Artigo de RUI CRUZ, no Jornal “I”
“ Então lá se passou mais um dia de greve, não é? Com detidos, feridos,
violência policial… É bonito ver que, neste mundo maluco e em constante
mudança, há tradições que se mantêm. Só achei estranho o Passos Coelho
não ter vindo a público defender a Imprensa, depois de alguns jornalistas
terem sido selvaticamente agredidos, uma vez que há uns tempos atrás ele
andava muito preocupado com a “asfixia democrática” de que estes eram,
alvo.
Mas pronto, cada um tem o seu fetiche e já se viu que o PSD prefere os
jogos sado-maso.
Apesar de tudo, esta manifestação trouxe algumas novidades. Pela
primeira vez não assistimos àquele jogo entre os sindicatos e o governo,
em que os primeiros afirmam que 9 milhões de portugueses aderiram à
greve e os segundos juram que foram apenas 3, sendo que um estava com
amigdalite. Senti falta. Por isso queria pedir ao governo que, na próxima
greve, não proibisse as transportadoras públicas de revelar os números de
adesão à greve, por exemplo.
É que quem gosta de apostas, como eu, perde uma tarde de negócio.
Agora, tenho é de dizer uma coisa aos manifestantes: então num dia em
que vamos para a rua manifestar-nos contra o facto de muitos de nós não
termos emprego, de vermos o país a caminhar para o abismo e de cada vez
termos menos dinheiro para viver, vocês lembram-se de mandar ovos
contra os bancos?!
Isso é dar o ouro ao bandido, amigos! Então mas vocês não sabem que mal
o primeiro ovo foi atirado houve logo uma reunião no Ministério das
Finanças com o Gaspar aos berros: “Ai eles não têm dinheiro suficiente
para andarem a estragar ovos?! Então isso quer dizer que ainda posso
subir os impostos mais um bocado!”
Para a próxima têm de pensar melhor nestas coisas… Até porque isso dos ovos não tem impacto nenhum nos bancos. Se querem chamar a atenção dos banqueiros, olhem para o exemplo dos nuestros hermanos espanhóis, cujas prostitutas se recusaram a ter relações com banqueiros, como protesto pelo estado da economia.
Isso sim, é bem capaz de resultar, pois toda a gente sabe que os bancos já não vivem sem «buracos». Antes de ir, queria só deixar uma nota sobre a polémica que houve à volta do congresso do PSD por causa da alegada utilização de versos do Zeca Afonso, o que já foi negado pelo partido.
Eu acredito no PSD, até porque todos sabemos que, a nível literário, o Passos prefere Sartre e a sua «Fenomenologia do Ser»… “
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