O artigo que a seguir transcrevo, foi publicado no Jornal do Barreiro, em 29.Abril.2011, e é da autoria da minha muito querida «sobrinha» ANA PORFÍRIO.
JÁ FOMOS POR AQUÍ!
---“ Como se de uma tragédia anunciada se tratasse, o FMI chegou cá, o que poderia ser espantoso se ouvíssemos com atenção as informações de há seis meses atrás dadas pelo Governo, ou de há um ano, ou pelo menos seria espantoso se acreditássemos nelas.
Nos últimos anos, o caminho tem sido este: alimentar parcerias público-privadas, com contornos pouco claros, privatizar sectores públicos, dando lucros chorudos a meia dúzia de privados, compensando os mesmos nos prejuízos reais ou nem por isso. Antes disso passámos pela destruição planeada e implacável de vários sectores de produção, desde as oliveiras e vinhas arrancadas, passando pela frota pesqueira abatida, pelos bens essenciais que passaram a vir de todo o lado, as bolachas gregas, os bifes irlandeses, a fruta espanhola e o leite francês, numa obediência cega aos grandes senhores da Europa, que viram aqui um mercado obediente, talvez um sitio onde se pudessem instalar uma indústrias daquelas chatas…o caminho tem sido este e sempre que a coisa dá raia, como se diz na gíria popular, a solução é a do costume: Despedimentos, aumentos de impostos, cortes salariais, cortes em benefícios sociais, diminuição de regalias, a tal brincadeira do «aperto do cinto», da escuridão a aguardar «a luz ao fundo do túnel» dos «sacrifícios inevitáveis que todos temos de fazer!».
Acontece que nem aceito que sejam inevitáveis, nem acho que são feitos por todos, são os de sempre que inevitavelmente os fazem, isso é verdade, não só não acho que sejam inevitáveis, não acho que este tipo de medidas sejam um «estímulo» à economia, como não o foram no início da década de 80 do século passado em que o FMI já cá esteve, onde serviram para privatizar sectores estratégicos, que hoje se revelam altamente rentáveis.
Aliás utilizando um raciocínio muito simples, mais desempregados e mais impostos são capazes de dar menos actividade económica, afectando todos os sectores desde o pequeno comércio, passando pelo sector imobiliário, pela construção civil e até mesmo pelo merceeiro da esquina.
A verdade é que já fomos por este caminho, perdemo-nos outra vez, que tal experimentar outro rumo? ---“
Sem comentários:
Enviar um comentário