quarta-feira, 29 de junho de 2011

BARREIRO CIDADE

A CIDADE QUE CRESCEU COMIGO
ANA PORFÍRIO, in Jornal do Barreiro

O Barreiro é Cidade, antes foi Vila, antes Lugar. Os vestígios de ser habitado remontam ao Paleolítico. Aquí se captou água, aqui se fez vidro, daqui se abastecia a margem norte do Tejo, de carvão, de frutas, de cordas, de biscoito e pão de açúcar, de madeira para as naus, de farinha, de sal.
Aquí se secou bacalhau pescado nos Mares do Norte, aqui se produziu vinho, aqui se fundaram Igrejas, Conventos, aqui chegaram depois os caminhos-de-ferro, a indústria transformadora da cortiça, a indústria pesada. Com elas, tudo se foi transformando e foram vindo novas gentes: os cantares dolentes do Alentejo, os Beirões, os Algarvios, de Trás-os-Montes e, um pouco de todo o lado, os técnicos, os camponeses transformados em operários, e foi assim que tudo se mudou. Nasceram associações, colectividades, laboratórios, oficinas, clubes de futebol, Bandas de Música, Escolas, Tertúlias, um espírito resistente e combatente.
Aquí se situou um grande núcleo esperantista, aqui se usou a solidariedade como forma de amenizar as agruras da vida, e disso tudo nasceram poetas, escritores, artífices, desportistas, actores, músicos, fotógrafos, jornalistas, homens e mulheres se destacaram nas mais variadas áreas.
Tenho orgulho de ter nascido neste lugar, nesta Vila, agora Cidade, tenho orgulho de ter crescido neste ambiente. Não me lembro da Praia da Avenida, com golfinhos no horizonte, mas lembro-me da minha avó se lembrar, lembro-me das manhãs sufocantes do ar de enxofre, de planear de véspera uma ida ao campo, que era ali já em Palhais, lembro-me dos cavalos da GNR em parada, de frases que não compreendia sussurradas, lembro-me do Tejo escuro e lamacento, que vai estando mais límpido, de tardes a ver filmes no Cine-Clube, de tertúlias fantásticas numa qualquer Colectividade.
Lembro-me de seguir a Bandas pelas ruas do Barreiro Velho, de estrear o “Avião” no Parque Infantil, lembro-me de tudo isso sem saudosismo, apenas com o carinho das recordações que nos fazem bem e, guardo dentro de mim, todas as histórias que ouvi sobre a minha terra, das trágicas às cómicas.
Nasci aqui, cresci aqui. Hoje sou mulher, sempre empenhada em novos desafios, tal como a cidade que guarda o seu passado com os seus olhos nos projectos de futuro, o Barreiro é mais que as memórias, mas que a sua história.
O Barreiro é a cidade que cresceu comigo, a Cidade que tantos acolheu e que os tornou seus.
Parabéns Barreiro!

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