terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SEM PÃO NEM CIRCO

Artigo de Luis Menezes Leitão, inserido no “Exame Prévio” do Jornal I, de 07.02.2012

“ Em 1993, o Governo de Cavaco Silva legislou para colar os feriados ao fim de semana. Mário Soares vetou esse diploma e Cavaco Silva reagiu acabando com a tolerância de ponto do Carnaval. Esse gesto causou tamanha indignação que custou ao PSD sete anos na oposição.
O facto de Passos Coelho, na sua sanha contra os feriados, não ter resistido a repetir o desastrado gesto de Cavaco Silva, demonstra a irracionalidade da sua política. Esta consiste em decretar os maiores disparates imagináveis «custe o que custar» às pessoas. Mas o que custa hoje brutalmente às pessoas vai ser pago no futuro com juros pelo PSD, que corre o risco de ficar décadas arredado do poder quando terminar o Seguro de vida que o PS lhe forneceu.
Os imperadores romanos sabiam que havia duas coisas que nunca poderiam faltar ao seu povo: pão e circo (panem et circenses). Em relação aos funcionários públicos, o Governo já lhes tirou o pão quando o seu salário foi reduzido 25%. Agora vai tirar-lhes o circo, impedindo-os de festejar o Carnaval que todos os outros trabalhadores comemorarão.
Trata-se de mais um ataque aos funcionários públicos, que o Governo transformou em seus inimigos principais sem qualquer justificação.
Ao PSD de hoje pode aplicar-se o comentário de Talleyrand em relação aos Bourbon:
« Não aprenderam nada nem esqueceram nada »
Repetir o erro de 1993 não lembrava a ninguém. “

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