sábado, 2 de junho de 2012

VINGANÇA versus justiça



NÃO QUERO VINGANÇA, QUE JUSTIÇA!
Artigo de Tiago Mota Saraiva, no Jornal “I”, de 02.06.2012

“ 28.Maio.2012 – Era 01,00 h da manhã. Tony esperava que a sua companheira terminasse a limpeza do café onde trabalha. A polícia chegou. Passados poucos minutos iniciaram-se as agressões. Foi para a esquadra. Às 05,30 h foi transportado para o Hospital Garcia de Orta.
Tinha líquido nos pulmões, hematomas por todo o corpo e as costelas partidas. À saída do hospital terá dito: “ Não quero vingança, quero justiça!”
28.Maio.2012 – às 07,00 h, Benedita Machado regressava a casa com alguns amigos. No comboio terá sido interpelada para retirar os pés do assento, ordem que cumpriu. Ao sair do comboio, na gare de Oeiras, um dos seus amigos terá começado a ser agredido por agentes. Saiu em sua defesa. De acordo com o seu relato foi arrastada pela gare e espancada na esquadra.
28.Maio.2012 – Passa-se em plena luz do dia na Rua Morais Soares. Na versão da PSP o cidadão estaria a falar ao telemóvel enquanto conduzia, na versão de testemunhas presenciais, o cidadão estaria a falar ao telemóvel dentro de um carro estacionado. Os primeiros afirmam que o cidadão injuriou o agente, os segundos terão visto o cidadão dirigir-se a um multibanco para pagar a multa, afirmando que o ambiente só aqueceu quando o agente se recusou a devolver-lhe os documentos. O que aconteceu de seguida pode ser visto num vídeo que circula pela internet. Um desproporcionado número de agentes chega ao local, retira violentamente uma criança dos braços do pai e detém-no.
Tudo isto se passou num período de 72 horas, na área da Grande Lisboa, o que torna difícil de sustentar a tese da excepcionalidade.
Das duas uma; ou há uma ordem política para que os agentes carreguem na população, ao mínimo sinal de protesto ou as esquadras foram tomadas por milícias de extrema-direita.
Só o ministro Miguel Macedo pode esclarecer esta dúvida. “

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