segunda-feira, 30 de maio de 2011

Revisão d'Os Lusíadas na Crise...

Diria agora Camões...
À rasca...espalharei por toda a parte


As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana.
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Nas campanhas com que nos enganaram!

II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III
Falam da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calam-se aqueles que, por engano,
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV
E vós, ninfas do Douro onde eu nado,
Por quem sempre senti carinho ardente,
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SOMOS EFECTIVAMENTE OS MAIORES!

O Carácter internacionalista do povo Português!
Se tem um problema intrincado: Vê-se grego
Se não compreende alguma coisa: "Aquilo" é chinês
Se trabalha de manhã à noite: Trabalha que nem um mouro
Se vê uma invenção moderna: É uma americanice
Se alguém fala muito depressa: Fala que nem espanhol
Se alguém vive com luxo: Vive à grande e à francesa
Se alguém quer causar boa impressão: É só para inglês ver
Se alguém tenta regatear um preço: É pior que cigano!
Se alguém é agarrado ao dinheiro: É pior que judeu
Se vê alguém a divertir-se: Está a gozar que nem um preto
Se vê alguém com um fato claro vestido: Parece um brasileiro
Se vê uma loura alta e gira: Parece uma autêntica sueca
Se quer um café curtinho: Pede uma italiana
Se vê horários serem cumpridos: É pontualidade britânica
Se vê um militar bem fardado: Parece um soldado alemão
Se uma máquina funciona bem: É como um relógio suíço
Mas quando alguma coisa corre mal: É "à PORTUGUESA"

O INEVITÁVEL É INVIÁVEL!

O inevitável é inviável: Manifesto dos 74 nascidos depois de 74
Bruno Sena Martins, in “AEIOU Expresso”

---" Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma "evolução", colocando o "R" no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro. O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara - com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do "grande centro" ideológico - pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde. O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX. O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população. Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em "credores" aqueles que lucram com a dívida, em "resgate financeiro" a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em "consenso alargado" a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!---"

Alexandre de Sousa Carvalho - Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac - antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos - sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom - animadora sociocultural; André Avelãs - artista; André Rosado Janeco - bolseiro de doutoramento; António Cambreiro - estudante; Artur Moniz Carreiro - desempregado; Bruno Cabral - realizador; Bruno Rocha - administrativo; Bruno Sena Martins - antropólogo; Carla Silva - médica, sindicalista; Catarina F. Rocha - estudante; Catarina Fernandes - animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro - estudante; Catarina Lobo - estudante; Celina da Piedade - música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo - livreira; Cláudia Fernandes - desempregada; Cristina Andrade - psicóloga; Daniel Sousa - guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano - tradutora; Fernando Ramalho - músico; Francisca Bagulho - produtora cultural; Francisco Costa - linguista; Gui Castro Felga - arquitecta; Helena Romão - música, musicóloga; Joana Albuquerque - estudante; Joana Ferreira - lojista; João Labrincha - Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel - actriz; João Pacheco - jornalista; João Ricardo Vasconcelos - politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues - economista; José Luís Peixoto - escritor; José Neves - historiador, professor universitário; José Reis Santos - historiador; Lídia Fernandes - desempregada; Lúcia Marques - curadora, crítica de arte; Luís Bernardo - estudante de doutoramento; Maria Veloso - técnica administrativa; Mariana Avelãs - tradutora; Mariana Canotilho - assistente universitária; Mariana Vieira - estudante de doutoramento; Marta Lança - jornalista, editora; Marta Rebelo - jurista, assistente universitária; Miguel Cardina - historiador; Miguel Simplício David - engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) - artista; Nuno Leal - estudante; Nuno Teles - economista; Paula Carvalho - aprendiz de costureira; Paula Gil - Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos - jornalista; Ricardo Araújo Pereira - humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos - engenheiro civil; Ricardo Noronha - historiador; Ricardo Sequeiros Coelho - bolseiro de investigação; Rita Correia - artesã; Rita Silva - animadora; Salomé Coelho - investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa - jornalista; Sara Vidal - música; Sérgio Castro - engenheiro informático; Sérgio Pereira - militar; Tiago Augusto Baptista - médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues - bioquímico; Tiago Gillot - engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz - programador cultural; Tiago Mota Saraiva - arquitecto; Tiago Ribeiro - sociólogo; Úrsula Martins - estudante

terça-feira, 17 de maio de 2011

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ
de ANA PORFÍRIO
(Artigo publicado na Coluna OPINIÃO do JORNAL DO BARREIRO)

O dia de amanhã não vai ser fácil aliás vai ser duro, no dia de amanhã muitos serão os sonhos que ficarão congelados, as esperanças suspensas, por outro lado outras coisas nem por isso haverá coisas que continuarão, nem sequer ao seu ritmo mas um ritmo maior, poderá, claro, pensar-se, dizer-se, que é inevitável, que é nos sonhos que se terá de cortar, por acaso não acho, não acho que tenha de cortar nos meus sonhos, pequenos e simples, que se tenha de suspender o prazer de ver um filme, a magia sempre nova do teatro, de um concerto, a aventura de ler um livro, um dia de passeio ou uns dias de passeios em troca de mais impostos, juros mais altos, pelo privilégio de ter a energia mais cara da Europa, porque existem coisas que nos dizem ser intocáveis como os lucros da banca ou as directrizes europeias.
Aliás foram, entre outros, os lucros da banca que nos levaram até á posição ridícula de patrocinar desvarios privados de lucros chorudos, foi o dinheiro dos meus sonhos, o dinheiro que me é retirado todos os meses do salário, o dinheiro que é valor acrescentado em cada alface e cada par de peúgas que compro, que serviu para financiar o BPN, é esse meu capital de sonhos, do sonho de ter futuro para os meus filhos, neste país, onde por acaso nasci, e que aprendi a amar profundamente, tão profundamente que ainda me dói as oportunidades desperdiçadas, as traineiras abatidas, as fábricas fechadas, os braços caídos frustrados por ninguém os querer a menos que de modo quase escravo, as oliveiras, as vinhas arrancadas, a troco de normas que só servem outros interesses e de alguns tostões que para além de terem a capacidade de não produzir mais nada, ao contrário das oliveiras e das vinhas, diluíram-se em muitos bolsos impunes.
No dia de amanhã os meus sonhos estarão em suspenso, congelados, em nome de mais uma vaga de sacrifícios, que não será para todos, será para muitos no geral e para outros será particularmente fácil falar dela porque a tal vaga nunca os atinge. Este será o dia de amanhã.
Nada me impede de amanhã começar a lutar para que o dia depois de amanhã seja o dia dos meus sonhos. E a ti?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

PORTUGUESES, P.F. TENHAM MUITA ATENÇÃO!

Portugueses:

Um amigo meu, comprou um frigorífico novo e, para se livrar do velho, colocou-o em frente do prédio, no passeio, com o aviso: "Grátis e a funcionar. Se quiser, pode levar".
O frigorífico ficou três dias no passeio, sem receber um olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta. Parecia bom de mais para ser verdade e mudou o aviso: "Frigorífico à venda por 50,00"
No dia seguinte, tinha sido roubado!

Cuidado! Este tipo de gente vota!

Ao visitar uma casa para alugar, o meu irmão perguntou à agente imobiliária para que lado era o Norte, porque não queria que o sol o acordasse todas as manhãs.
A agente perguntou: "O sol nasce no Norte?"
Quando o meu irmão lhe explicou que o sol nasce a Nascente (aliás, daí o nome) e que há muito tempo que isso acontece, ela disse: "Eu não estou actualizada a respeito destes assuntos".

Ela também vota!

Trabalhei uns anos num centro de atendimento a clientes em Ponta Delgada - Açores. Um dia, recebi um telefonema de um sujeito que perguntou em que horário o centro de atendimento estava aberto. Eu respondi: "O número que o senhor discou está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana."
Ele então perguntou: "Pelo horário de Lisboa ou pelo horário de Ponta Delgada?"
Para acabar logo com o assunto, respondi: "Horário do Brasil."

Ele vota!

Um colega e eu estávamos a almoçar no self-service da empresa, quando ouvimos uma das assistentes administrativas falar a respeito das queimaduras de sol com que tinha ficado, por ter ido de carro para o litoral.
Estava num descapotável, por isso, "não pensou que ficasse queimada, pois o carro estava em movimento."

Ela também vota!

A minha prima tem uma ferramenta salva-vidas no carro, para cortar o cinto de segurança, no caso de ficar presa nele. Mas guarda a ferramenta no porta-bagagens !

A minha prima também vota!

Uns amigos e eu fomos comprar cerveja para uma festa e notámos que as grades tinham desconto de 10%. Como era uma festa grande, comprámos 2 grades.
O caixa multiplicou 10% por 2 e fez um desconto de 20% ...

Ele também vota!

Saí com um amigo e vimos uma rapariga com uma argola no nariz, ligada a um brinco por meio de uma corrente. O meu amigo disse: "Será que a corrente não dá um puxão no nariz, cada vez que ela vira a cabeça?"
Expliquei-lhe que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem à mesma distância, independentemente da pessoa virar a cabeça ou não.

O meu amigo também vota!

Ao chegar de avião, as minhas malas nunca mais apareciam na área de recolha da bagagem. Fui então ao sector da bagagem extraviada e disse à funcionária que as minhas malas não tinham aparecido.
Ela sorriu e disse-me para não me preocupar, porque ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. "Agora diga-me uma coisa, perguntou ... o seu avião já chegou?"

Ela também vota!

Numa pizzaria, quando estava à espera de ser atendido, vi um homem a pedir uma pizza para levar para casa. Estava sozinho, e o empregado perguntou se ele preferia que a pizza fosse cortada em 4 pedaços ou em 6.
Ele pensou algum tempo, e respondeu: "Corte em 4 pedaços; acho que não estou com fome suficiente para comer 6 pedaços."

Isso mesmo, ele também vota!

Agora já sabes QUEM anda a eleger os MESMOS POLÍTICOS há mais de 6 anos !

quarta-feira, 11 de maio de 2011

PARA QUEM NÃO TEVE OPORTUNIDADE DE OUVIR.

Trecho da Intervenção do Dr. Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, por ocasião da Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial 2011

Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia da República.
Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça.

---“ Não é só na Justiça que as coisas vão mal. A generalidade dos cidadãos, sente que o País vive um dos momentos mais difíceis da sua história, e pode estar na eminência de fazer sacrifícios colectivos, sem precedência, na vida de mais de um Século da nossa República.
Temos a sensação que o Estado se dissolve e as Instituições se desmoronam. Ao longo dos anos a corrupção alastrou a todos os níveis do aparelho do Estado. Pessoas houve que acumularam fortunas gigantescas no exercício das mais altas funções públicas, durante anos e à vista de toda a gente, sem que aparentemente ninguém se apercebesse ou se incomodasse, ou isso.
Houve verdadeiros assaltos aos recursos públicos sem quaisquer consequências visíveis, a não ser o enriquecimento obsceno dos seus autores.
Bancos foram saqueados em milhares de milhões de euros e os principais beneficiários continuam impunes, gozando obscenamente as delícias dessa audácia.
A democracia herdou da ditadura um Estado riquíssimo com centenas de toneladas de ouro no Banco de Portugal, e com um gigantesco património imobiliário.
O País recebeu, desde meados dos anos 80, avultados recursos financeiros da Europa, que se traduziram em milhares e milhares de milhões de euros. Porém, tudo isso desapareceu na voragem de um novo-riquismo consumista, sem paralelo na nossa história, ou então, em negócios público-privados fomentados por redes de interesses obscuros.
Ao longo de décadas, a nossa jovem democracia, foi sendo minada nos seus alicerces morais, pela acção de poderosas redes de corrupção e de tráfico de influências, que asfixiaram e manietaram o estado democrático.
Nem na época do monopólio do comércio com a Índia, ou no tempo da abundância gerada pelo ouro do Brasil, se terão esbanjado tantos recursos. Po herança do Estado Novo ou por transferência da Europa, Portugal dispôs nas últimas quatro décadas, de recursos económicos vultuosíssimos, que foram dissipados por nós todos, sem sermos capazes de crias mecanismos sólidos de riqueza ou construir alicerces – os alicerces de uma economia saudável.
• Que é feito daqueles vultuosos recursos financeiros?
• Que é feito da nossa agricultura?
• Que é feito das nossas pescas?
• Que é feito da antiga excelência das nossas Universidades?
Parece que tudo se dissipou de repente. As Universidades públicas mercantilizaram-se e já não preparam adequadamente os jovens, para as necessidades da economia e da sociedade. Só lhes interessa o dinheiro das propinas ou das elevadas prestações, que cobram aos estudantes.
Por isso, vendem cursos, vendem licenciaturas, vendem diplomas e graus académicos. Muitos licenciados parecem analfabetos, quando confrontados com as necessidades de um mercado, cada vez mais exigente.
Durante muitos anos, senti orgulho em pertencer a uma geração, que lutou com coragem, contra a ditadura e ajudou a construir a democracia com entusiasmo. Foram tempos de confiança no futuro e de esperança num País, que todos gostaríamos mais próspero e mais digno.
Confiança e esperança que ingenuamente transmiti às minhas filhas, até que subitamente, acordámos em sobressalto desse sonho. Afinal, a realidade era um pesadelo e hoje interrogo-me aqui publicamente:
• O que é que eu posso dizer aos meus filhos?
• O que é que a minha geração tem a deixar para os seus filhos e netos? – Desemprego, Precariedade, Desigualdade e Dívidas, muitas dívidas, para eles pagarem, porque nós gastámos.
Mais de metade do IRS cobrado aos portugueses, é para pagar a dívida do Estado. Praticamente, todas as semanas, o Estado tem pedido dinheiro emprestado, para fazer face às suas despesas. Já estamos a pedir empréstimos para pagar dívidas.
Fizeram-se parcerias público-privadas em que os prejuízos são sempre para a parte pública e os lucros escandalosos, quase sempre para a parte privada. O Estado utiliza todos os meios, incluindo os menos ortodoxos, para contornar as regras da contabilidade pública, já estendendo métodos às próprias autarquias, através das célebres Empresas Municipais.
O País e o Povo empobrecem, enquanto outros enriquecem escandalosamente. O Estado asfixia o Povo e as Empresas com impostos, parte dos quais se destina a pagar os deficits de Empresas cujos Gestores auferem principescas remunerações.
Alguns desses Gestores, em cerca de um ano ou dois, auferem quantias que muitos portugueses, não conseguem ganhar durante uma vida inteira de trabalho honesto. Mas são os impostos e as taxas destes últimos, que em muitos casos, irão pagar as obscenas remunerações daqueles.
Os portugueses suportam as mais pesadas incidências de impostos, mas mesmo assim tem de pagar elevadas taxas, quando precisam de recorrer à justiça, circular nas auto-estradas, frequentas as Universidades do Estado ou mesmo tratar-se nos Hospitais públicos.
O índice social e económico de um País, não se mede tanto pelos baixos salários, mas sim pelos enormes vencimentos com que onera as suas elites, nomeadamente os Gestores das Empresas do Estado.
Mas seja qual for o critério, Portugal é sem dúvida, um dos países mais atrasados, pois aqui praticam-se algumas das mais baixas e algumas das mais altas remunerações do Mundo.
A situação do País atingiu tal ponto, que hoje todos temos de reconhecer publicamente esta evidência: AS NOSSAS ELITES FALHARAM! Falharam e conduziram o País à beira do caos económico e financeiro, e mais do que isso, perante o confrangedor aumento da pobreza de uns e a escandalosa acumulação de riqueza de outros.
Fica-nos a ideia de que as nossas elites ou parte delas, procederam a um verdadeiro saque do Estado e dos recursos públicos do País. E agora, como nos tempos mais difíceis da nossa história, será mais uma vez o povo português, que terá de resolver a situação, suportando os sacrifícios, pagando as facturas dos erros e esbanjamentos de uns, e ainda dos roubos de outros, levados a cabo ao longo das últimas décadas.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia da República.
Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça.

No meio deste panorama, cujas consequências não estão, ainda, totalmente diagnosticadas, quero deixar uma nota final, para enaltecer o papel da Igreja Católica e, nomeadamente realçar a acção altamente meritória, que as várias Organizações, dela dependentes, tem realizado um pouco por todo o País, atenuando as consequências mais dramáticas da pobreza, que tem vindo a alastrar.
A Ordem dos Advogados é uma Entidade Laica e eu próprio não sou católico, nem sequer religioso. Porém, queremos aqui louvar publicamente a acção humanitária, levada a cabo por centenas ou milhares de católicos anónimos, que movidos apenas pelos impulsos mais generosos da sua fé, ajudam os seus semelhantes, a suportarem as agruras da miséria que se tem abatido sobre um número crescente de portugueses.
Com esta acção, aqui deixo, na pessoa de Vossa Excelência Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, o meu muito Obrigado.
Tenho dito! ---“

domingo, 8 de maio de 2011

REALMENTE SOMOS OS MAIORES. ACREDITAMOS NO PAI NATAL!

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA
by José Manuel Fernandes on Friday, April 15, 2011 at 11:28am
O professor Álvaro Santos Pereira (Universidade de Vancouver, Canadá) colocou ontem no seu blogue "Desmitos" um post que é obrigatório ler para perceber o que devíamos estar a discutir na campanha eleitoral. Aqui fica a reprodução:
Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituída por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:

1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos
2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB
3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)
4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nossos governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.
6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses
7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.
8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações
9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis
10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB
11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB
12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível
13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB
14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado
15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos
16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE
17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos
18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB
19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa
20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)
21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB
22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.
22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade
Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a estas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.
A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.

NOTA - Na Islândia, onde os cidadãos estão a reagir duramente à forma como foram enganados anos a fio, o Primeiro-Ministro deles não vái a eleições: VÁI SER JULGADO POR GESTÃO DANOSA… PORQUE SERÁ QUE NÃO PODEMOS SEGUIR-LHES O EXEMPLO? SERÁ POR QUE NESTE PAÍS APENAS EXISTE DEMOCRACIA-DITATORIAL?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

VOLTÁMOS AO TEMPO DA SANTA INQUISIÇÃO?

Julgamento no Dia 3 de Maio, pelas 9h15, Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 - Edifício B. Parque das Nações.
Dia 3 de Maio, pelas 9h15, um julgamento que nos remete para os tempos da ditadura...
Os réus: Margarida Fonseca Santos (autora), Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-directores do Nacional D. Maria II) - somos acusados, pelos sobrinhos de Silva Pais, dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida. No seu entender, denegrimos a imagem do último director da PIDE com a adaptação para teatro do livro “A Filha Rebelde” (de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz), feita para o TNDM em 2007, com encenação de Helena Pimenta.
O Ministério Público não acompanhou a queixa. Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa. Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE - a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado.