iniciaram-se as agressões. Foi para a esquadra. Às 05,30 h foi transportado para o Hospital Garcia de Orta.
Tinha líquido nos pulmões, hematomas por todo o corpo e as costelas partidas. À saída do hospital terá dito: “ Não quero vingança, quero justiça!”
28.Maio.2012 – às 07,00 h, Benedita Machado regressava a casa com alguns amigos. No comboio terá sido interpelada para retirar os pés do assento, ordem que cumpriu. Ao sair do comboio, na gare de Oeiras, um dos seus amigos terá começado a ser agredido por agentes. Saiu em sua defesa. De acordo com o seu relato foi arrastada pela gare e espancada na esquadra.
28.Maio.2012 – Passa-se em plena luz do dia na Rua Morais Soares. Na versão da PSP o cidadão estaria a falar ao telemóvel enquanto conduzia, na versão de testemunhas presenciais, o cidadão estaria a falar ao telemóvel dentro de um carro estacionado. Os primeiros afirmam que o cidadão injuriou o agente, os segundos terão visto o cidadão dirigir-se a um multibanco para pagar a multa, afirmando que o ambiente só aqueceu quando o agente se recusou a devolver-lhe os documentos. O que aconteceu de seguida pode ser visto num vídeo que circula pela internet. Um desproporcionado número de agentes chega ao local, retira violentamente uma criança dos braços do pai e detém-no.
Tudo isto se passou num período de 72 horas, na área da Grande Lisboa, o que torna difícil de sustentar a tese da excepcionalidade.
Das duas uma; ou há uma ordem política para que os agentes carreguem na população, ao mínimo sinal de protesto ou as esquadras foram tomadas por milícias de extrema-direita.
Só o ministro Miguel Macedo pode esclarecer esta dúvida. “
O EMBUSTE DAS PPP
ESCÂNDALO DAS PPP
terça-feira, 29 de maio de 2012
HÁBITOS DE POUPANÇA NA HOLANDA
sexta-feira, 18 de maio de 2012
O CASO ISALTINO E A JUSTIÇA QUE TEMOS
“ É só mais um exemplo de como basta ter poder financeiro para escapar à prisão. Mas o processo que envolve Isaltino fez mais pela descrebilização dos tribunais que os casos “Felgueiras”, “Valentim” ou até mesmo o “Processo Face Oculta”.
O caso Isaltino não tem nada a ver com fugas à justiça, provas materiais anuladas por questões processuais ou com interpretações dúbias do sentido da lei. Tem só a ver com uma questão simples: A justiça não consegue executar uma sentença condenatória de dois anos de prisão ditada pela Relação de Lisboa em Julho de 2010, por pura incompetência e por tudo permitir a um réu com uma equipa de advogados de excelência.
Num tempo de austeridade em que o Estado asfixia as empresas e as pessoas com uma carga fiscal nunca vista, a Justiça não devia permitir que um réu condenado por fraude fiscal qualificada e por branqueamento de capitais conseguisse impedir a acção do sistema.
Os tribunais são um elo muito importante de uma comunidade justa e honesta, pois ajudam a fortalecer a moral pública em que está claro que quem prevarica é castigado. Se alguém prevarica e não é castigado, não há comunidade que resista.
Isaltino Morais faz o que o deixam fazer – está no seu direito. A nossa lei permite quase tudo: de simples recursos a nulidades de decisões judiciais, passando por aclarações de despachos (por alegadamente não se perceber o que o juiz escreveu), pedidos de correcção de acórdãos, simples requerimentos com dezenas ou centenas de páginas e acabando em incidentes de recusa de Juiz (Isaltino já vai em dois).
Desde que foi condenado em Agosto de 2009 pelo Tribunal de Sintra (1) a sete anos de cadeia (sentença rectificada pela Relação) Isaltino já apresentou mais de 30 recursos e incidentes processuais dessa natureza que têm protelado a execução da sentença. Se é verdade que as diversas instâncias judiciais têm sido lentas (a acusação data de Janeiro de 2006…), não é menos verdade que o Estado de direito também passa por impedir abusos na utilização de expedientes processuais – objectivo que a reforma penal da Ministra Paula Teixeira Cruz visa impedir.
Outra questão é a financeira. Para apresentar tais incidentes processuais, Isaltino Morais teve de pagar 62.781,00 Euros em impostos, um mínimo de 20.000 Euros em pareceres e mais de 8.000 Euros em taxas de justiça. Quantos portugueses poderiam gastar 90.000 Euros em quase três anos?
A mensagem dos tribunais é devastadora para a credibilidade do Estado: vale a pena não declarar os rendimentos ao fisco e depositá-los na Suiça em nome de sobrinhos. “
1).- Isaltino Morais depositou na Suíça, em nome de um sobrinho, cerca de 1,3 milhões de euros não declarados ao fisco e que foram arrecadados pela utilização indevida de cargos políticos que exerceu entre 1990 e 2003
NOTA DE ALERTA:
Um Estado de Direito pode permitir estes abusos? Será que pertencemos a um país de políticos corruptos, contra quem nada é possível fazer? Afinal que Justiça é esta que temos implantada no nosso País?.
Afinal somos um País ou um canto à beira-mar plantado donde emana um cheiro nauseabundo a podridão e ainda por cima frequentado por gente corrupta, vigarista,etc…
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Santa inocência, ingenuidade ou criatividade?
• Para todos os que tenham filhos e não o saibam, temos na Paróquia uma área especial para crianças;
• Quinta-feira que vem às cinco da tarde, haverá uma reunião do grupo de mães. Todas as senhoras que desejem formar parte das mães, devem dirigir-se ao escritório do pároco;
• As reuniões do grupo de recuperação da autoconfiança são nas sextas-feiras às oito da noite. Por favor entrem pela porta traseira;
• Na sexta-feira às sete, os meninos do Oratório farão uma representação da obra “Hamlet” de Shakespeare no Salão da Igreja. Toda a comunidade está convidada para tomar parte nesta tragédia;
• Presadas senhoras não esqueçam a próxima venda para beneficência. É uma boa ocasião para se livrarem das coisas inúteis que há nas suas casas. Tragam os vossos maridos!;
• Assunto da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas…”. Assunto da catequese de amanhã: “ Em busca de Jesus”;
• O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o Verão, com o agradecimento de toda a Paróquia;
• Lembrem nas suas orações todos os desesperados e cansados da nossa Paróquia…;
• O mês de Novembro finalizará com uma Missa cantada por todos os defuntos da Paróquia;
• O torneio de Basquet de todas as Paróquias, vai continuar com o jogo da próxima quarta-feira. Venham aplaudir, vamos derrotar o Cristo-Rei!;
• O preço do Curso “Oração e Jejum” inclui as comidas;
• Por favor coloquem as vossas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem que sejam lembrados;
• Na próxima terça-feira à noite haverá uma feijoada no Salão Paroquial. A seguir, terá lugar um concerto;
• Lembrem-se que quinta-feira começará a Catequese para meninos e meninas de ambos os sexos.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
O POÇO VASCO DA GAMA
“ A construção da Ponte Vasco da Gama, a primeira Parceria Público-Privada foi um negócio ruinoso para o Estado Português. A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o Estado não teria dinheiro para construir a infraestrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo Estado Português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%).
O verdadeiro investidor foi o Estado Português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo dos anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros. Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo, sem lhes pagar o respectivo dízimo.
Para piorar a situação, o estado negociou, ao longo dos anos, sucessivos acordos para a reposição de reequilíbrio financeiro, através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o Estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento das taxas de juros. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o Estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.
Aquí chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativando as receitas da Ponte 25 de Abril e que sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.”
sábado, 5 de maio de 2012
CRISE. SERÁ POR DINHEIRO????
Reflexão e cálculos precisos, enviados por um telespectador à CNN:
O plano de resgate dos Bancos com dinheiros dos contribuintes, que ainda se discute no Congresso dos EUA, custará a desmedida cifra de:
• 700 biliões de dólares, mais os 500 biliões que já foram entregues aos Bancos, mais os biliões que os Governos da Europa entregarão aos Bancos em crise neste Continente.
Porém, para tratar de dimensionar, só em parte, as cifras envolvidas, o telespectador fez o seguinte cálculo:
• O Planeta tem 6,7 biliões e habitantes. Se dividissem apenas os 700 biliões de dólares entre os 6,7 biliões de habitantes, equivaleria a entregar 104 milhões de dólares a cada um.
Com isso, não só se erradica de imediato toda a pobreza do mundo, como,
automáticamente, se transformavam em MILIONÁRIOS, TODOS OS HABITANTES DA TERRA!. Ele conclui dizendo: Parece que realmente há um pequeno problema na distribuição da riqueza!
Fazendo um pequeno cálculo, vamos examinar de perto, e mais exactamente,
o caso dos espanhóis:
ISTO É: O Estado comprará 30 bilhões de euros de dívidas aos bancos para evitar o colapso financeiro. Ora neste momento a população em Espanha é de 46.063.511 de habitantes, segundo dados oficiais de 2008.
FAÇAMOS ENTÃO O CÁLCULO:
• 30 bilhões de euros divididos por 46.063.511 de habitantes daria: 652,18 milhões de euros PARA CADA ESPANHOL!
• TENDO UMA MÉDIA DE 4 PESSOAS EM CADA FAMÍLIA ESPANHOLA, CORRESPONDERIAM 2,6 MIL MILHÕES DE EUROS POR FAMÍLIA !!!
PORQUE QUE NÃO DAR, DIRECTAMENTE, O DINHEIRO ÀS FAMÍLIAS SEM PASSAR PELOS BANCOS? COM ISSO, ELES PODERÍAM PAGAR TODAS AS HIPOTECAS E AINDA SOBRAVA MUITO DINHEIRO! DA OUTRA MANEIRA, OS BANCOS FICAM O DINHEIRO, E OS ESPANHÓIS CONTINUAM COM AS DÍVIDAS
ÉSTA, É A CRISE! ASSIM VÃO-NOS ESFOLAR, DEIXAR-NOS DE CEROULAS! TANTO O GOVERNO COMO A OPOSIÇÃO ESTÃO RINDO DE NÓS !
E NÓS... NÃO FAZEMOS NADA?
PASSE ESTES CÁLCULOS A TODOS OS QUE CONHEÇA. PELO MENOS QUE NOS DEIXEM AS CEROULAS.
SERÁ POR DINHEIRO?
quarta-feira, 2 de maio de 2012
D. MANUEL MARTINS, O BISPO VERMELHO
Chegou a Setúbal no Verão quente. Mais de 80% da população que encontrou era operária, além de comunista e avessa à Igreja. Chegaram a organizar-lhe uma manifestação à porta da catedral no momento em que era ordenado. Um bispo, ainda por cima, vindo do Norte e certamente reacionário, não era bem-vindo. Pouco tempo depois, D. Manuel Martins torna-se a voz dos operários e dava o famoso «grito» de alerta para a fome em Setúbal. Chamaram-lhe o «Bispo Vermelho». Agora, aos 85 anos, diz que não sabe como teve coragem para dizer e fazer certas coisas – por exemplo, ter defendido que polícias e juízes pudessem ter direito a ser objectores de consciência quanto a ordenar o despejo de uma família. Apesar da pobreza que encontrou em Setúbal, D. Manuel Martins, acredita que a crise de hoje é pior, porque está em todo o país.
O Bispo Emérito de Setúbal, admite que a fome está de regresso, defende que a Igreja deve ter uma palavra a dizer na política, considera que o governo não tem sido bom pedagogo e que todos os partidos se deveriam unir num «pacto de regime».
Há três décadas deu o grito de alerta para a fome que havia em Setúbal. É chegada a altura de um novo grito?
Penso que a situação que estamos a viver agora é mais grave que aquela que se viveu na década de 1980 em Setúbal. Por uma razão: agora diz respeito a todo o país. Naquela altura a fome era um fenómeno mais localizado. E Setúbal era uma cidade operária, que se via confrontada com uma enorme taxa de desemprego, com o encerramento de fábricas, empresas…
Tudo isso criou uma situação verdadeiramente irrespirável, de muita miséria e de alguns suicídios até. E eu, enquanto Bispo, não podia deixar de comungar com a situação daquela gente, convencido de que, em harmonia com a doutrina da Igreja, o meu lugar de Bispo era importante. Devia sofrer com aquela gente e chamar a atenção dos responsáveis para o drama daquelas pessoas.
A Igreja deve ter esse papel?
Claro que sim. João Paulo II disse-nos isso. E todo o Evangelho vai nessa linha. Repare que Jesus morreu por causa disso: por chamar a atenção para a dignidade do povo sofredor e oprimido pelos poderosos e políticos do seu tempo. Foi por isso que foi morto. A Igreja não pode esquecer-se disso e João Paulo II escreveu uma carta belíssima em que recorda que a Igreja tem de proclamar em toda a parte a dignidade do homem. O homem tem de ser o centro de tudo o que se faz. Especialmente ao nível do poder.
E o poder tem tido em conta a dignidade do homem?
Infelizmente, o que nós vemos – e não é só em Portugal – é que o poder exercido pelas pessoas que estão ao serviço dos partidos normalmente é exercido em função dos resultados dos partidos e não em função das pessoas. Até me arrepio às vezes quando vejo os nossos líderes partidários, dentro e fora do Parlamento, preocupados apenas com a vitória do partido. E quando têm sucesso numa posição, a primeira coisa que dizem é que foi bom para o partido. Só no fim, às vezes em rodapé, é que vem a sorte do povo. Tenho muita pena que os nossos partidos tenham como filosofia uma mística de clube, mais que uma mística de povo e de bem comum. Quando o povo deve ser a base, o critério e o centro das preocupações. Quem sobe ao poder não pode esquecer-se que subir a um cargo público é, no fundo, descer à base de tudo.
Em que medida?
Nós pensamos que as pessoas que sobem ao poder passam a ser pessoas de importância, mas elas desceram para ficar abaixo de nós e para nos ajudar a crescer. E o que João Paulo II veio recordar é que a posição da Igreja deve ser ajudar as pessoas a descobrirem a sua dignidade e a sua cidadania, para que nunca se deixem manipular e para que protestem. E sabemos muito bem que a nossa gente se deixa manipular facilmente pelas vozes mais aliciantes e habilidosas. O anterior Papa recordou-nos que à Igreja compete também denunciar as injustiças que se cometem contra a dignidade e os direitos da pessoa humana, que estão consagrados na nossa Constituição. O trabalho, a saúde, a igualdade. A Igreja tem de estar muito atenta a estas situações e tem de chamar a atenção de quem manda, recordando-lhes que mandar é servir.
A hierarquia da Igreja tem estado demasiado silenciosa face à situação social que o país atravessa?
Sim. Temos chamado mais a atenção para a solidariedade e para a caridade dos cristãos que propriamente para a explicação dos modos e das causas daquilo que está a acontecer: um empobrecimento cada vez maior e desgraçado da nossa gente. É muito bonito e importante que existam instituições da Igreja que alimentam esta e aquela família. Isso está dentro da missão da Igreja, claro. Mas os princípios anunciados por João Paulo II vão mais longe: à Igreja também compete descer ao terreno, denunciar e chamar a atenção para aquilo que julga não estar bem. E se calhar muitas coisas não estão bem, por exemplo na maneira como se tem exercido o poder. É verdade que estamos numa situação desgraçada, toda a gente sabe, e se calhar ainda vamos estar pior. Puseram-nos numa situação desgraçada. E é verdade que qualquer governo teria de recorrer a meios muito dolorosos para resolver estes problemas. Mas também é verdade que o modo como isso se tem feito não é o mais correcto.
A Igreja tem receio de ser confundida com a política?
Não sei. Às vezes temos essa sensação… Acusam-nos, quando chamamos a atenção, de estarmos a fazer política. Mas repare que nós temos de fazer política! Quando defendemos a dignidade e os direitos do homem e os direitos e os conteúdos da democracia estamos a fazer política. Não há nada que não seja política. Não há nada que não seja político quando o homem está em causa.
Dizia há pouco que a maneira como o governo está a resolver os problemas do país não é a mais correcta. Porquê?
Porque nunca nos dizem quando é que isto acaba! Pelo contrário: dizem-nos sempre que já acabou e todos os dias há uma nova notícia gravosa. Nunca sabemos como vamos acordar. Todos os dias há coisas novas. Não quero negar ou discutir a boa vontade das pessoas que ocupam o poder, mas uma coisa é certa: faltam-lhes os princípios mais elementares da pedagogia. Podiam explicar-nos «nós estamos assim, precisamos de fazer isto, precisamos de fazer aquilo». Não é só anunciar mais medidas de austeridade, é preciso explica-las e tratam-nos como meninos de escola. Aliás, nem com meninos de escola se faz isto. A pedagogia é um recurso que não tem sido usado, não sei se por inexperiência. Imagino que o governo tenha boa vontade, mas não tem sido pedagogo e o poder tem de ter pedagogia, senão provoca reacção e resistência. Sabemos que metade dos portugueses anda descontente com os modos, já nem digo com os assuntos ou com as medidas. Mas com o modo como isso tem sido feito. E mesmo aqueles que concordam com as medidas, muitos deles, estão descontentes com os modos.
Há falta de pedagogia nas diferenças, nas contradições, nas promessas que amanhã podem ser contrariadas. E isto não só não nos ajuda nada a nós, portugueses, como não ajuda o próprio governo. E também me parece que, numa situação como esta, o parlamento e os partidos deveriam viver numa filosofia de pacto de regime. Na solução dos grandes problemas deveriam estar de acordo, porque o que interessa é o bem do povo, é servir o povo, é acudir ao povo. Não é defender o seu clube, não é ganhar o campeonato. Aquilo a que nós assistimos é a um jogo de clubes e deveria existir um pacto naquilo que é sério, naquilo que é importante, no que é necessário. É preciso que todos os partidos concordem nessas matérias, nem que lhes custe, nem que percam votos. Aceito e entendo que qualquer governo tem de recorrer a medidas muito duras, mas que as faça com equidade e com pedagogia.
Em Outubro do ano passado, numa entrevista, disse que as medidas de austeridade ainda haveriam de fazer correr muito sangue e que isto acabaria por rebentar. Continua a pensar assim?
São os meus entusiasmos. E obviamente que disse isso em sentido figurado. O sangue de que falava é de dor e sofrimento.
Mas teme que se possa gerar um descontentamento grande na sociedade?
Descontentamento já há, manifestações já há e sensibiliza-me ver determinadas situações. A nossa pobre gente… sem trabalho. Arrepio-me, dói-me imenso quando penso na hipótese de um casal em que os dois perdem o trabalho. É que é preciso metermo-nos na pele dessa gente, sabe? E vemos os homens do poder a falar disto como uma coisa normal, como uma mera questão de números e não como uma questão de fundo. Há dramas enormes a acontecer por todo o país. Gente que não têm o que comer, que não pode pagar uma casa. Isto está a acontecer com as casas é verdadeiramente dramático. E porque é que isto acontece? Por causa da falta de trabalho. Há políticas que possam resolver, embora no mínimo, estas situações de desemprego? É uma obrigação de todos pensar nisto. Mas claro que depois há sempre discordâncias. Porque, se calhar e infelizmente, o poder político nunca foi livre.
Quem é que o condiciona?
O poder político está sempre dependente do poder económico. Nós sabemos que os grandes é que dominam a Terra e é mais que certo que esta crise é fruto desse capitalismo selvagem. Está a organizar-se a sociedade como uma pirâmide em que a base é povo e no vértice estão meia dúzia de magnatas.
Há fome outra vez em Portugal?
Então não há? Todos os dias temos essa percepção: fábricas e empresas que fecham, o número de desempregados a aumentar. As contas são de arrepiar. Estamos numa situação muito má.
Tendo-se batido tantos anos no sector social… A realidade de hoje fá-lo sentir-se derrotado?
Derrotado não. Mas olho para tudo isto com pena. Mesmo assim, temos de cantar a esperança. Porque isto há-de melhorar. Estou convencido que os políticos e o governo hão-de acabar por descobrir que é ao povo que devem servir e que é por ele que se devem sacrificar. E que percebam que devem deixar a política clubista que têm seguido em detrimento do bem comum.
Hoje é 1 de Maio. Entende que os trabalhadores devem ir para a rua?
Que se manifestem, é um direito. E há situações em que devem mesmo manifestar-se, de acordo com a sua consciência de cidadania e até mesmo de acordo com a sua consciência cristã – porque a consciência cristã pode ser uma mais-valia para levar as pessoas a manifestarem-se e exigir. Mas gostaria que as manifestações de hoje fossem como o 1º. De Maio logo a seguir à Revolução de Abril: uma manifestação em que os partidos, sobretudo os da esquerda, não aproveitassem para indispor as pessoas. Que seja uma manifestação de dentro, igual, sem bandeiras partidárias. Uma manifestação de cidadania e não uma demonstração de força deste ou daquele sindicato, deste ou daquele partido.”
sábado, 28 de abril de 2012
CARTA AOS MEUS NETOS EM 25 DE ABRIL
Filhotes, hoje vou contar-vos uma história, mas das verdadeiras, como vocês costumam pedir.
Como todas as histórias, tem muitos lados por onde pode ser vista e contada. Como o caleidoscópio de que o João gosta tanto.
A minha forma de a ver é marcada pelo facto de, apesar de tudo, o 25 de Abril de 1974 ser ainda hoje o dia mais importante da minha vida, depois do dia em que o vosso pai nasceu.
Estou a ver as vossas carinhas escandalizadas a perguntar: - Mais importante do que o dia em que nós nascemos, Vó? Sim e não. Passo a explicar:
A decisão do vosso nascimento não dependeu de mim, dependeu dos vossos pais. Mas o desejo de mudar um país tinha razões no meu coração desde o tempo em que eu tinha a idade do João, e, de uma forma mais esclarecida, a idade da Gi. Esse desejo era de muita gente, novos e velhos, trabalhadores da terra e das fábricas, professores e alunos.
Alguns foram presos, torturados e mesmo mortos por defenderem as ideias nas quais acreditavam.
A avó Bia, o avô Carlos e a tia Madalena, que estava grávida, também estiveram presos. Sabem porquê? Porque os maus, que nesta história eram os Pides, queriam que eles dissessem onde estava o avô Pestana. Por esse tempo ele pertencia a um grupo que os Pides queriam exterminar – que se chamava LUAR.
A avó Bia nunca se meteu em política, mas sabia que não se traem os amigos ou a família, mesmo que não percebamos o porquê das suas escolhas. Sabia sim, que o avô Pestana acreditava que estava a combater por aqueles que trabalhavam o dia inteiro e não tinham hospitais como nós temos agora, escolas,casas ou mesmo comida.
Agora estou a imaginar-vos a perguntar:- Vó, mas agora também há miúdos que não têm comida nem casa e até vivem em barracas. Então para que serviu o 25 de Abril? - Para muitas coisas que vos irei contando.
O 25 de Abril serviu sobretudo para podermos denunciar todas as situações que nos parecem injustas, e ajudarmos a resolvê-las se pudermos.
Serviu para eleger livremente quem nos governa, mesmo que mal.
Serviu para sermos uma democracia, com todos os limites que elas têm.
Daqui por cinco anos a Gi já pode votar, por isso vocês têm de ir aprendendo o que é isso de «democracia» e como se constrói uma cada vez melhor.
Neste dia 25 de Abril, enquanto ainda é feriado, os que desejaram muito o outro – de há 38 anos – estão muito preocupados. Os jornais publicaram um aviso de características muito graves:
«Tolerância zero nas manifestações do 25 de Abril»
Em 38 anos nunca precisámos da Polícia nas comemorações do Dia das Liberdade.
Ao que isto chegou! Estejam atentos aos próximo capítulos.
domingo, 22 de abril de 2012
O ESCRITOR
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal- agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver.
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia-miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca-vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
in Revista Visão
05.04.2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
SERIA UM NOVO ESTATUTO DO DEPUTADO
NENHUM DE NÓS DEVE VOTAR, SEM QUE SE CUMPRAM AS CONDIÇÕES ABAIXO ENUMERADAS.
Se cada destinatário deste texto o enviar por e-mail a um mínimo de vinte pessoas da sua lista de contatos, e por sua vez, cada um deles que fizer o mesmo, em três dias, a maioria das pessoas neste país lerá esta mensagem. Esta é uma idéia que realmente deve ser considerada e revista por todos os cidadãos. Proposta de alteração da Constituição de Portugal para o seguinte, o que é da mais elementar justiça:
1. Um deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma proveniente exclusivamente do seu mandato.
2. O deputado contribuirá para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados (Passado, Presente e Futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social, de imediato. O deputado irá participar nos benefícios do regime da S. Social exactamente como todos os outros cidadãos.
O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade e não haverá privilégios exclusivos.
3. O deputado deve pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses e da mesma maneira.
4. O deputado deixará de votar o seu próprio aumento salarial.
5. O deputado deixará o seu seguro de saúde actual e vai participar no mesmo sistema de saúde de todos os outros cidadãos portugueses.
6. O deputado tem de estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses
7. Servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira.
8. Os deputados devem cumprir os seus mandatos (não mais de 2), e irem para casa procurar outro emprego, como toda a gente.
O tempo para esta alteração à Constituição é AGORA. Forcemos os nossos políticos a fazerem uma revisão constitucional. Assim é como se pode CORRIGIR ESTE ABUSO INSUPORTÁVEL DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.
Se você concorda com o acima exposto, ENTÃO VÁ PARA A FRENTE. Se não, PODE DESCARTÁ-LO. MAS NÃO SE QUEIXE.
domingo, 15 de abril de 2012
NÃO HÁ MAIS TEMPO A PERDER
Artigo de RUI COSTA PINTO, no Jornal “I”
“ Patrões e trabalhadores, banqueiros e grandes empresários, oposição e sindicalistas, demagogos e oportunistas, em uníssono, estão a avolumar o coro por mais subsídios para atenuar o desemprego galopante, o ritmo vertiginoso de encerramento de empresas e a escassez de crédito na economia.
Estes apelos são emocionalmente compreensíveis, mas incorrem numa racionalidade questionável. Num país sob a tutela dos credores internacionais não há apoios que erradiquem instantaneamente todos os vícios de uma economia corroída pela subsidiodependência.
Evitar a recriação de um clima de desperdício, ora para saciar as clientelas, ora para aconchegar os amigalhaços partidários, é mais importante que qualquer estímulo à economia.
Quem consome a informação dos «mainstream», que é a voz dos mais poderosos, e assiste ao debate público, por vezes liderado por quem ainda não teve a lucidez de se retirar de cena, até pode ser tentado a baralhar a realidade com a imagem que escorre untuosamente de alguns centros de poder.
Mas sejamos claros: a manutenção artificial de postos de trabalho custa dinheiro a todos os portugueses. Por isso é preciso que cada cêntimo de investimento público ou de ajuda ao sector privado seja ponderado e não prejudique a concorrência.
A confiança de Passos Coelho tem sido justificada pela percepção de que o regabofe com os dinheiros públicos já lá vai. Mas será que os principais constrangimentos que têm minado a economia real estão a ser atacados ao ritmo prometido?
Não. Mantém-se os anúncios opacos, a proliferação legislativa, a burocracia reinante, a hesitação em eliminar privilégios de alguns agentes económicos, o atraso nos pagamentos do Estado, a cultura da pedinchice e a incapacidade judicial de responder à normal actividade comercial.
Assim não admira que comecem a surgir os primeiros sinais de frustração em quem está a pagar os sacrifícios, pois tarda a consolidação de uma nova realidade económica, a partir de uma nova base caracterizada por mais transparência, concorrência e equidade fiscal.
Infelizmente, o maior partido da oposição continua embalado por guerrinhas internas e pela incapacidade de denunciar os estrangulamentos da economia. Ora sem uma oposição credível, capaz de exigir ao governo o cumprimento das promessas eleitorais, o risco de a mudança se quedar pelo equilíbrio contabilístico das finanças públicas é incomensurável.
Gritar aos sete ventos que o desemprego está muito elevado e exigir ao Estado que atire dinheiro para cima da economia sem cuidar de resolver o que está mal a montante, é manifestamente uma atitude sem qualquer utilidade.
A indignação generalizada com o nível da taxa de desemprego, entre outros indicadores desastrosos, só muito dificilmente será suficiente para apagar da memória os nomes dos responsáveis pela incúria que levou ao desastre.
Enquanto o PS não fizer o “mea culpa” relativamente ao passado do “país em festa”. O governo bem pode continuar a governar mais ou menos bem que não há uma alternativa credível.
Com o país afundado em dívidas, com as ajudas comunitárias à beira do fim e com a aprovação da regra de ouro, que limita o défice a 0,5% do PIB, seria de esperar que o governo não perdesse o fôlego em relação às grandes reformas e a oposição não fizesse promessas fantasiosas.
Não obstante todas as ameaças externas, só com medidas internas de fundo, que rompam com a lógica dos remendos a curto prazo, será possível reconquistas a soberania e a confiança num futuro melhor. “
quarta-feira, 28 de março de 2012
MANIFESTAÇÃO TRADICIONAL
“ Então lá se passou mais um dia de greve, não é? Com detidos, feridos,
violência policial… É bonito ver que, neste mundo maluco e em constante
mudança, há tradições que se mantêm. Só achei estranho o Passos Coelho
não ter vindo a público defender a Imprensa, depois de alguns jornalistas
terem sido selvaticamente agredidos, uma vez que há uns tempos atrás ele
andava muito preocupado com a “asfixia democrática” de que estes eram,
alvo.
Mas pronto, cada um tem o seu fetiche e já se viu que o PSD prefere os
jogos sado-maso.
Apesar de tudo, esta manifestação trouxe algumas novidades. Pela
primeira vez não assistimos àquele jogo entre os sindicatos e o governo,
em que os primeiros afirmam que 9 milhões de portugueses aderiram à
greve e os segundos juram que foram apenas 3, sendo que um estava com
amigdalite. Senti falta. Por isso queria pedir ao governo que, na próxima
greve, não proibisse as transportadoras públicas de revelar os números de
adesão à greve, por exemplo.
É que quem gosta de apostas, como eu, perde uma tarde de negócio.
Agora, tenho é de dizer uma coisa aos manifestantes: então num dia em
que vamos para a rua manifestar-nos contra o facto de muitos de nós não
termos emprego, de vermos o país a caminhar para o abismo e de cada vez
termos menos dinheiro para viver, vocês lembram-se de mandar ovos
contra os bancos?!
Isso é dar o ouro ao bandido, amigos! Então mas vocês não sabem que mal
o primeiro ovo foi atirado houve logo uma reunião no Ministério das
Finanças com o Gaspar aos berros: “Ai eles não têm dinheiro suficiente
para andarem a estragar ovos?! Então isso quer dizer que ainda posso
subir os impostos mais um bocado!”
Para a próxima têm de pensar melhor nestas coisas… Até porque isso dos ovos não tem impacto nenhum nos bancos. Se querem chamar a atenção dos banqueiros, olhem para o exemplo dos nuestros hermanos espanhóis, cujas prostitutas se recusaram a ter relações com banqueiros, como protesto pelo estado da economia.
Isso sim, é bem capaz de resultar, pois toda a gente sabe que os bancos já não vivem sem «buracos». Antes de ir, queria só deixar uma nota sobre a polémica que houve à volta do congresso do PSD por causa da alegada utilização de versos do Zeca Afonso, o que já foi negado pelo partido.
Eu acredito no PSD, até porque todos sabemos que, a nível literário, o Passos prefere Sartre e a sua «Fenomenologia do Ser»… “
sábado, 24 de março de 2012
ATÉ QUANDO?
Artigo de ANA PORFÍRIO, no Jornal do Barreiro
Confesso que não sou amante de novelas. Lembro-me da loucura colectiva que levava as vizinhas a juntarem-se próximo de um rádio a escutar “Simplesmente Maria”, obrigando-nos, a nós crianças, a ficar no mais absoluto silêncio.
Depois, só depois do 25de Abril de 1974, apareceram as telenovelas, que até paravam o Parlamento. Depois banalizaram-se. Algures na minha adolescência deixei de seguir minimamente o enredo que basicamente é sempre o mesmo, ricos contra pobres, alguém muito mau, alguém muito bom, um amor impossível.
Geralmente a intriga que se arrasta por centenas de capítulos resolve-se nos últimos minutos do derradeiro episódio, os maus são castigados, o amor torna-se possível, os cegos voltam a ver, os mudos a falar, etc. Como as histórias tendem a ser parecidas e os actores os mesmos, quando acidentalmente reparo nelas tenho a estranha sensação que há décadas que a novela é a mesma, apesar da decoração ou do guarda-roupa ser diferente.
O mesmo se passa com outras coisas que acho fazerem parte do mesmo romance de cordel. Por exemplo, o senhor que foi o primeiro-ministro e depois Presidente da República chamou pela primeira vez o FMI, que iniciou as privatizações, os contratos a prazo e outros mimos, tudo com a ideia de que só faltava um bocadinho para acender a luz ao fundo do túnel, é agora o senhor que diz que isto não pode ser. Por outro lado, o senhor que, enquanto primeiro-ministro, achou que o melhor a fazer era abater barcos de pesca, arrancar vinhas e sobreiros, agora usa chapéus de cortiça e diz que nos temos de virar para o mar.
Entretanto, o que era líder da oposição, indignado com os baixos salários dos portugueses e o excesso dos impostos, é o primeiro-ministro que num espaço de meses aumenta os impostos e retira salários, subsídios, bolsas de estudo,
abonos de família e outras coisas mais. O ministro que negoceia com estrangeiros já foi ministro de outras coisas, onde fez um negócio ainda pouco claro em que comprou uns submarinos a uns estrageiros.
Na verdade, o enredo desta novela é sempre basicamente o mesmo, enquanto oposição indignam-se muitos com os impostos e sacrifícios do povo, quando tomam posse dizem, com um ar compungido, que afinal isto está muito pior do que pensavam, e, como tal, são necessárias medidas drásticas. Depois aplicam as medidas drásticas a um número imenso de figurantes que se esquecem que foram outras exactamente as mesmas medidas drásticas, efectuadas pelos mesmos personagens que nos trouxeram até aqui e que, desta forma, o túnel fica mais escuro e comprido.
No meio disto existem sempre uns incómodos que ainda se conseguem infiltrar na história e que nunca desistem de apontar o dedo a isto tudo e de dizer, muitas vezes, muito alto, de todas as maneiras que conseguem que assim não vamos lá.
Eu, por mim, sou desse e tenho a ideia de que é melhor acabar com esta história. E tu? “
quinta-feira, 22 de março de 2012
POR FAVOR, DEMITA-SE
Nicolau Santos
Terça-feira, 6 de Março de 2012
Senhor Primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes. Também eu, senhor Primeiro-ministro. Só me apetece rugir!…
O que o Senhor fez, foi um Roubo! Um Roubo descarado à classe média, no alto da sua impunidade política! Por isso, um duplo roubo: pelo crime em si e pela indecorosa impunidade de que se revestiu. E, ainda pior: Vossa Excelência matou o País!
Invoca Sua Sumidade, que as medidas são suas, mas o déficite é do Sócrates! Só os tolos caem na esparrela desse argumento.
O déficite já vem do tempo de Cavaco Silva, quando, como bom aluno que foi, nos anos 80, a mando dos donos da Europa, decidiu, a troco de 700 milhões de contos anuais, acabar com as Pescas, a Agricultura e a Industria. Farisaicamente, Bruxelas pagava então, aos pescadores para não pescarem e aos agricultores para não cultivarem. O resultado, foi uma total dependência alimentar, uma decadência industrial e investimentos faraónicos no cimento e no alcatrão. Bens não transaccionáveis, que significaram o êxodo rural para o litoral, corrupção larvar e uma classe de novos muitíssimo-ricos. Toda esta tragédia, que mergulhou um País numa espiral deficitária, acabou, fragorosamente, com Sócrates. O déficite é de toda esta gente, que hoje vive gozando as delícias das suas malfeitorias.
E você é o herdeiro e o filho predilecto de todos estes que você, agora, hipocritamente, quer pôr no banco dos réus?
Mas o Senhor também é responsável por esta crise. Tem as suas asas crivadas pelo chumbo da sua própria espingarda. Porque deitou
abaixo o PEC4, de má memória, dando asas aos abutres financeiros para inflacionarem a dívida para valores insuportáveis e porque invocou como motivo para tal chumbo, o carácter excessivo dessas medidas. Prometeu, entretanto, não subir os impostos. Depois, já no poder, anunciou como excepcional, o corte no subsídio de Natal. Agora, isto! Ou seja, de mentira em mentira, até a este colossal embuste, que é o Orçamento Geral do Estado.
Diz Vossa Eminência que não tinha outra saída. Ou seja, todas as soluções passam pelo ataque ao Trabalho e pela defesa do Capital Financeiro. Outro embuste. Já se sabia no que resultaram estas mesmas medidas na Grécia: no desemprego, na recessão e num déficite ainda maior. Pois o senhor, incauto e ignorante, não se importou de importar tão assassina cartilha. Sem Economia, não há Finanças, deveria saber o Senhor. Com ainda menos Economia (a recessão atingirá valores perto do 5% em 2012), com muito mais falências e com o desemprego a atingir o colossal valor de 20%, onde vai Sua Sabedoria buscar receitas para corrigir o déficite? Com a banca descapitalizada (para onde foram os biliões do BPN?), como traçará linhas de crédito para as pequenas e médias empresas, responsáveis por 90% do desemprego? O Senhor burlou-nos e espoliou-nos. Teve a admirável coragem de sacar aos indefesos dos trabalhadores, com a esfarrapada desculpa de não ter outra hipótese. E há tantas! Dou-lhe um exemplo: o Metro do Porto.
Tem um prejuízo de 3.500 milhões de euros, é todo à superfície e tem uma oferta 400 vezes (!!!) superior à procura. Tudo alinhavado à medida de uns tantos autarcas, embandeirados por Valentim Loureiro.
Outro exemplo: as parcerias público-privadas, grande sugadouro das finanças públicas.
Outro exemplo: Dizem os estudos que, se V. Ex.ª cortasse na mesma percentagem, os rendimentos das 10 maiores fortunas de Portugal, ficaríamos aliviadinhos de todo, desta canga deficitária. Até porque
foram elas, as grandes beneficiárias desta orgia grega que nos tramou. Estaria horas, a desfiar exemplos e Você não gastou um minuto em pensar em deslocar-se a Bruxelas, para dilatar no tempo, as gravosas medidas que anunciou, para Salvar Portugal!
Diz Boaventura de Sousa Santos que o Senhor Primeiro-ministro é um homem sem experiência, sem ideias e sem substrato académico para tais andanças. Concordo! Como não sabe, pretende ser um bom aluno dos mandantes da Europa, esperando deles, compreensão e consideração. Genuína ingenuidade! Com tudo isto, passou de bom aluno, para lacaio da senhora Merkel e do senhor Sarkhozy, quando precisávamos, não de um bom aluno, mas de um Mestre, de um Líder, com uma Ideia e um Projecto para Portugal. O Senhor, ao desistir da Economia, desistiu de Portugal! Foi o coveiro da nossa independência. Hoje, é, apenas, o Gauleiter de Berlim.
Demita-se, senhor primeiro-ministro, antes que seja o Povo a demiti-lo.
sexta-feira, 16 de março de 2012
COMEÇAR A MORRER PELA BOCA
Editorial de ANA SÁ LOPES, in Jornal “I”
Os governos começam a morrer pela boca e, no fim, implodem pela crise económica, pelo ódio cidadão e pelo pântano onde todos se afogam. Cavaco Silva abandonou a liderança do PSD porque era odiado e, evidentemente, o regime que terminou em 1995 era um lodaçal a transbordar de escândalos como o agora tão presente BPN; António Guterres desistiu de ser primeiro-ministro porque também era odiado e vivia num
- esse reconheceu a situação no dia em que bateu com a porta; Durão Barroso fugiu para Bruxelas porque tinha acabado de levar um golpe nas eleições do Parlamento Europeu, tinha um governo imobilizado e o partido capturado pelo seu ex-inimigo e depois outra vez amigo Pedro Santana Lopes.
Pedro Santana Lopes (o elo mais fraco de todos estes) auto-destruíu-se à velocidade da luz, não sobreviveu aos pontapés da família perpetrados desde o seu nascimento como primeiro-ministro e desencadeou uma notável reacção nacional antigoverno que uniu os portugueses à esquerda e à direita, contra o poder em funções. Finalmente, Sócrates. O anterior primeiro-ministro é despachado por causa do aprofundar da crise internacional, pela descolagem da realidade, pelas suspeitas que processos como o Face Oculta desencadearam, pelo aparelhismo, captura do Estado pelo partido e pelos amigos, etc, etc. No dia da decadência, todos estes factores juntos pesaram no destino final.
O que têm todos estes cidadãos em comum? Começaram todos a morrer pela boca. Em quase todos, a linguagem moralista marcou o arranque dos seus mandatos. Todos vinham moralizar o Estado, nunca haveria “jobs for the boys” (Guterres); estariam ao lado do povo humilde de onde tinham vindo (Cavaco); nunca “deixariam construir um aeroporto enquanto houvesse uma criança com fome” (Durão Barroso) e por aí fora.
Sócrates, como todos se lembram, ia lutar contra “os interesses instalados”.
Acabaram praticamente todos no mesmo sitio, aquele onde Pedro Passos Coelho já está a entrar. O discurso moralista contra as nomeações no Estado já
perdeu validade; o dos cortes salariais também, depois das excepções incompreensíveis para a maioria dos cidadãos, afectados e não afectados.
Agora chegaram as exclusões ao regime dos gestores públicos que o governo tinha decidido – e bem – não deveriam ter um ordenado superior ao do primeiro-ministro.
As excepções (1) já são meia-dúzia e incluem até gestores da famosa Parque Expo que, segundo Passos, não interessava a ninguém e devia fechar.
São contradições a mais para tão pouco tempo de governo. “
1).- Mais excepções: Cinco empresas não vão aplicar o novo estatuto de gestor público. São elas a TAP, ANA, CTT, Parque Expo e a EMA. O argumento do governo é que estão em processo de privatização ou de extinção.
sábado, 10 de março de 2012
O REGIME CHEIRA MAL...
Editorial de ANTÓNIO RIBEIRO FERREIRA, in Jornal “I”, de 10.02.2012
“ Cavaco Silva destapou o tacho, um ano de pois de ter tomado posse para o segundo mandato presidencial em Belém. E um cheiro nauseabundo invadiu o país, um sinal evidente de que o regime, a todos os níveis, está podre, em decomposição. Já não há volta a dar a isto. Os discursos piedosos dos personagens que lucram e vivem na podridão mais parecem missas do sétimo dia. A degradação não tem limites e soluções.
O estado a que esta porcaria chegou está agora à vista desarmada e já não há salamaleques democráticos que disfarcem a podridão que reina nas instituições e que se propaga, obviamente, a todas as estruturas do Estado e à própria sociedade civil.
Cavaco Silva decidiu abrir o livro sobre as suas relações com José Sócrates. Antes assim. Fala em deslealdade histórica, aponta episódios, como o seu desconhecimento da existência de um PEC IV salvador que a oposição chumbou e levou à demissão do governo socialista e ao pedido de ajuda externa. Mas os cinco anos de convívio entre Sócrates e Soares tiveram mais episódios picantes.
É bom recordar o estatuto dos Açores, que pôs o Presidente da República à beira de um ataque de nervos. E também a história da espionagem de S. Bento a Belém, que teve um efeito em cadeia e atingiu em cheio alguns órgãos de comunicação social e jornalistas.
É natural que daqui a um ano – ou talvez um pouco mais, depende -, Cavaco também venha a contar os episódios mais escabrosos das suas relações com Pedro Passos Coelho e este governo PSD/CDS. A decisão de contar as histórias escabrosas com Sócrates é uma espécie de aviso à navegação e aos tripulantes da maioria. Portem-se bem, não sejam desleais, não andem por aí a pôr minas e armadilhas no caminho presidencial, que Belém não esquece e muito menos perdoa.
A lavagem de roupa suja presidencial teve, obviamente, uma resposta ao mesmo nível dos deputados socráticos do PS. Uns mandam o Presidente tratar-se rapidamente num psiquiatra, outros dizem que Cavaco é foleiro e ainda há os que lhe devolvem a deslealdade histórica. É neste clima de degradação moral que o país sobrevive, com a miséria e a fome a atingir cada vez mais pessoas. É neste clima de decomposição de um regime que alguns gatos-pingados tentam fingir que está bem de saúde que se percebe como empresas 100% públicas têm o descaramento de vir a público desafiar os governantes que as tutelam.
A lei da selva, salve-se quem puder, a ausência total de normas básicas de relacionamento entre instituições, a lavagem pública de muita roupa suja acumulada ao longo de muitos anos são sinais óbvios de que algo tem de mudar e urgentemente.
Mas desenganem-se os que sonham com uma mudança nascida de um regime podre. Portugal está a chegar vertiginosamente ao fim. E não serão os partidos políticos, os pilares cancerosos desta democracia e deste regime, que o irão salvar. E, como já se percebeu, nesta derrocada não há instituição que sirva de porto de abrigo. Nem a Presidência da Republica.
Belém, como ficou claro neste 9 de Março de 2012, faz parte do problema. Na verdade, já deixou há muito de fazer parte da solução para uma nação em decomposição. “
sexta-feira, 9 de março de 2012
ESTAREMOS NÓS AINDA NO 7º MUNDO?
“ Começou o julgamento do antigo primeiro-ministro, acusado de negligência na crise financeira que conduziu o país a uma espiral de dívida e de recessão. O antigo primeiro-ministro garante que enquanto ocupou o cargo o fez sempre acreditando “ser o melhor para a nação” e considera-se perseguido, alvo de uma conspiração absurda.
No início da audiência insistiu na sua inocência e considerou uma boa oportunidade para explicar a sua versão sobre a crise.
A acusação sustenta que o antigo primeiro-ministro ignorou as recomendações do Parlamento para sanear e fortalecer a economia, o país mergulhou numa espiral de dívida e recessão. O desemprego disparou acima dos 10%, o governo teve de recorrer à ajuda do FMI. Razões da ida a julgamento do antigo primeiro-ministro, o processo considerado como essencial para o funcionamento da democracia, é um importante teste ao nosso sistema judicial. É o primeiro dirigente político a enfrentar uma acusação por causa da crise.
Inédito. Isto, contudo, passa-se na longínqua Islândia.
Por cá devia fazer-se o mesmo. Mais não fosse para servir de lição aos futuros políticos. Porque não julgar todos os políticos que foram responsáveis por gestão danosa e tráfico de influências e usurparam dinheiros públicos? Exige-se justiça. Nada mais injusto do que sofrer com governantes irresponsáveis, mentirosos e cobardes… “
Texto de Francisco José Casal Pina, inserido no Jornal “I” de 09.03.2012
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“ Hoje o Julius Malema foi despedido e não é mais Presidente da Juventude da ANC. Abusou dos seus poderes, foi julgado e zumba corrido do posto. Por estas bandas ainda há justiça. Isto por aqui é Terceiro Mundo. “
Texto enviado por familiar da Africa do Sul, em 04.02.2012
GRACIAS COMPAÑERO
Crónica de ANA SÁ LOPES, no Jornal “I”, em 08.02.2012
“Mariano Rajoy, o primeiro-ministro espanhol, declarou suavemente na semana passada em Bruxelas que “ia tomar uma decisão soberana” – uma frase herética nos luminosos tempos que correm. E anunciou soberanamente (diz que sem falar com ninguém porque não precisava) que o défice espanhol não iria baixar para 4,4% - como queria a Comissão Europeia -, mas apenas para 5,8% do PIB em 2012. Com uma taxa de desemprego que se aproxima dos 25% e metade dos cidadãos jovens sem trabalho, uma decisão do governo espanhol de encolher o défice de 8,5% para quase metade significaria ainda mais desemprego, muito menos consumo (que já não é grande coisa) e recessão ainda mais agravada.
Mariano Rajoy, ainda que obrigado àquela ideia peregrina da constitucionalização do limite do défice (imposta pelo socialista Zapatero), decidiu poupar os cidadãos a um esforço draconiano e mandar o ajustamento merkeliano à fava. Quem não dava nada por Mariano Rajoy, cuja principal qualidade política parecia ser uma paciência de Job na espera da queda de Zapatero, ficou espantado.
A declaração de Mariano Rajoy é importante, a vários níveis. Primeiro, é um arroubo de soberania numa Europa germanizada onde. Como já vários escreveram, o Keynesianismo está à beira de ser ilegalizado. Afinal introduzir o limite do défice na Constituição ilegaliza qualquer política expansionista – o mundo não teria recuperado da Grande Depressão, nem a Europa da Segunda Grande Guerra, se essa lei estúpida estivesse em vigor.
O anúncio de Rajoy tem a vantagem inominável de questionar o novo pacto de estabilidade e de pôr a Comissão a discutir rapidamente que são agora viáveis os tais “procedimentos” por défice excessivo.
É obvio que Mariano Rajoy está a abrir um caminho difícil. O que a Europa deveria estar a discutir já seria a flexibilização das metas do défice numa conjuntura económica terrivelmente recessiva – mas, como no seu conjunto está economicamente insana, aprova pactos para satisfazer o eleitorado
alemão. A “revolta” de Rajoy é uma boa notícia para todos os países frágeis do euro, com Portugal à cabeça: como notava aqui há dias o “Wall Street Journal”, um ajustamento mais flexível em Espanha significa que os nossos vizinhos podem importar mais. Como a única esperança de melhorar a economia nacional são agora só as exportações, e se a Espanha é um dos nossos principais mercados, percebe-se quanto a revolta espanhola interessa à economia portuguesa.
Em vez de continuar a dizer que não vai atrás de Espanha e cumprirá o défice. Passos devia estar a mandar a Rajoy um cartãozinho de agradecimento.”