É esta raça que ainda vai salvar o País
A RAÇA DO ALENTEJANO
Como é um alentejano? É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho.... E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.
Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
Dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
Dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
Dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
Dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
Dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.
O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.
É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.
Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que «as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso…
quinta-feira, 30 de junho de 2011
quarta-feira, 29 de junho de 2011
BARREIRO CIDADE
A CIDADE QUE CRESCEU COMIGO
ANA PORFÍRIO, in Jornal do Barreiro
O Barreiro é Cidade, antes foi Vila, antes Lugar. Os vestígios de ser habitado remontam ao Paleolítico. Aquí se captou água, aqui se fez vidro, daqui se abastecia a margem norte do Tejo, de carvão, de frutas, de cordas, de biscoito e pão de açúcar, de madeira para as naus, de farinha, de sal.
Aquí se secou bacalhau pescado nos Mares do Norte, aqui se produziu vinho, aqui se fundaram Igrejas, Conventos, aqui chegaram depois os caminhos-de-ferro, a indústria transformadora da cortiça, a indústria pesada. Com elas, tudo se foi transformando e foram vindo novas gentes: os cantares dolentes do Alentejo, os Beirões, os Algarvios, de Trás-os-Montes e, um pouco de todo o lado, os técnicos, os camponeses transformados em operários, e foi assim que tudo se mudou. Nasceram associações, colectividades, laboratórios, oficinas, clubes de futebol, Bandas de Música, Escolas, Tertúlias, um espírito resistente e combatente.
Aquí se situou um grande núcleo esperantista, aqui se usou a solidariedade como forma de amenizar as agruras da vida, e disso tudo nasceram poetas, escritores, artífices, desportistas, actores, músicos, fotógrafos, jornalistas, homens e mulheres se destacaram nas mais variadas áreas.
Tenho orgulho de ter nascido neste lugar, nesta Vila, agora Cidade, tenho orgulho de ter crescido neste ambiente. Não me lembro da Praia da Avenida, com golfinhos no horizonte, mas lembro-me da minha avó se lembrar, lembro-me das manhãs sufocantes do ar de enxofre, de planear de véspera uma ida ao campo, que era ali já em Palhais, lembro-me dos cavalos da GNR em parada, de frases que não compreendia sussurradas, lembro-me do Tejo escuro e lamacento, que vai estando mais límpido, de tardes a ver filmes no Cine-Clube, de tertúlias fantásticas numa qualquer Colectividade.
Lembro-me de seguir a Bandas pelas ruas do Barreiro Velho, de estrear o “Avião” no Parque Infantil, lembro-me de tudo isso sem saudosismo, apenas com o carinho das recordações que nos fazem bem e, guardo dentro de mim, todas as histórias que ouvi sobre a minha terra, das trágicas às cómicas.
Nasci aqui, cresci aqui. Hoje sou mulher, sempre empenhada em novos desafios, tal como a cidade que guarda o seu passado com os seus olhos nos projectos de futuro, o Barreiro é mais que as memórias, mas que a sua história.
O Barreiro é a cidade que cresceu comigo, a Cidade que tantos acolheu e que os tornou seus.
Parabéns Barreiro!
ANA PORFÍRIO, in Jornal do Barreiro
O Barreiro é Cidade, antes foi Vila, antes Lugar. Os vestígios de ser habitado remontam ao Paleolítico. Aquí se captou água, aqui se fez vidro, daqui se abastecia a margem norte do Tejo, de carvão, de frutas, de cordas, de biscoito e pão de açúcar, de madeira para as naus, de farinha, de sal.
Aquí se secou bacalhau pescado nos Mares do Norte, aqui se produziu vinho, aqui se fundaram Igrejas, Conventos, aqui chegaram depois os caminhos-de-ferro, a indústria transformadora da cortiça, a indústria pesada. Com elas, tudo se foi transformando e foram vindo novas gentes: os cantares dolentes do Alentejo, os Beirões, os Algarvios, de Trás-os-Montes e, um pouco de todo o lado, os técnicos, os camponeses transformados em operários, e foi assim que tudo se mudou. Nasceram associações, colectividades, laboratórios, oficinas, clubes de futebol, Bandas de Música, Escolas, Tertúlias, um espírito resistente e combatente.
Aquí se situou um grande núcleo esperantista, aqui se usou a solidariedade como forma de amenizar as agruras da vida, e disso tudo nasceram poetas, escritores, artífices, desportistas, actores, músicos, fotógrafos, jornalistas, homens e mulheres se destacaram nas mais variadas áreas.
Tenho orgulho de ter nascido neste lugar, nesta Vila, agora Cidade, tenho orgulho de ter crescido neste ambiente. Não me lembro da Praia da Avenida, com golfinhos no horizonte, mas lembro-me da minha avó se lembrar, lembro-me das manhãs sufocantes do ar de enxofre, de planear de véspera uma ida ao campo, que era ali já em Palhais, lembro-me dos cavalos da GNR em parada, de frases que não compreendia sussurradas, lembro-me do Tejo escuro e lamacento, que vai estando mais límpido, de tardes a ver filmes no Cine-Clube, de tertúlias fantásticas numa qualquer Colectividade.
Lembro-me de seguir a Bandas pelas ruas do Barreiro Velho, de estrear o “Avião” no Parque Infantil, lembro-me de tudo isso sem saudosismo, apenas com o carinho das recordações que nos fazem bem e, guardo dentro de mim, todas as histórias que ouvi sobre a minha terra, das trágicas às cómicas.
Nasci aqui, cresci aqui. Hoje sou mulher, sempre empenhada em novos desafios, tal como a cidade que guarda o seu passado com os seus olhos nos projectos de futuro, o Barreiro é mais que as memórias, mas que a sua história.
O Barreiro é a cidade que cresceu comigo, a Cidade que tantos acolheu e que os tornou seus.
Parabéns Barreiro!
terça-feira, 28 de junho de 2011
ACORDO ORTOGRÁFICO (????)
Em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico
in Público, 25 de Junho de 2011
Carta aberta ao Primeiro-Ministro, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Ministro da Educação:
PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO ACORDO ORTOGRÁFICO
Senhor Primeiro-Ministro
Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros
Senhor Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência
1. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi aprovado em 1990 pelo Parlamento e ratificado pelo Presidente da República em 91, sendo mera adaptação do Acordo de 86, abandonado por força da reacção da opinião pública portuguesa. Ao contrário do AO de 86, que teve divulgação nos meios de comunicação portugueses, a redacção e tramitação do AO de 90 ocorreram discretamente, longe do olhar e escrutínio público dos portugueses.
2. Enquanto reforma ortográfica, o AO é um desastre: não assenta em nenhum consenso alargado, não foi objecto de discussão pública, não resulta do trabalho de especialistas competentes (a julgar pelas imprecisões, erros e inconsistências que contém e pelos problemas que cria) e vem minar, pela introdução generalizada e irrestrita de facultatividades ortográficas, a própria noção de ortografia. Tudo isto foi devidamente apontado por intelectuais e linguistas portugueses ao longo dos últimos 20 anos em pareceres, artigos e livros ignorados pelas entidades responsáveis. O único parecer favorável (assinado em 2005 por um dos co-autores do AO!) é o da Academia das Ciências, instituição que patrocinou a criação do acordo.
3. Os vícios do AO enquanto instrumento jurídico configuram mentiras gritantes vertidas em lei. No preâmbulo diz-se que «o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários»; deste debate não há vestígio nem se conhece menção. A Nota Explicativa do AO refere estudos prévios dos quais não há registo, apresenta argumentos sem sustentação científica sobre o impacto do AO no vocabulário português (baseados numa lista desconhecida de 110 000 palavras e ignorando a importância de termos complexos, formas flexionadas de nomes e verbos e índice de frequência das palavras) e “explica” de forma confusa os aspectos mais controversos da reforma, p. ex. a consagração, como expediente de “unificação ortográfica”, de divergências luso-brasileiras inultrapassáveis com o estatuto de grafias facultativas. Algumas dessas divergências existiam antes do AO (‘fato’ ~ ‘facto’, ‘ação’ ~ ‘acção’, ‘cômodo’ ~ ‘cómodo’, ‘prêmio’ ~ ‘prémio’, ‘averígua’ ~ ‘averigua’, etc.); outras são criadas pelo próprio AO (‘decepção’ ~ ‘deceção’, ‘espectador’ ~ ‘espetador’, ‘falamos ~ ‘falámos’, ‘Filosofia’ ~ ‘filosofia’, ‘cor-de-rosa’ ~ ‘cor de laranja’, etc.). Pelo AO a palavra ‘decepcionámos’ (e outras similares) passaria a escrever-se correctamente em todos os países lusófonos de quatro maneiras diferentes (‘decepcionámos’, ‘dececionámos’, ‘decepcionamos’, ‘dececionamos’). O termo ‘Electrotecnia e Electrónica’ (designação de curso, disciplina e área do saber) poderia ser escrito de 32 maneiras diferentes, sem que o AO ofereça qualquer critério normativo. Sendo um tratado entre oito estados soberanos que reivindicam uma matriz cultural partilhada, o AO deveria ter concitado aceitação plena de (e em) todos os países signatários. Tal não aconteceu, o que, 21 anos após a sua assinatura, é prova dos problemas por ele criados.
4. Da VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP de 2010 resultou a Resolução sobre o Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, com a seguinte recomendação (III.5): «Nos pontos em que o Acordo admite grafias facultativas, é recomendável que a opção por uma delas, a ser feita pelos órgãos nacionais competentes, siga a tradição ortográfica vigente em cada Estado Membro, a qual deve ser reconhecida e considerada válida em todos os sistemas educativos.» Esta recomendação destitui, por si só, o AO de qualquer fundamento: como se pode defender simultaneamente um acordo que pretende unificar as tradições ortográficas vigentes nos Estados signatários através de facultatividades gráficas, e, ao mesmo tempo, propor-se que o problema das grafias facultativas se resolva pelo reconhecimento oficial de tradições ortográficas divergentes, logo, não unificadas?
5. Ninguém conhece as consequências reais do AO na sociedade portuguesa, pois nenhum estudo de avaliação de impacto foi feito e ninguém sabe estimar os custos da sua aplicação —que não serão só de ordem financeira— pois não há estudos de avaliação custo/benefício. Se os grandes projectos de Estado exigem a realização de estudos preparatórios —recorde-se que o aeroporto da Ota foi, após 30 anos de indecisão, abandonado por causa de um estudo técnico—, como se pode exigir menos relativamente à língua portuguesa escrita? A Lei de Bases de Protecção do Património Cultural inclui no conceito e âmbito do património cultural a língua portuguesa, nestes termos: «enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.» (art.º 2.º, n.º 2). É menos importante a estabilidade de um ‘fundamento da soberania nacional’ do que um aeroporto?
6. Que o Estado português se proponha adoptar o AO sem um vocabulário normativo que não seja o vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa estipulado pelo art.º 2.º do AO (violando assim um tratado que assinou e ratificou) revela apenas a ligeireza com que esta matéria tem sido tratada e a incontrolada flexibilidade da aplicação prática do AO. Afinal, nenhum tratado internacional pode ficar sujeito a interpretações locais ou aplicações de carácter regional ou nacional.
7. O domínio da ortografia, sabe-se hoje, faz parte intrínseca da competência linguística dos falantes; não é simples “roupagem gráfica” da língua. E, como é reconhecido não só por académicos mas por instituições internacionais como, p. ex., a OCDE no relatório PISA 2003, a literacia —pedra angular da aquisição de todos os saberes formais e de todo e qualquer processo de aprendizagem escolar— pressupõe (em termos linguísticos estritos) o domínio de uma ortografia codificada estável, para além de um vasto conhecimento vocabular, gramatical e fonético.
8. O AO não serve o fim a que se destina —a unificação ortográfica da língua portuguesa— e assenta no pressuposto falacioso de que a unificação ortográfica supriria as diferenças já antigas entre português europeu e português do Brasil, de ordem fonológica, lexical e sintáctica. Mesmo que a unificação a 100% fosse possível (e o AO reconhece que não é), escrever de igual forma dos dois lados do Atlântico não assegura a compreensão mútua daquilo que é (cada vez mais) diferente e divergente.
9. Por atentar contra a estabilidade ortográfica em Portugal e integridade da língua portuguesa, o AO atenta contra o progresso e desenvolvimento do povo português em época particularmente difícil da sua História.
10. O AO é um erro monstruoso que VV. EE. têm o poder de corrigir, suspendendo a sua aplicação.
João Roque Dias, Tradutor Certificado pela Associação Americana de Tradutores *
António Emiliano, Professor de Linguística da UNL, autor de Fonética do Português Europeu e de Apologia do Desacordo Ortográfico *
Francisco Miguel Valada, Intérprete de Conferência junto das Instituições da UE, autor de Demanda, Deriva, Desastre – Os Três Dês do Acordo Ortográfico *
Maria do Carmo Vieira, Professora de Português e Francês do Ensino Secundário, autora de Ensino do Português
* Administradores do grupo ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO!
in Público, 25 de Junho de 2011
Carta aberta ao Primeiro-Ministro, ao Ministro dos Negócios Estrangeiros e ao Ministro da Educação:
PELA SUSPENSÃO IMEDIATA DO ACORDO ORTOGRÁFICO
Senhor Primeiro-Ministro
Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros
Senhor Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência
1. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (AO) foi aprovado em 1990 pelo Parlamento e ratificado pelo Presidente da República em 91, sendo mera adaptação do Acordo de 86, abandonado por força da reacção da opinião pública portuguesa. Ao contrário do AO de 86, que teve divulgação nos meios de comunicação portugueses, a redacção e tramitação do AO de 90 ocorreram discretamente, longe do olhar e escrutínio público dos portugueses.
2. Enquanto reforma ortográfica, o AO é um desastre: não assenta em nenhum consenso alargado, não foi objecto de discussão pública, não resulta do trabalho de especialistas competentes (a julgar pelas imprecisões, erros e inconsistências que contém e pelos problemas que cria) e vem minar, pela introdução generalizada e irrestrita de facultatividades ortográficas, a própria noção de ortografia. Tudo isto foi devidamente apontado por intelectuais e linguistas portugueses ao longo dos últimos 20 anos em pareceres, artigos e livros ignorados pelas entidades responsáveis. O único parecer favorável (assinado em 2005 por um dos co-autores do AO!) é o da Academia das Ciências, instituição que patrocinou a criação do acordo.
3. Os vícios do AO enquanto instrumento jurídico configuram mentiras gritantes vertidas em lei. No preâmbulo diz-se que «o texto do Acordo que ora se aprova resulta de um aprofundado debate nos países signatários»; deste debate não há vestígio nem se conhece menção. A Nota Explicativa do AO refere estudos prévios dos quais não há registo, apresenta argumentos sem sustentação científica sobre o impacto do AO no vocabulário português (baseados numa lista desconhecida de 110 000 palavras e ignorando a importância de termos complexos, formas flexionadas de nomes e verbos e índice de frequência das palavras) e “explica” de forma confusa os aspectos mais controversos da reforma, p. ex. a consagração, como expediente de “unificação ortográfica”, de divergências luso-brasileiras inultrapassáveis com o estatuto de grafias facultativas. Algumas dessas divergências existiam antes do AO (‘fato’ ~ ‘facto’, ‘ação’ ~ ‘acção’, ‘cômodo’ ~ ‘cómodo’, ‘prêmio’ ~ ‘prémio’, ‘averígua’ ~ ‘averigua’, etc.); outras são criadas pelo próprio AO (‘decepção’ ~ ‘deceção’, ‘espectador’ ~ ‘espetador’, ‘falamos ~ ‘falámos’, ‘Filosofia’ ~ ‘filosofia’, ‘cor-de-rosa’ ~ ‘cor de laranja’, etc.). Pelo AO a palavra ‘decepcionámos’ (e outras similares) passaria a escrever-se correctamente em todos os países lusófonos de quatro maneiras diferentes (‘decepcionámos’, ‘dececionámos’, ‘decepcionamos’, ‘dececionamos’). O termo ‘Electrotecnia e Electrónica’ (designação de curso, disciplina e área do saber) poderia ser escrito de 32 maneiras diferentes, sem que o AO ofereça qualquer critério normativo. Sendo um tratado entre oito estados soberanos que reivindicam uma matriz cultural partilhada, o AO deveria ter concitado aceitação plena de (e em) todos os países signatários. Tal não aconteceu, o que, 21 anos após a sua assinatura, é prova dos problemas por ele criados.
4. Da VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP de 2010 resultou a Resolução sobre o Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, com a seguinte recomendação (III.5): «Nos pontos em que o Acordo admite grafias facultativas, é recomendável que a opção por uma delas, a ser feita pelos órgãos nacionais competentes, siga a tradição ortográfica vigente em cada Estado Membro, a qual deve ser reconhecida e considerada válida em todos os sistemas educativos.» Esta recomendação destitui, por si só, o AO de qualquer fundamento: como se pode defender simultaneamente um acordo que pretende unificar as tradições ortográficas vigentes nos Estados signatários através de facultatividades gráficas, e, ao mesmo tempo, propor-se que o problema das grafias facultativas se resolva pelo reconhecimento oficial de tradições ortográficas divergentes, logo, não unificadas?
5. Ninguém conhece as consequências reais do AO na sociedade portuguesa, pois nenhum estudo de avaliação de impacto foi feito e ninguém sabe estimar os custos da sua aplicação —que não serão só de ordem financeira— pois não há estudos de avaliação custo/benefício. Se os grandes projectos de Estado exigem a realização de estudos preparatórios —recorde-se que o aeroporto da Ota foi, após 30 anos de indecisão, abandonado por causa de um estudo técnico—, como se pode exigir menos relativamente à língua portuguesa escrita? A Lei de Bases de Protecção do Património Cultural inclui no conceito e âmbito do património cultural a língua portuguesa, nestes termos: «enquanto fundamento da soberania nacional, é um elemento essencial do património cultural português.» (art.º 2.º, n.º 2). É menos importante a estabilidade de um ‘fundamento da soberania nacional’ do que um aeroporto?
6. Que o Estado português se proponha adoptar o AO sem um vocabulário normativo que não seja o vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa estipulado pelo art.º 2.º do AO (violando assim um tratado que assinou e ratificou) revela apenas a ligeireza com que esta matéria tem sido tratada e a incontrolada flexibilidade da aplicação prática do AO. Afinal, nenhum tratado internacional pode ficar sujeito a interpretações locais ou aplicações de carácter regional ou nacional.
7. O domínio da ortografia, sabe-se hoje, faz parte intrínseca da competência linguística dos falantes; não é simples “roupagem gráfica” da língua. E, como é reconhecido não só por académicos mas por instituições internacionais como, p. ex., a OCDE no relatório PISA 2003, a literacia —pedra angular da aquisição de todos os saberes formais e de todo e qualquer processo de aprendizagem escolar— pressupõe (em termos linguísticos estritos) o domínio de uma ortografia codificada estável, para além de um vasto conhecimento vocabular, gramatical e fonético.
8. O AO não serve o fim a que se destina —a unificação ortográfica da língua portuguesa— e assenta no pressuposto falacioso de que a unificação ortográfica supriria as diferenças já antigas entre português europeu e português do Brasil, de ordem fonológica, lexical e sintáctica. Mesmo que a unificação a 100% fosse possível (e o AO reconhece que não é), escrever de igual forma dos dois lados do Atlântico não assegura a compreensão mútua daquilo que é (cada vez mais) diferente e divergente.
9. Por atentar contra a estabilidade ortográfica em Portugal e integridade da língua portuguesa, o AO atenta contra o progresso e desenvolvimento do povo português em época particularmente difícil da sua História.
10. O AO é um erro monstruoso que VV. EE. têm o poder de corrigir, suspendendo a sua aplicação.
João Roque Dias, Tradutor Certificado pela Associação Americana de Tradutores *
António Emiliano, Professor de Linguística da UNL, autor de Fonética do Português Europeu e de Apologia do Desacordo Ortográfico *
Francisco Miguel Valada, Intérprete de Conferência junto das Instituições da UE, autor de Demanda, Deriva, Desastre – Os Três Dês do Acordo Ortográfico *
Maria do Carmo Vieira, Professora de Português e Francês do Ensino Secundário, autora de Ensino do Português
* Administradores do grupo ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO!
sábado, 18 de junho de 2011
INDIGNAÇÃO, INDIGNAÇÃO, INDIGNAÇÃO!!!
Do meu querido Amigo MANUEL CERQUEIRA, recebi e com muito apreço e transmito a todos os meus leitores o seguinte artigo:
INDIGNAÇÃO VOLUNTARIA
Neste tempo difícil, de fome e de desemprego, onde os mais idosos e carenciados não têm voz activa, pode haver um factor relevante que poderia ajudar e que está ao alcance de qualquer cidadão Barreirense, é a solidariedade para quem mais sofre. Hoje, ao contrário de um passado de algumas décadas, a solidariedade passou a estar cada vez mais distante. É um modo contínuo que todos nós podemos quebrar com a nossa mudança de atitude.
Eu também mudei e já sinto o destino, ambição e coragem do Provedor Dr. Júlio Freire dos membros da Mesa Administrativa dos nossos irmãos e de todos os trabalhadores da Irmandade em transformar a nossa Santa casa da Misericórdia do Barreiro na maior rede Social de apoio concreto e direto aos mais carenciados, Idosos e crianças.
Gosto desta paixão e visão do futuro. Se os inadiáveis e importantes investimentos (Equipamentos Sociais) que se constroem e desenvolvem actualmente nas instalações da Santa casa da Misericórdia do Barreiro são uma soma de coragem e de esperança, sairá, mais cedo ou mais tarde a alegria e satisfação do dever cumprido porque tem como objectivo principal e único as crianças os Idosos e os doentes mais necessitados como destinatários preferenciais.
Ao aceitar o convite, que muito me honra, para trabalhar graciosamente como voluntario na Santa casa da Misericórdia do Barreiro fiquei automaticamente sujeito á devassa pública e a ser gratuitamente enxovalhado anonimamente por gente cobarde e sem escrúpulos. “Vivi grande parte da minha vida no tempo do salazarismo, e ao que estou assistindo neste pobre e desgraçado Barreiro é ao renascer de uma nova elite de pides à cata de bufos para a sua nojenta paranóia persecutória. Nem Salazar e seus acólitos foram alguma vez tão longe na devassa anónima da vida dos cidadãos. É muito fácil para os marginais da noite, escondidos no anonimato dos Blogs e Email, dizer mal de quem não conhecem, é muito fácil para os frustrados da sociedade ofender a integridade moral de pessoas de bem, de barreirenses sérios, honestos que construíram a sua vida familiar com dignidade, com respeito e com valores sublimes que os pais lhes transmitiram”, é muito fácil para os oportunistas, parasitas da minha terra, produzirem anonimamente mentiras, denegrindo a imagem de homens e mulheres (gente honesta e com família) que na Instituição trabalham e que todos os dias procuram dar o seu melhor (dentro do possível) para que nada falte aos nossos idosos, crianças e carenciados.
É muito fácil para gentalha imbecilizada e sem vergonha difamar anonimamente ilustres figuras políticas da nossa autarquia.
É muito fácil para os canalhas da intriga gratuita ofender os responsáveis da Instituição (elementos de todos os órgãos sociais) que trabalham em parceria com todos os agentes económicos, sociais e culturais e população em geral, com lealdade de propósitos, com boa vontade, com interesses descomprometidos, com grande espírito de missão e sinceros desejos de dar aos demais o melhor de si próprios. Órgãos Sociais que democraticamente foram eleitos em Assembleia Geral pelos irmãos e que solenemente assumiram a enorme responsabilidade de gerir (com dificuldades) a maior entidade empregadora privada do concelho do Barreiro com mais de 250 colaboradores. É muito fácil dizer mal da Irmandade da Santa casa do Barreiro das suas magníficas 14 obras de Misericórdia e da Igreja Católica.”.
Lamento estas pessoas que já nem com as orelhas são capazes de sacudir as moscas, tenham perdido o bom senso e os valores da gratidão para com a Santa casa do Barreiro. O que é preciso é dizer mal. Sempre foi assim e será até à consumação dos séculos. Faz parte da forma de ser de certos cidadãos barreirenses (ou serão vilãos?!), reforçada com a preciosa ajuda da “madrinha” política. Invejas mesquinhas porque o lugar é de outro; pela cor política, ou a não obtenção de favores desejados, faz saltar o veneno da atoarda como chispa de isqueiro.
Mas apeteceu-me escrever a minha indignação dizendo o seguinte: “Sou um genuíno barreirense e nunca pactuei com mesquinhas atoardas de escárnio e mal dizer.
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!
Se querem que as vossas queixas venham directamente para a rua, escrevam desassombradamente para qualquer jornal – Nacional ou Regional - mas assumindo responsabilidades e devidamente identificados, e não tenham dúvidas de que tudo farei para que a luz da verdade jorre livremente.
Ficam muitos barreirenses, amigos e ilustres beneméritos da Santa casa da Misericórdia á espera da vossa coragem. Não me decepcionem.
INDIGNAÇÃO VOLUNTARIA
Neste tempo difícil, de fome e de desemprego, onde os mais idosos e carenciados não têm voz activa, pode haver um factor relevante que poderia ajudar e que está ao alcance de qualquer cidadão Barreirense, é a solidariedade para quem mais sofre. Hoje, ao contrário de um passado de algumas décadas, a solidariedade passou a estar cada vez mais distante. É um modo contínuo que todos nós podemos quebrar com a nossa mudança de atitude.
Eu também mudei e já sinto o destino, ambição e coragem do Provedor Dr. Júlio Freire dos membros da Mesa Administrativa dos nossos irmãos e de todos os trabalhadores da Irmandade em transformar a nossa Santa casa da Misericórdia do Barreiro na maior rede Social de apoio concreto e direto aos mais carenciados, Idosos e crianças.
Gosto desta paixão e visão do futuro. Se os inadiáveis e importantes investimentos (Equipamentos Sociais) que se constroem e desenvolvem actualmente nas instalações da Santa casa da Misericórdia do Barreiro são uma soma de coragem e de esperança, sairá, mais cedo ou mais tarde a alegria e satisfação do dever cumprido porque tem como objectivo principal e único as crianças os Idosos e os doentes mais necessitados como destinatários preferenciais.
Ao aceitar o convite, que muito me honra, para trabalhar graciosamente como voluntario na Santa casa da Misericórdia do Barreiro fiquei automaticamente sujeito á devassa pública e a ser gratuitamente enxovalhado anonimamente por gente cobarde e sem escrúpulos. “Vivi grande parte da minha vida no tempo do salazarismo, e ao que estou assistindo neste pobre e desgraçado Barreiro é ao renascer de uma nova elite de pides à cata de bufos para a sua nojenta paranóia persecutória. Nem Salazar e seus acólitos foram alguma vez tão longe na devassa anónima da vida dos cidadãos. É muito fácil para os marginais da noite, escondidos no anonimato dos Blogs e Email, dizer mal de quem não conhecem, é muito fácil para os frustrados da sociedade ofender a integridade moral de pessoas de bem, de barreirenses sérios, honestos que construíram a sua vida familiar com dignidade, com respeito e com valores sublimes que os pais lhes transmitiram”, é muito fácil para os oportunistas, parasitas da minha terra, produzirem anonimamente mentiras, denegrindo a imagem de homens e mulheres (gente honesta e com família) que na Instituição trabalham e que todos os dias procuram dar o seu melhor (dentro do possível) para que nada falte aos nossos idosos, crianças e carenciados.
É muito fácil para gentalha imbecilizada e sem vergonha difamar anonimamente ilustres figuras políticas da nossa autarquia.
É muito fácil para os canalhas da intriga gratuita ofender os responsáveis da Instituição (elementos de todos os órgãos sociais) que trabalham em parceria com todos os agentes económicos, sociais e culturais e população em geral, com lealdade de propósitos, com boa vontade, com interesses descomprometidos, com grande espírito de missão e sinceros desejos de dar aos demais o melhor de si próprios. Órgãos Sociais que democraticamente foram eleitos em Assembleia Geral pelos irmãos e que solenemente assumiram a enorme responsabilidade de gerir (com dificuldades) a maior entidade empregadora privada do concelho do Barreiro com mais de 250 colaboradores. É muito fácil dizer mal da Irmandade da Santa casa do Barreiro das suas magníficas 14 obras de Misericórdia e da Igreja Católica.”.
Lamento estas pessoas que já nem com as orelhas são capazes de sacudir as moscas, tenham perdido o bom senso e os valores da gratidão para com a Santa casa do Barreiro. O que é preciso é dizer mal. Sempre foi assim e será até à consumação dos séculos. Faz parte da forma de ser de certos cidadãos barreirenses (ou serão vilãos?!), reforçada com a preciosa ajuda da “madrinha” política. Invejas mesquinhas porque o lugar é de outro; pela cor política, ou a não obtenção de favores desejados, faz saltar o veneno da atoarda como chispa de isqueiro.
Mas apeteceu-me escrever a minha indignação dizendo o seguinte: “Sou um genuíno barreirense e nunca pactuei com mesquinhas atoardas de escárnio e mal dizer.
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!
Se querem que as vossas queixas venham directamente para a rua, escrevam desassombradamente para qualquer jornal – Nacional ou Regional - mas assumindo responsabilidades e devidamente identificados, e não tenham dúvidas de que tudo farei para que a luz da verdade jorre livremente.
Ficam muitos barreirenses, amigos e ilustres beneméritos da Santa casa da Misericórdia á espera da vossa coragem. Não me decepcionem.
domingo, 12 de junho de 2011
AMAR-TE OU NÃO TE AMAR, EIS A GRANDE QUESTÃO!
Desculpa lá dizer-te isto, Portugal, mas amar-te é coisa simples
Texto publicado no Jornal PÚBLICO, de 10.06.2011
MIGUEL ESTEVES CARDOSO
Portugal,
Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.
Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.
Eu não queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.
Teria preferido chegar à conclusão que te amava por uma lenta acumulação de razões, emoções e vantagens. Mas foi ao contrário. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso, e desde esse dia, que remédio, lá fui acumulando, lentamente, as razões por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras razões, para não te amar, ou não querer saber de ti.
Custou-me justificar o meu amor por ti. És difícil. És muito bonito e és doce mas és pouco dado a retribuir o amor de quem te ama.
Até dás a impressão que tanto te faz seres odiado como amado; que gostas de fingir que estás acima disso, olhando para os portugueses de agora como o céu olha para os passageiros nos aviões.
Já que estava apaixonado, sem maneira de me livrar – nem sequer voltando para ti e vivendo contigo mais trinta anos – que remédio tinha eu senão começar a convencer-me que havia razões para te amar.
Encontram-se sempre. E, a partir de certa altura, quando já são seis ou sete razões que se foram arranjando ao longo dos anos, deixamos de amaldiçoar este amor que nos prende a ti e, inevitavelmente, começamos a sentir-nos, muito estúpida e secretamente, vaidosos por te amarmos. Como se fossemos nós que tivéssemos sido escolhidos.
Digo nós mas falo por mim. Digo eu sabendo que não sou só eu, que nós somos muitos. Possivelmente todos. Tragicamente todos, um bocadinho. Se calhar estamos todos, de vez em quando, um bocadinho apaixonados por ti.
A tua pergunta bocejada, de país farto de ser amado, amado de mais, aborrecido com tanto amor, apesar da merda que tens feito e da maneira como nos pagas, é sempre a mesma: “Diz-me lá, então, porque é que me amas…”
Pois hoje vou-te dizer. Não me interessa nada a tua reacção. Estás a ver? Já comecei a mentir. É sinal que a minha carta de amor já começou.
Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça.
Mesmo que não achasse em ti senão defeitos e razões para deixar de te amar, preferia isso, mesmo deixando de te amar, a que não existisses.
Se deixasses de existir, o meu olhar ficava de luto e nunca mais podia olhar para o resto do mundo com os olhos inteiramente abertos ou secos ou interessados.
Para que continuasses a existir, mesmo fazendo cada vez mais merda, trocava imediatamente ir-me embora de ti e nunca mais poder voltar e nunca mais poder ver-te, e nunca mais encontrar um português ou uma portuguesa, e nunca mais poder ler ou ouvir a língua portuguesa.
E olha que este é um desejo que muitas vezes tenho.
Esta é a única verdadeira prova de amor: fazer tudo para que sobreviva quem se ama. Mesmo que nunca mais te víssemos, Portugal, saberíamos que continuavas a existir, que as nossas saudades teriam onde se agarrar. Por muito que mudasses, mal te deixássemos e nunca mais te víssemos, já não mudavas mais.
Mesmo que não houvesse em ti um único pormenor que não houvesse nos restantes países do mundo, que são muitos; mesmo que houvesse um país escondido que fosse igualzinho a Portugal em todos os pormenores; mesmo assim eu amar-te-ia como se fosses o único país do mundo, diferente em tudo.
Portanto, já viste, ó Portugal: não preciso de nenhuma razão para te amar. Amo-te sem razão. Amo-te às cegas, antes sequer de olhar para ti. Poder ser o pior país do mundo, ou o melhor, ou o mais monotonamente assim-assim. Não me interessa. Amo-te. Amo-te à mesma. Amo-te antes de falarmos nisso.
Amo-te tanto que, quando perguntas porque é que eu te amo, não fico nervoso nem irritado. Não preciso de tentar dar uma razão convincente. Amo-te à mesma, fiques ou não convencido.
E, mesmo que te aborreças de ouvir todas as razões que tenho para te amar, eu continuarei a dizê-las, porque gosto de dizê-las e porque, que diabo, também eu preciso, às vezes de me lembrar e de me convencer de quanto eu te amo.
Amo-te mesmo que sejas impossível de conhecer ou de descrever. Isto é muito importante. O Portugal que eu conheço e descrevo é apenas o Portugal que eu julgo, se calhar, conhecer (pouco) e descrever (mal).
Cada pessoa apaixonada por ti está apaixonada por um Portugal diferente do meu. Até o meu Portugal é, conforme os climas, bastante diferente do meu – para não dizer estrangeiro.
Por exemplo, uma das razões por que te amo é o teu clima. Acho que tens um bom clima. Mas não julgues que há muitos portugueses apaixonados por ti que concordam comigo. Esses julgam o teu clima dia a dia e hora a hora e gostam dele, quando muito, vinte por cento do ano. Em cada cinco horas do teu clima, gostam de uma e odeiam quatro.
Pois eu amo-te sem saber sequer se o teu clima é bom ou mau. Não tenho a certeza, mas não interessa: Amo-te mesmo ignorando tudo a teu respeito. Amo-te mesmo estando completamente enganado. A pessoa convencida que sou eu. Quem está convencido que ama, quando fala do seu amor, não quer convencer ninguém. Quer declarar que ama. Se é bom ou mau nem secundário é. Fica noutro mundo, onde vivemos.
Como vês, não preciso de razões para te amar. Mas tenho muitas. E boas. A primeira delas é secreta e embaraça-me confessá-la: Amo-te, Portugal porque, não sei como e contra todas as provas e possibilidades, acho que és o melhor país do mundo.
Pronto. Está dito. É uma vergonha pôr as coisas de uma maneira tão simples. Mas era isto que eu estava há que séculos para te dizer: Amo-te, Portugal, por seres o melhor país do mundo.
Como vês não sou o romântico que estava a fingir ser, que te ama sem precisar de razões para isso. Tenho uma razão muito interesseira para te amar: acho que és o melhor país do mundo. Por muito relativista que eu seja noutras coisas, acho mesmo que tive sorte de nascer aqui. Em ti. Aqui, entre nós.
Desculpa.
Mesmo assim, insistes em perguntar: que tens tu de tão especial, que os outros países não têm?
Essa íntima vaidade, por exemplo. Tu não és orgulhoso. Mas muito bem disfarçada, tens uma vaidade sem fim. Dizes-te feio e vestes-te mal mas, quando passas por um espelho, espreitas e achas-te giro. E se alguém te diz que és feio e estás mal vestido, não ficas ofendido – achas que aquela pessoa é obviamente estúpida e não tem olhos na cara.
Ou, pelo menos, não tem o discernimento e o bom gosto necessários para apreciar a tua oblíqua mas inegável formosura. A tua beleza, estás convencido, está reservada para os apreciadores. A ralé passa ao lado e não vê: deixá-la passar.
A tua vaidade é tanta que até te permites um grande desleixo. Sabes que, na terra onde nada plantas-te, há-de crescer um jardim preguiçoso que um dia será selvagem e bonito, sem qualquer esforço teu. Deus e o tempo trabalham por tua conta.
Texto publicado no Jornal PÚBLICO, de 10.06.2011
MIGUEL ESTEVES CARDOSO
Portugal,
Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.
Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.
Eu não queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.
Teria preferido chegar à conclusão que te amava por uma lenta acumulação de razões, emoções e vantagens. Mas foi ao contrário. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer espécie de aviso, e desde esse dia, que remédio, lá fui acumulando, lentamente, as razões por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras razões, para não te amar, ou não querer saber de ti.
Custou-me justificar o meu amor por ti. És difícil. És muito bonito e és doce mas és pouco dado a retribuir o amor de quem te ama.
Até dás a impressão que tanto te faz seres odiado como amado; que gostas de fingir que estás acima disso, olhando para os portugueses de agora como o céu olha para os passageiros nos aviões.
Já que estava apaixonado, sem maneira de me livrar – nem sequer voltando para ti e vivendo contigo mais trinta anos – que remédio tinha eu senão começar a convencer-me que havia razões para te amar.
Encontram-se sempre. E, a partir de certa altura, quando já são seis ou sete razões que se foram arranjando ao longo dos anos, deixamos de amaldiçoar este amor que nos prende a ti e, inevitavelmente, começamos a sentir-nos, muito estúpida e secretamente, vaidosos por te amarmos. Como se fossemos nós que tivéssemos sido escolhidos.
Digo nós mas falo por mim. Digo eu sabendo que não sou só eu, que nós somos muitos. Possivelmente todos. Tragicamente todos, um bocadinho. Se calhar estamos todos, de vez em quando, um bocadinho apaixonados por ti.
A tua pergunta bocejada, de país farto de ser amado, amado de mais, aborrecido com tanto amor, apesar da merda que tens feito e da maneira como nos pagas, é sempre a mesma: “Diz-me lá, então, porque é que me amas…”
Pois hoje vou-te dizer. Não me interessa nada a tua reacção. Estás a ver? Já comecei a mentir. É sinal que a minha carta de amor já começou.
Amo-te, primeiro, por não seres outro país. Amo-te por seres Portugal e estares cheio de portugueses a falar português. Não há nenhum outro país, por muito bom ou bonito, onde isso aconteça.
Mesmo que não achasse em ti senão defeitos e razões para deixar de te amar, preferia isso, mesmo deixando de te amar, a que não existisses.
Se deixasses de existir, o meu olhar ficava de luto e nunca mais podia olhar para o resto do mundo com os olhos inteiramente abertos ou secos ou interessados.
Para que continuasses a existir, mesmo fazendo cada vez mais merda, trocava imediatamente ir-me embora de ti e nunca mais poder voltar e nunca mais poder ver-te, e nunca mais encontrar um português ou uma portuguesa, e nunca mais poder ler ou ouvir a língua portuguesa.
E olha que este é um desejo que muitas vezes tenho.
Esta é a única verdadeira prova de amor: fazer tudo para que sobreviva quem se ama. Mesmo que nunca mais te víssemos, Portugal, saberíamos que continuavas a existir, que as nossas saudades teriam onde se agarrar. Por muito que mudasses, mal te deixássemos e nunca mais te víssemos, já não mudavas mais.
Mesmo que não houvesse em ti um único pormenor que não houvesse nos restantes países do mundo, que são muitos; mesmo que houvesse um país escondido que fosse igualzinho a Portugal em todos os pormenores; mesmo assim eu amar-te-ia como se fosses o único país do mundo, diferente em tudo.
Portanto, já viste, ó Portugal: não preciso de nenhuma razão para te amar. Amo-te sem razão. Amo-te às cegas, antes sequer de olhar para ti. Poder ser o pior país do mundo, ou o melhor, ou o mais monotonamente assim-assim. Não me interessa. Amo-te. Amo-te à mesma. Amo-te antes de falarmos nisso.
Amo-te tanto que, quando perguntas porque é que eu te amo, não fico nervoso nem irritado. Não preciso de tentar dar uma razão convincente. Amo-te à mesma, fiques ou não convencido.
E, mesmo que te aborreças de ouvir todas as razões que tenho para te amar, eu continuarei a dizê-las, porque gosto de dizê-las e porque, que diabo, também eu preciso, às vezes de me lembrar e de me convencer de quanto eu te amo.
Amo-te mesmo que sejas impossível de conhecer ou de descrever. Isto é muito importante. O Portugal que eu conheço e descrevo é apenas o Portugal que eu julgo, se calhar, conhecer (pouco) e descrever (mal).
Cada pessoa apaixonada por ti está apaixonada por um Portugal diferente do meu. Até o meu Portugal é, conforme os climas, bastante diferente do meu – para não dizer estrangeiro.
Por exemplo, uma das razões por que te amo é o teu clima. Acho que tens um bom clima. Mas não julgues que há muitos portugueses apaixonados por ti que concordam comigo. Esses julgam o teu clima dia a dia e hora a hora e gostam dele, quando muito, vinte por cento do ano. Em cada cinco horas do teu clima, gostam de uma e odeiam quatro.
Pois eu amo-te sem saber sequer se o teu clima é bom ou mau. Não tenho a certeza, mas não interessa: Amo-te mesmo ignorando tudo a teu respeito. Amo-te mesmo estando completamente enganado. A pessoa convencida que sou eu. Quem está convencido que ama, quando fala do seu amor, não quer convencer ninguém. Quer declarar que ama. Se é bom ou mau nem secundário é. Fica noutro mundo, onde vivemos.
Como vês, não preciso de razões para te amar. Mas tenho muitas. E boas. A primeira delas é secreta e embaraça-me confessá-la: Amo-te, Portugal porque, não sei como e contra todas as provas e possibilidades, acho que és o melhor país do mundo.
Pronto. Está dito. É uma vergonha pôr as coisas de uma maneira tão simples. Mas era isto que eu estava há que séculos para te dizer: Amo-te, Portugal, por seres o melhor país do mundo.
Como vês não sou o romântico que estava a fingir ser, que te ama sem precisar de razões para isso. Tenho uma razão muito interesseira para te amar: acho que és o melhor país do mundo. Por muito relativista que eu seja noutras coisas, acho mesmo que tive sorte de nascer aqui. Em ti. Aqui, entre nós.
Desculpa.
Mesmo assim, insistes em perguntar: que tens tu de tão especial, que os outros países não têm?
Essa íntima vaidade, por exemplo. Tu não és orgulhoso. Mas muito bem disfarçada, tens uma vaidade sem fim. Dizes-te feio e vestes-te mal mas, quando passas por um espelho, espreitas e achas-te giro. E se alguém te diz que és feio e estás mal vestido, não ficas ofendido – achas que aquela pessoa é obviamente estúpida e não tem olhos na cara.
Ou, pelo menos, não tem o discernimento e o bom gosto necessários para apreciar a tua oblíqua mas inegável formosura. A tua beleza, estás convencido, está reservada para os apreciadores. A ralé passa ao lado e não vê: deixá-la passar.
A tua vaidade é tanta que até te permites um grande desleixo. Sabes que, na terra onde nada plantas-te, há-de crescer um jardim preguiçoso que um dia será selvagem e bonito, sem qualquer esforço teu. Deus e o tempo trabalham por tua conta.
ACREDITAR OU NÃO ACREDITAR, EIS A QUESTÃO!
PORQUE ACREDITO NO MEU PAÍS!
Texto publicado no Jornal do Barreiro, de 10.06.2011
ANA PORFÍRIO
Ainda assim acredito, acredito que apesar de tudo o meu país pode erguer-se, acredito que podemos usar esta maravilha de costa para reactivar uma pesca desmantelada que possa gerar riqueza, trabalho e ser sustentável, acredito que a mesma costa possa sustentar uma indústria turística equilibrada, que gere emprego e riqueza e que ainda assim não estrague o resto da imensa beleza natural e que, já agora, os Portugueses possam desfrutar dela.
Acredito que o meu país tem condições para a produção agrícola, para produções várias, de indústrias competitivas, não poluentes, geradoras de riqueza e emprego, acredito nas nossas florestas, nas nossas montanhas, no nosso património, no nosso rico e maravilhoso património.
Não falo só dos belos castelos, museus, palácios, ruínas romanas, castros celtas, obras de engenharia e arquitectura, não falo só disso, nem tão pouco falo só no nosso património gastronómico, da nossa literatura, do nosso património musical, dos nossos poetas, pintores, actores, músicos, escultores, que são muitos, que são bons, reconhecidos em todo o mundo e sim são uma riqueza incalculável.
Acima de tudo, ainda assim, acredito nas pessoas do meu país, nos que cá nasceram, nos que o escolheram para viver.
Acredito que temos este potencial sobrevivente de dar a volta a esta situação, de criar um país com emprego, um país não dependente de outros, das suas ordens, das suas esmolas, nem das suas imposições.
Um país com futuro, onde a velhice não seja um estado entre a sobrevivência e a miséria, onde a educação igual seja uma realidade para todas as crianças, onde a saúde não seja um luxo proporcional ao bolso, onde a alimentação não seja uma luta, onde o emprego não seja uma benesse ou um acaso da sorte, onde a justiça não seja um jogo de azar, onde a dignidade seja tão banal que nem sequer nos surpreenda.
Por acreditar em tudo isso, continuarei a lutar, por acreditar em tudo isso sei que talvez o meu país demore mais tempo do que eu gostaria, a lá chegar.
Mas por acreditar nisso, por acreditar no meu país, não desisto dele!
Texto publicado no Jornal do Barreiro, de 10.06.2011
ANA PORFÍRIO
Ainda assim acredito, acredito que apesar de tudo o meu país pode erguer-se, acredito que podemos usar esta maravilha de costa para reactivar uma pesca desmantelada que possa gerar riqueza, trabalho e ser sustentável, acredito que a mesma costa possa sustentar uma indústria turística equilibrada, que gere emprego e riqueza e que ainda assim não estrague o resto da imensa beleza natural e que, já agora, os Portugueses possam desfrutar dela.
Acredito que o meu país tem condições para a produção agrícola, para produções várias, de indústrias competitivas, não poluentes, geradoras de riqueza e emprego, acredito nas nossas florestas, nas nossas montanhas, no nosso património, no nosso rico e maravilhoso património.
Não falo só dos belos castelos, museus, palácios, ruínas romanas, castros celtas, obras de engenharia e arquitectura, não falo só disso, nem tão pouco falo só no nosso património gastronómico, da nossa literatura, do nosso património musical, dos nossos poetas, pintores, actores, músicos, escultores, que são muitos, que são bons, reconhecidos em todo o mundo e sim são uma riqueza incalculável.
Acima de tudo, ainda assim, acredito nas pessoas do meu país, nos que cá nasceram, nos que o escolheram para viver.
Acredito que temos este potencial sobrevivente de dar a volta a esta situação, de criar um país com emprego, um país não dependente de outros, das suas ordens, das suas esmolas, nem das suas imposições.
Um país com futuro, onde a velhice não seja um estado entre a sobrevivência e a miséria, onde a educação igual seja uma realidade para todas as crianças, onde a saúde não seja um luxo proporcional ao bolso, onde a alimentação não seja uma luta, onde o emprego não seja uma benesse ou um acaso da sorte, onde a justiça não seja um jogo de azar, onde a dignidade seja tão banal que nem sequer nos surpreenda.
Por acreditar em tudo isso, continuarei a lutar, por acreditar em tudo isso sei que talvez o meu país demore mais tempo do que eu gostaria, a lá chegar.
Mas por acreditar nisso, por acreditar no meu país, não desisto dele!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Professora fala sobre educação
Professora fala sobre educação e vira heroína nas redes sociais
Publicado em: “ÉPOCA Online”
Amanda Gurgel, uma professora, foi chamada a falar em uma Audiência Pública sobre a situação da educação no Rio Grande do Norte, para deputados e políticos em geral.
Acabou fazendo um resumo preciso da educação no país, e está virando heroína da causa nas redes sociais. Desde o começo da tarde de quarta-feira o nome “Amanda Gurgel” já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter.
Ela foi absolutamente contundente. Objetiva!!!! Tiro o meu chapéu pra essa colega que, apesar de estar se referindo especificamente aos professores do Rio Grande do Norte, falou por todos os professores de escolas públicas deste país de analfabetos, sobretudo, pelos professores da nossa rede estadual de São Paulo. Um grande abraço a todos! Educar é a minha rebeldia!
Oiça a intervenção da Amanda Gurjel em : YOU TUBE (Amanda Gurgel Professora)
Agora delicie-se com alguns dos comentários de colegas e não só!
Será que em Portugal também haverá escondida alguma professora com coragem para denunciar o muito que de errado lavra na “EDUCAÇÂO E ENSINO EM PORTUGAL”?
Esperemos que ela ou ele surja muito rápidamente. Ou será, que o Sindicato não lhe permite?
Edgard Gobbi:- Parabéns à professora Amanda Gurgel pela maneirobjetiva que abordou o baixo salário do professorO tempo passa e os problemas da sociedadbrasileira como educação e saúde nunca são encarados como prioridadeEm vez de Copa do Mundo, Olimpíadas e Trem Bala,por que não tratamos de solucionar os problemas da educação e saúde que são prioritários no momento? Não dá para esperar mais! Chega de blablablá !
George Q. Almeida:- Parabéns Amanda Gurgel. Se todos nós na qualidade de Educadores e Formadores de opinião tivéssemos 1% da coragem e disposição que vc tem, a situação precária em que se encontra a Educação do país já teria mudado.É chegado o momento de juntos professores(as),divulgarmos o que realmente vem acontecendo em sala. Onde, nós na condição de Educadores enfrentamos uma sobrecarga de tabalho tendo que desempenhar as seguintes funções:Mediador,Psicõlogo,Apaziguador,Pai,Mãe,Humorista,Educador e Ouvidor, além de estarmos graduados e pósgraduados. Entre outros, não tendo nossos valores recomhecidos, ainda temos que pagar transporte p/ nossa locomoção e sermos sujeitos a comer boia fria “uma vez que a merenda é do aluno”. Aí, eu me pergunto!Não é chegada a hora de mudarrmos esta situação? Pois, pelo que vejo “este tipo de (EDUCAÇÃO)não está mudando a nação”. Acorda amigo Professor!Acorda amiga professora!Aliás! Acorda meu querido Brasilsilsilsilsil
Ivanilda T. Almeida:- Gostei de seu depoimento, ele reflete a realidade da Educação em nosso País. Espero que se tome alguma providência antes que seja tarde demais. Temos que sair desse mundo de faz de conta. Um abraço.
Geraldo M. de Souza:- Parabéns professora, é uma pena que não exista uma noção por parte dos profissionais desta área da importância que eles têem, porquê é o professor formador do cidadão, e, se hoje nos deparamos com estes mesmos cidadãos administrando o nosso país, imagine os que viram pela frente. Não adianta parar apenas um Estado, precisa-se parar o País, porquê a feira do vizinho agente faz da janela da nossa casa.
Clarice Salari:- Retrato fiel de um Brasil que sobrevive com dignidade e paga os luxos de uma elite política, que se limita simplesmente a legislar em proveito próprio e que faz da educação mercadoria de troca. Lavou a alma de todos os que trabalham com Educação. Parabéns pela coragem e determinação.
Rejane:- Esta é a realidade da educação brasileira. Como a professora Amanda tão bem descreveu.Assim como ela eu também sou professora e acredito que infelizamente a educação em nosso país não é prioridade, pois se fosse o professor seria valorizado e tratado com respeito e isso não acontece. Adorei suas palavras e me senti contemplada com cada uma delas. Parabéns!
PCRL: - AMANDA GURGEL é mais do que HEROÍNA. Disse a Verdade Verdadeira,emudecendo e causando reflexão a todo o POVO,do qual EMANA TODO O PODER (Art.1º,da CF/1988).Infelizmente,no Brasil,verifica-se que os detentores dos Poderes da União e demais gestores da Administração Pública se deslumbram com os afagos de privilégios,acreditando que NÃO são Pessoas Comuns… Esquecem que sem objetivos bem definidos NÃO se chega a lugar nenhum. Os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS previstos no Art.3º,da CF/1988,pressupôem base na EDUCAÇÃO-EDUCAÇÃO-EDUCAÇÃO, para serem atingidos.Devemos EXIGIR Prestação de Contas,semestralmente,com apoio da IMPRENSA livre,honesta e independente,que é outra HEROÍNA….
Weidy França:- É de arrepiar os comentários sobre a situação absurda dos professores no Brasil, é vergonhoso !A professora que deu uma lição a todos nós brasileiros que tanto nos orgulhamos de ter uma educação privilegiada, o que não é o caso de tantas crianças que não tem condições mínimas para estudar porque o professor além de ser mau remunerado ainda precisa fazer milagre na sala de aula !
Sandra:- Ela foi extremamente corajosa em relatar a realidade de tudo que nós professores passamos, tenha a certeza que se houvesse mais tempo, teria muito mais a falar, porque isso é apenas uma pequena parte do que passamos e tenho a certeza de que o que fazemos é considerado mais uma Missão do que verdadeiramente uma profissão, pois para recebermos essa recompensa e se estamos ainda nessa tão sofrida profissão é porque amamos o que fazemos …
Publicado em: “ÉPOCA Online”
Amanda Gurgel, uma professora, foi chamada a falar em uma Audiência Pública sobre a situação da educação no Rio Grande do Norte, para deputados e políticos em geral.
Acabou fazendo um resumo preciso da educação no país, e está virando heroína da causa nas redes sociais. Desde o começo da tarde de quarta-feira o nome “Amanda Gurgel” já está na lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter.
Ela foi absolutamente contundente. Objetiva!!!! Tiro o meu chapéu pra essa colega que, apesar de estar se referindo especificamente aos professores do Rio Grande do Norte, falou por todos os professores de escolas públicas deste país de analfabetos, sobretudo, pelos professores da nossa rede estadual de São Paulo. Um grande abraço a todos! Educar é a minha rebeldia!
Oiça a intervenção da Amanda Gurjel em : YOU TUBE (Amanda Gurgel Professora)
Agora delicie-se com alguns dos comentários de colegas e não só!
Será que em Portugal também haverá escondida alguma professora com coragem para denunciar o muito que de errado lavra na “EDUCAÇÂO E ENSINO EM PORTUGAL”?
Esperemos que ela ou ele surja muito rápidamente. Ou será, que o Sindicato não lhe permite?
Edgard Gobbi:- Parabéns à professora Amanda Gurgel pela maneirobjetiva que abordou o baixo salário do professorO tempo passa e os problemas da sociedadbrasileira como educação e saúde nunca são encarados como prioridadeEm vez de Copa do Mundo, Olimpíadas e Trem Bala,por que não tratamos de solucionar os problemas da educação e saúde que são prioritários no momento? Não dá para esperar mais! Chega de blablablá !
George Q. Almeida:- Parabéns Amanda Gurgel. Se todos nós na qualidade de Educadores e Formadores de opinião tivéssemos 1% da coragem e disposição que vc tem, a situação precária em que se encontra a Educação do país já teria mudado.É chegado o momento de juntos professores(as),divulgarmos o que realmente vem acontecendo em sala. Onde, nós na condição de Educadores enfrentamos uma sobrecarga de tabalho tendo que desempenhar as seguintes funções:Mediador,Psicõlogo,Apaziguador,Pai,Mãe,Humorista,Educador e Ouvidor, além de estarmos graduados e pósgraduados. Entre outros, não tendo nossos valores recomhecidos, ainda temos que pagar transporte p/ nossa locomoção e sermos sujeitos a comer boia fria “uma vez que a merenda é do aluno”. Aí, eu me pergunto!Não é chegada a hora de mudarrmos esta situação? Pois, pelo que vejo “este tipo de (EDUCAÇÃO)não está mudando a nação”. Acorda amigo Professor!Acorda amiga professora!Aliás! Acorda meu querido Brasilsilsilsilsil
Ivanilda T. Almeida:- Gostei de seu depoimento, ele reflete a realidade da Educação em nosso País. Espero que se tome alguma providência antes que seja tarde demais. Temos que sair desse mundo de faz de conta. Um abraço.
Geraldo M. de Souza:- Parabéns professora, é uma pena que não exista uma noção por parte dos profissionais desta área da importância que eles têem, porquê é o professor formador do cidadão, e, se hoje nos deparamos com estes mesmos cidadãos administrando o nosso país, imagine os que viram pela frente. Não adianta parar apenas um Estado, precisa-se parar o País, porquê a feira do vizinho agente faz da janela da nossa casa.
Clarice Salari:- Retrato fiel de um Brasil que sobrevive com dignidade e paga os luxos de uma elite política, que se limita simplesmente a legislar em proveito próprio e que faz da educação mercadoria de troca. Lavou a alma de todos os que trabalham com Educação. Parabéns pela coragem e determinação.
Rejane:- Esta é a realidade da educação brasileira. Como a professora Amanda tão bem descreveu.Assim como ela eu também sou professora e acredito que infelizamente a educação em nosso país não é prioridade, pois se fosse o professor seria valorizado e tratado com respeito e isso não acontece. Adorei suas palavras e me senti contemplada com cada uma delas. Parabéns!
PCRL: - AMANDA GURGEL é mais do que HEROÍNA. Disse a Verdade Verdadeira,emudecendo e causando reflexão a todo o POVO,do qual EMANA TODO O PODER (Art.1º,da CF/1988).Infelizmente,no Brasil,verifica-se que os detentores dos Poderes da União e demais gestores da Administração Pública se deslumbram com os afagos de privilégios,acreditando que NÃO são Pessoas Comuns… Esquecem que sem objetivos bem definidos NÃO se chega a lugar nenhum. Os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS previstos no Art.3º,da CF/1988,pressupôem base na EDUCAÇÃO-EDUCAÇÃO-EDUCAÇÃO, para serem atingidos.Devemos EXIGIR Prestação de Contas,semestralmente,com apoio da IMPRENSA livre,honesta e independente,que é outra HEROÍNA….
Weidy França:- É de arrepiar os comentários sobre a situação absurda dos professores no Brasil, é vergonhoso !A professora que deu uma lição a todos nós brasileiros que tanto nos orgulhamos de ter uma educação privilegiada, o que não é o caso de tantas crianças que não tem condições mínimas para estudar porque o professor além de ser mau remunerado ainda precisa fazer milagre na sala de aula !
Sandra:- Ela foi extremamente corajosa em relatar a realidade de tudo que nós professores passamos, tenha a certeza que se houvesse mais tempo, teria muito mais a falar, porque isso é apenas uma pequena parte do que passamos e tenho a certeza de que o que fazemos é considerado mais uma Missão do que verdadeiramente uma profissão, pois para recebermos essa recompensa e se estamos ainda nessa tão sofrida profissão é porque amamos o que fazemos …
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