segunda-feira, 15 de novembro de 2010
SERVIÇO AO ESTADO
---“ Duas situações surgiram a público na última semana que nos remeteram para postos do Estado. A primeira revelou que dois ex-sócios de Paulo Campos, secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, tinham sido nomeados administradores em empresas ligadas aos CTT, tutelado por aquele secretariado.
«Sócio» para quem não saiba, chega-nos do latim socius: «companheiro», «aliado». Segundo uma nota do Ministério, a nomeação destes ex-companheiros/ex-aliados do senhor secretário de Estado teve tudo a ver com méritos administrativos e nada, nadinha, com companheirismos/alianças. Acreditemos pois que os dois distintos cavalheiros desistiram de uma gloriosa carreira na gestão privada para servir despretenciosamente os interesses públicos.
No segundo caso, acreditemos também na imaculada idoneidade do Subdirector–Geral de Reinserção Social, Sr. Luís Vaz do Couto, cujo filho, que o é, mas não aparece como tal na lista publicada em Diário da República, é um brilhante licenciado em bioquímica, e ganhou ainda mais brilho com uma nota de 19 valores e o primeiro lugar na primeira prova do concurso público para técnico superior naquela instituição, onde, como é sabido, a química é disciplina fundamental. Como digo, tudo isto pode ser gente da mais transparente honestidade, mas, como já sabemos desde a.C. «à mulher de César não basta sê-lo, é preciso parecê-lo».
Alguns portugueses (talvez até muitos mas nunca aqueles que mencionei) servem-se do Estado quando deviam estar a servi-lo. É pena. O Estado não é uma agência de emprego. O Estado somos nós. Olhemos para o meu amigo Jamie, por exemplo, que apesar de ser norte-americano e por isso muito pouco amigo do Estado, vai ser oferecido aqui como exemplo a alguns portugueses (mas não aos que mencionei, acima que estão de todas as suspeitas). Até há dois anos o Jamie era vice-presidente de um grupo de lobby ligado às comunicações, ganhava para aí, quer dizer, para aí por baixo, uns 500 mil ao ano. Agora ganha um quinto do ordenado como funcionário público na Administração Obama, a limar arestas da legislação sobre comunicações.
O Jamie não é nada de especial, mas assim de longo parece mais patriota que alguns dos nossos compatriotas. Apesar de ser péssimo gestor e de não perceber patavina de química. ---“
Opinião, de Sérgio H. Coimbra, in “Metro”
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