quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

UM HOMEM INVULGARMENTE OCO

Crónica de Ricardo Alves, na coluna “Submarino ao fundo” do Jornal “I”
“ Passos Coelho chegou ao Governo graças à intervenção da Santíssima Troika. Terá, como qualquer adulto, ideias próprias. Mas jura-nos que a sua única política é a da Troika, da “austeridade” e do “empobrecimento”, “custe o que custar”, porque é “inevitável”, e quem protestar é “piegas”.
Não sabemos, porque nunca se dignou explicar-nos, se noutras condições teria outra política OU SE FARÁ ALGO DIFERENTE QUANDO TERMINAR A “EMERGÊNCIA”.
Quando se procura alguma racionalidade nos seus discursos, encontra-se a vaga ideia de que das cinzas da destruição do Estado Social nascerá um Estado novo, magro e “honrado”, que voará pelos ares de nada dever aos credores e (suspeito que o mais importante), com a segurança de ter muito menos obrigações sociais perante os cidadãos.
Ele quer convencer-nos que esse Estado “mínimo” (mas com os monopólios naturais e os bancos vendidos a ditaduras estrangeiras) libertaria subitamente uma legião de empreendedores “desencostados” do Estado e prontos a criar emprego e riqueza.
Infelizmente, Passos Coelho é dos piores personagens que se poderia escolher para protagonista dessa epopeia da “exigência” e da “autonomia da sociedade civil”, contra a “preguiça” e a “complacência”.
Não tem “credibilidade”. Pela simples razão de que o seu percurso pessoal é o de alguém que sempre viveu encostado ao Partido e com os olhos no Estado. “

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