A mudança é uma exigência. A mudança coloca-nos novos desafios, com êxito para a vida profissional e, mais tarde, o ressuscitar de novas oportunidades (atenção não me refiro às Novas Oportunidades, cruzes canhoto!).
A nossa vida colectiva também precisa de mudanças. Ninguém deve que fazendo sempre o mesmo, alguma vez conseguirá obter resultados diferentes.
Correndo no momento a Terceira Intervenção Financeira Internacional no nosso pseudo-regime democrático, estamos a descobrir agora que sem a valorização da moeda, que já não está nas nossas mãos (digo nas mãos do Governo), os ajustes económicos e financeiros são muito mais duros.
É muito importante que percebamos a questão: Em 1983/1985, os portugueses perderam uma parte dos salários e poupanças muito maior do que se aperceberam pelo aumento do custo de vida e impostos. Hoje em dia sofremos um aperto muito maior a nível da austeridade, em virtude de não se poder desvalorizar o Euro somente para os portugueses.
Para além de todas as retóricas partidárias (ou futebolísticas?), este aperto vai acabar por provocar grandes e gravosas mudanças, nomeadamente na atitude política.
Os portugueses vão ter de aprender com os desafios e escolher as melhores opções, sem contudo se deixaram “encarneirar” às ordens da classe política.
Infelizmente ainda não somos como a Dinamarca ou a Suécia, mas já ninguém aceita a presente República dos Tachos.
Em Portugal, os políticos que gostam mais de dinheiro do que de poder tornam-se administradores. O tempo em que eram ministros ou deputados foi uma espécie de recruta a que não desejam regressar. É nas empresas, públicas, privadas, ou híbridas, que estão os salários de dezenas de milhares de euros por mês, os bónus de milhões, os pagamentos chorudos para assistir a umas raras reuniões — abrigados da crítica pública e auferindo dos salários de gestores mais altos da União Europeia, em termos absolutos.
Os políticos que gostam mais de poder do que de dinheiro ficam na corridinha de obstáculos a que às vezes se chama — só o nome assusta — a carreira partidária. Esta depende da submissão ao chefe e, tanto quanto possível, de guardar as suas ideias para si. A regra é: comenta tudo, não te comprometas em nada. Diz o mínimo, nunca escrevas, e andarás pelo seguro. Chegado ao topo dessa carreira o político que gosta de poder exercerá o poder nos limites partidários, o que se resume a isto: manter um nicho de mercado. Pode ser no mercado da governação ou n, o mercado da contestação, desde que fale para o seu nicho, que lhe devolverá o eco da sua voz.
E depois há os políticos que sonsamente dizem que “gostam de pessoas”.
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